Sexta Sei: Ela só quer, só pensa em trabalhar

Mais de 9,6 milhões de mulheres são empreendedoras no Brasil e já são 34% dos negócios. Conversei com algumas empresas formadas só por minas, como a Pomar Produtora, a Purpurina, a PWR Records e o Atelier de Conteúdo

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Cerca de 9,6 milhões de mulheres são empreendedoras no Brasil, o que representa 34% de todos os negócios formais e informais do país. A #sextasei da semana é sobre isso: minas que cansaram de trabalhar com homens e abriram empresas femininas. Entre os cases, está a Pomar Produtora, a Purpurina ea PWR Records. No Atelier de Conteúdo, elas encontraram uma boa forma de conviver com os homens na equipe.. 

Tai  Fonseca e Sarah Abdala, casadas há dez anos e juntas na Pomar Produtora

A Produtora Pomar começou em 2014, como coletivo feminino que produzia conteúdos audiovisuais de novos artistas para as redes. O casal formado pela jornalista Sarah Abdala, 31 anos, e pela publicitária Tai Fonseca, 30 anos, está junto há dez anos. A empresa coordena lançamentos, eventos, festivais, clipes e produz conteúdos, tudo no universo musical. Elas atendem nomes que já passaram aqui na coluna, como Sávio, Pedro Mann e Laura Petit, por isso nos conhecemos, quando divulguei o Festival Pomar.

Na Pomar, Sarah coordena os lançamentos musicais e a produção musical, enquanto Tai coordena a produção de conteúdo e a produção audiovisual. As experiências em empresas mistas, antes da Pomar, não foram positivas. “Eu trabalhei durante cinco anos em estúdios de gravação e de ensaio, só eu de mulher por ali. Como é de se esperar, o ambiente machista e abusivo, nas pequenas ações cotidianas, era o normal. Eu tinha uma ilusão que o meio musical era progressista, com mínimos valores feministas, mas por dentro dessas estruturas, a gente vê como toda a cadeia é super machista, e às vezes, sexista”, conta Sarah.

“Em todas as empresas que trabalhei antes da Pomar, o machismo era carta de entrada. Nunca entrou na minha cabeça ver que algumas mulheres eram incrivelmente mais geniais do que certos homens e ocupavam cargos incompatíveis com essa realidade. Essa sabatina de ter de  provar a todo o tempo, que o fazemos tem valor e deve ser respeitado, é exaustiva”, completa Tai.

A fotógrafa Melina Furlan trabalhando com a cliente Marcela, do @dizerpoema
Julia Casotti, na colagem de lambes para um lançamento do músico Marcelo Perdido
Thassiana Carias, na colagem de lambes para um lançamento do músico Marcelo Perdido

Purpurina criou uma rede feminina em diversas frentes

Conheci a Purpurina Comunicação e Cultura na apuração da coluna do Yöun e fiquei instantaneamente encantado com a proposta de ser uma rede feminina formada pelas mais diversas profissionais possíveis, capitaneadas pela diretora criativa Julia Casotti, jornalista. Além do Yoün, elas atenderam ao Marcelo Perdido, que volta e meia aparece aqui. Além da Julia, estão por lá a designer e fotógrafa Ana Portela, a comunicadora Clariza Rosa, a compositora e artista visual Ananda Costa, a jornalista e produtora de moda Helena Gusmão e muitas outras.

A empresa, especializada na criação de comunicação e conteúdo para projetos culturais, trabalha em parceria com um time de profissionais mulheres freelancers, de sotaques diferentes. Curadoria, direção de arte, assessoria de comunicação, redes sociais, fotografia, identidade visual, ilustração e criação de websites estão entre os serviços oferecidos. “Vemos mais mulheres no mercado de trabalho, mas não na ponta da pirâmide, como curadoras de galerias e diretoras de institutos de Cultura, por exemplo. É um desafio trabalhar com cultura em anos de tantos cortes, mas também dá muito orgulho ver quantos desafios já atravessamos e quantas portas começaram a se abrir”, afirma Julia.

Letícia Tomás. Foto: Daisy Serena
Troá

Artista visual, publicitária e produtora cultural Letícia Tomás, fundadora da PWR Records. Foto: Daisy Serena

A PWR Records nasceu em 2016 para potencializar mais mulheres por meio da música e é uma plataforma de desenvolvimento e gestão de carreiras. É selo, agência, produtora e podcast com olhar atencioso à música produzida pela nova geração de mulheres, tudo capitaneado pela artista visual, publicitária e produtora cultural Letícia Tomás.

“A  PWR nasceu em 2016, quando eu estava no auge dos meus 20 anos. Produzindo e sendo uma das poucas mulheres nos meus eventos e nos meus line ups, a PWR começou como um desafio pessoal que se refletiu no que várias outras mulheres sentiam. Quando a PWR surgiu, nos vimos em comunidade, reconhecemos nossas iguais, conhecemos mais artistas e profissionais da música mulheres e – juntas – buscamos entender e corrigir os problemas sistêmicos sobre mulheres na música“, revela Letícia, a Let, que foi produtora artística do Festival Bananada 2019.

Nesses quase 5 anos, elas já lançaram mais de 150 faixas e trabalharam com mais de 40 bandas e artistas, como Papisa, Winter, My Magical Glowing Lens, Ventre, Musa Híbrida, Obinrin Trio, Ema Stoned, Luisa e os Alquimistas, entre outras.

O Atelier de Conteúdo elabora narrativas para empresas na comunicação interna ou externa, em diferentes canais e formatos, online e offline. A empresa nasceu do desejo da jornalista Ariane Abdallah de empreender. Seis meses depois de ela deixar uma redação, a colega Marcela Bourroul veio colaborar. Depois, mais duas jornalistas se juntaram à jornada empreendedora, Julia Fregonese e Silvia Balieiro. A reunião das mulheres foi um processo natural, não foi nada planejado. 

“Gostamos de trabalhar com mulheres, incentivamos a liderança feminina, sabemos da importância do tema e fomentamos a atitude empreendedora no nosso dia a dia. Nos orgulhamos disso, claro, mas também sabemos da importância de ter homens no grupo para trazer um olhar diverso e outras perspectivas. Já tivemos homens na equipe e, desde o ano passado, contamos com o Sérgio Cury, nosso líder criativo. Também temos estagiários e nosso analista financeiro, José”, conta Ariane.

Abaixa que é tiro!💥🔫

𝕄𝔸𝕄𝔹𝔸 ℕ𝔼𝔾ℝ𝔸 ⨳ 𝓞-𝓚𝓾𝓵𝓽𝓸 𝓭𝓮 8 𝓪𝓷𝓷𝓷𝓾𝓼⨳

A icônica festa do underground paulistano Mamba Negra comemora oito anos de quebra do status quo por meio de música, arte, moda e comportamento neste sábado (7), das 18h às 3h, com a festa virtual  “O-KULTO DE 8 ANNUX”. 

No line up, nomes de peso da cena, em dois palcos, como a banda Teto Preto (23h), a cantora Jup do Bairro (21h), a drag queen Kitty Kawakubo (20h), a dj Cashu (00h), A Transälien (1h), a multiartista Alma Negrot (2h) e muitos outros (programação completa aqui).  As apresentações serão transmitidas pelo site.

Jup do Bairro
Cashu, Foto: Katy
Transalien
Trinitas
Trinitas
Alma Negrot
Paulete Lindacelva

Fotos por RECREIOclubber

“Nossa prioridade é construir condições para a produção, o que escapa ao circuito do entretenimento: liberdade para produzir um novo tipo de som/corpes/imagens e(m) movimento”, explica Cashu, uma das fundadoras, ao lado de Carneosso, vocalista do Teto Preto. Hoje, é muito mais do que uma festa, com braços como selo indepente, agência de artistas e webrádio.

Os visual sets são de Luzco, e tem Estúdio Margem nos artworks e vídeo arte por Guzafatia e RECREIOclubber . Vai ser babado.

Foto: Rafa Kennedy
Foto: @Bernoch_
Foto: @Bernoch_
Foto: Rafa Kennedy
Foto: Rafa Kennedy

O festão da Mamba Negra vai ser a segunda oportunidade para o público conhecer a nova formação da Teto Preto, essa banda que é emblema do underground brasileiro. A estreia na nova turma foi na semana passada, na Casa de Criadores, e, claro, foi tiro, porrada e bomba, com Laura Dias aka Carneosso metida em um body suit da Jalaconda que não é pra qualquer um. A vocalista tá no grau, mamis!

Laura e o percussionista e trombonista William Bica (percussão e trombone) receberam os novos músicos Mari Herzer (sintetizadores, pedais e eletrônicos) e Matheus Câmara (sintetizadores, eletrônicos e guitarra). O show foi gravado na histórica Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo, com quatro músicas inéditas da nova fase: “A queda para o alto”, “Jóia”, “Para sempre vou te amar” e “Give me my money back”. Que venham mais hits como “Gasolina”

O show de amanhã, às 20h, é um espetáculo audiovisual que dá um gostinho do segundo álbum, ainda em processo de produção. Na minha bolha, ainda se falou, bastante, do show alienígena de Rober Dognani na Casa de Criadores, com Johnny Luxo, Alma Negrot, Zé Pedro e Max Weber, entre outros, como os seres de outro mundo.

Álbum visual

Capa de “Ana”  por Fernando Fernandes

Eu não estava preparado para ouvir a voz da minha amiga e astróloga Vera Leitão (in memorian) em dois momentos no novo disco visual da cantora Clara Castro, 26 anos, o bom “Ana”, que ganhou o mundo hoje. Foi aquela surpresa boa que aquece o coração da gente de saudades. Clara me contou que não chegou a conhecer a astróloga, mas que ensaiou um show em seu sítio, no Graminha, mostrando que está tudo interligado, sempre.

O disco foi registrado ao vivo, faixa a faixa, em takes únicos de voz e violão, e sucede o excelente Claustrofobia” (2018). O mapa astral faz parte do processo de criação, que inclui ainda fitas VHS com imagens da infância e seu primeiro jogo de tarot. A produção musical  e a direção ficaram nas mãos do namorado, o também músico Nathan Itaborahy. A direção do vídeo é de Ananda Banhatto. Batemos um pappo bem extenso com ela aqui.

Fafá de Belém. Foto: Fernanda Gomes

Na segunda (9), Fafá de Belém completa 65 anos e comemora do jeito que mais gosta: cantando as canções de seu último álbum lançado, o delicado “Humana”, que teve concepção de Paulo Borges e direção musical de Arthur Nogueira. No repertório, estão canções como “Alinhamento Energético”, de Letrux, e “Toda Forma de Amor”, de Lulu Santos

O show será transmitido no domingo (8), às 19h, pela plataforma Sympla, com ingressos a R$ 50. Após a apresentação, Fafá bate-papo com a plateia. “Desde o início da pandemia, já foram mais de 23 lives, abraçando a minha equipe e o meu repertório. E, para comemorar meus 65 anos, quis fazer um show como um objeto de reflexão e uma mensagem de esperança”, reflete Fafá.

Mônica Salmaso no Sesc em Casa
Musical Deixa Clarear. Foto: Ariel Cavotti
Zeca Pagodinho
Elenco da peça radiofônica Quer ver escuta , do Grupo Galpão

Orgulhos de Minas Gerais, a Orquestra Ouro Preto estreia novo repertório em homenagem aos The Rolling Stones, domingo (8), às 18h30, e o Gulpo Galpão entrou na era dos podcasts com seu “teatro para os ouvidos”, a peça radiofônica “Quer ver escuta”, uma colagem que mistura ficção e documentário. 

No Sesc ao vivo da semana, sempre às 19h, tem Claudio Cruz e Nahim Marun, hoje (6), e Mônica Salmaso, sábado (7). Hoje (6), às 21h, tem Victor Biglione e Gipsy Trio, às 21h, no Blue Note. De hoje a domingo, sempre às 20h, rola apresentação do musical Elza, em vi semana passada, bem bom.

No sábado, 16h, tem Diogo Nogueira, Marcelo Falcão e Martinho da Vila. E tem a volta da #ViradaSP Online, com shows de Marina Lima (18h20) e Sidney Magal (22h30). E tem mais lives de Dia dos Pais, no domingo (8, sim, com Samuel Rosa, Nando Reis e Marcelo D2, às 16h, Bel Marques, às 16h, Zeca Pagodinho, às 17h, Paralamas do Suceeeo e Orquestra Rock, às 18h.

A adaptação “filme-teatro” do monólogo “Dama da Noite”, baseado na obra de Caio Fernando Abreu, tem duas apresentações online, neste fim de semana, dias 7 e 8, às 20h, no Sympla, com o ator Luiz Fernando Almeida. Os ingressos custam R$ 10. 

Na quinta (12), às 19h, aniversário de 79 anos de Clara Nunes, será transmitido, ao vivo, do Teatro Riachuelo, o musical Deixa Clarear”. O espetáculo, que tem texto de Marcia Zanelatto, direção de Isaac Bernat e foi idelizado pela atriz que vive a cantora, Clara Santhana, fica disponível até o dia 14, às 19h. Os ingressos custam R$ 15.

Fotos: Elisa Mendes

A elogiada atriz juizforana Suzana Nascimento estreia on-line a peça inédita Em Nome da Mãe”, no canal do Sesc RJ no YouTube. A peça será encenada de sexta a domingo, às 19h, em temporada que vai até 29 de agosto. O processo de ensaios foi feito à distância, ao longo de três meses. Suzana e o vioncelista Federico Puppi, que assina a trilha sonora original e a tradução do livro do premiado autor italiano Erri de Luca, estavam em Juiz de Fora, e a diretora Miwa Yanagizawa, no Rio. A peça deixa de lado o aspecto religioso para desmistificar a figura de Maria de Nazaré e mostrar a  jornada íntima de uma mulher jovem, pobre, não casada e grávida que sofreu os preconceitos de uma sociedade conservadora, patriarcal e machista. É a primeira montagem do texto no Brasil, e as filmagens do espetáculo foram feitas no Teatro Ipanema (RJ). 

Bora acompanhar que a Prefeitura de Juiz de Fora anunciou ontem cinco editais de cultura com mais de R$ 2 milhões em recursos.

Playlist com as novidades musicais da semana. Nesse post, tem todas as playlists do ano.  Aqui tem as playlists de 2020.

Playlist de clipes com Violet Chachki + Allie X, Morena + RDD, Pop Smoke + Dua Lipa, Bruno Mars + Anderson Paak + Silk Sonic, Martinho da Vila + Djonga, Vinícius Terra + Elza Soares + Linn da Quebrada e +, Paige +  Pejota, Pocah, Tati Zaqui + Karen Kandasha + Renato Shipee, Day, Tyga, Jaden, Thiaguinho, Luan Santana +MC Don Juan, Beyoncé + Childish Gambino + Oumou Sangaré, Caradura, Major Lazer + Aya Nakamura + Sae Lee, Edi Rock + MC Sombra, Drik Barbosa + Péricles e Billie Eilish

Sexta Sei, por Fabiano Moreira

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