Rami Freitas, 33 anos, foi parceiro de BUHR no último álbum, “Feixe de fogo”, e me apresentou sua banda, que é madeirada! e faz pesquisa continuada e coletiva sobre corpo e memória no sertão do Ceará com o álbum “Dançaremos furta-cor com outros mundos”
por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com
No processo da entrevista com BUHR sobre seu último álbum, “Feixe de fogo”, fui alertado pela assessora de imprensa Piky Candeias sobre a importância de também acompanhar o trabalho do co-produtor do trabalho e também integrante da banda cearense de art rock Procurando Kalu, Rami Freitas, 33 anos, que toca bateria, bateria eletrônica, congas e ganzá no segundo álbum do grupo, a pedrada roqueira que é “Dançaremos furta-cor com outros mundos”, que chega nesta sexta (8), antecipado por “Estilhaço”, parceria com a mother BUHR. Mother is mothering e participa também da faixa “Coração Diamante”. Além de Rami Freitas (ele/elu), a banda é integrada pelo vocalista Zeca Kalu (ele/ela/elu), 32, Briar Aguarrás, 26, (sintetizadores, baixo sintetizador, sample, voz e coro, ele/ela), Felipe Castro, 32 (voz e performance, ele/ela), Gegê Teófilo, 31 (guitarra, sintetizadores, beat, sample e coro, ele), Izma Xavier, 33 (baixo e baixo sintetizador, ela) e Rodrigo Brasil, 35 (guitarra, mandolin e coro, ele), artistaslocalizades entre o semi-árido da caatinga cearense de Sobral e a capital litorânea, Fortaleza, que investigam o jogo de atritos entre narrativas sonoras, visuais, performativas e poéticas. Batemos um longo papo, por e-mail, no qual falamos da mentoria de BUHR, da forma coletiva de criação, com muitos parceiros cearenses, como Fernando Catatau, que acaba de fazer o retorno com a Cidadão Instigado em álbum, Clau Aniz, Simone Sousa, Briar, Clarisse Aires, Felipe Castro, Vitor Cozilos Vitor e Malika. “Esse álbum fala de corpo e memória. De como nossos corpos são assinaturas itinerantes, que desenham, guardam e expõem a história — e de como isso não tem tempo absoluto, nem regra, nem espaço. O corpo arranja um meio. Dentro dessa perspectiva, o álbum se desenvolve como uma antologia de contos sobre corpos: em coletivo, em experiências íntimas, em estado de urgência, de transmutação ou mesmo de contemplação. Corpos impossíveis que tentam resguardar em si a própria memória ou a memória do mundo. Esse álbum é o corpo em presença”, me conta o vocalista Zeca Kalu.
Moreira – Vocês se definem como uma banda de art-rock, termo que fica entre o mainstream e o rock experimental. Qual a intenção de definir o som dessa maneira, tem a ver com a forma como é elaborado e as intenções? Vi que, no especial de mesmo nome do álbum, do grupo e Felipe Castro, vocês trabalham com ênfase em frequências graves, entre 50Hz e 60Hz, que proporcionam experiência multissensorial para surdos e ensurdecidos. Esse episódio da 4a temporada do programa “Zona de Criação”, do Hub Cultural Porto Dragão (Fortaleza/CE), foi meio que o inception do álbum?
Procurando Kalu – Sim. Tem muito a ver com a forma como o som é elaborado, mas transcende o som. Tem a ver com a intersecção que a gente faz entre música, performance, poesia, figurino, imagem, dramaturgia e tudo o que compõe nosso trabalho. A gente sempre se deparou com a pergunta “Qual o estilo de vocês?”, vinda de quem nunca ouviu ou foi a um show e até de quem já teve contato com nosso trabalho. Sempre nos definimos como rock, inclusive pelo fato de que, na maioria dos editais, plataformas e demais ferramentas que usamos, rock é a melhor definição para nosso trabalho, pois é um dos lugares de onde viemos. Mas, assim como os integrantes desta banda são de lugares diferentes, suas referências e experiências também são diversas: vários tipos de rock, vários tipos de música, pensamentos diversos sobre arte. O estilo que define a banda deveria se expandir. Um dia, vimos a definição de art rock, que é meio um guarda-chuva para diversas abordagens de rock experimental e progressivo. Mas, dentro do seu significado, também mora a possibilidade de fazer conexões entre linguagens — e é o que fazemos. Promovemos esse encontro em que a música serve de impulso para a criação de células cênicas e ações performativas para o palco, mas pode ser o inverso: a performance nos oferecer subsídio criativo para a composição de canções, poesias, melodias, harmonias ou tudo junto. Para a gente, art rock virou esse território onde podemos experimentar, podemos ousar criar sem um ponto certo de início. É um jogo de atritos entre narrativas sonoras, visuais, performativas e poéticas. Esse trabalho é muito importante para a pesquisa de “Dançaremos furta-cor com outros mundos”, pois fazia apenas um ano que a Procurando Kalu havia lançado o primeiro álbum, “Kalu parado frente ao corpo” (2022), e nossas cabeças ainda ferviam com ideias, imagens e sonoridades. Quando surgiu a oportunidade de participar do Zona de Criação, logo pensamos que seria o momento ideal de experimentar coisas novas e partimos para a elaboração de tudo. Primeiro, escrevi um texto com o mesmo nome, como um manifesto — e esse manifesto é bradado por pássaros em transmutação. Há trechos desse texto na faixa “Farpa”, falados por Malika. A partir daí, eu, Felipe Castro e Rodrigo Brasil desenvolvemos um roteiro, submetemos ao processo seletivo para a 4ª temporada do programa e, depois de uma entrevista em que defendemos o argumento, fomos aprovados e partimos para a realização. As filmagens aconteceram em Fortaleza — Teatro B. de Paiva e Poço da Draga, na Praia da Carminha — e em Sobral, mais precisamente no Olho d’Água do Pajé, lugar histórico e precioso para a região, localizado no distrito de Aracatiaçu. Nesse mesmo lugar, foram feitas as fotos e os visuais do primeiro álbum, por isso o revisitamos. Com isso, quando fomos criar a trilha sonora da obra, começamos imergindo no primeiro álbum e acabamos descobrindo o caminho que nos levaria ao segundo, este que está sendo lançado. Dentro dessa experiência, havia a preocupação de trabalhar com medidas de acessibilidade não convencionais. Foi então que nos deparamos com a ideia das frequências graves, entre 50 Hz e 60 Hz, para experiência multissensorial com pessoas surdas e ensurdecidas — algo que está na categoria chamada Tecnologias Assistivas. Para Dançaremos — o álbum — trouxemos elementos sonoros de Dançaremos — o curta. Mas não sampleando: ouvimos, refizemos, experimentamos novas sonoridades a partir das que foram propostas no filme, até chegar a um lugar que fizesse sentido para o álbum. Então, sim, foi o inception, mas de dois álbuns. Foi a construção de uma pesquisa continuada, em coletivo, entre artistas e no sertão do Ceará.
Moreira – Eu conheci a banda a partir da colaboração de Rami Freitas na produção do disco de BUHR, “Feixe de luz”, artista que entrevistei aqui. Qual foi a importância da troca com elu, que participa com vocais e percussão em duas parcerias com a banda, “Coração Diamante” e “Estilhaço”. Vocês se conheceram em 2023 por meio do Laboratório de Criação em Música da Escola Porto Iracema das Artes, em Fortaleza, em sete meses de pesquisa e experimentação. Qual a importância desse encontro na história da banda e na criação desse álbum? Mother is mothering?
Procurando Kalu – BUHR é uma das pessoas mais importantes para a Procurando Kalu. Somos fãs há muito tempo do seu trabalho e acompanhamos tudo! Esse encontro foi de uma importância tremenda. O Laboratório de Criação em Música da Porto Iracema das Artes é muito importante no estado por promover esses encontros e permitir que você troque, durante sete meses, com um artista do seu interesse em arte e pesquisa. Quando sugerimos BUHR para desenvolver o projeto com a gente, foi porque sabíamos que, de alguma forma, dali sairiam muitas criações. BUHR tem vasta e histórica experiência com música, com arte independente e com teatro. É uma das maiores performers do Brasil, além de ter canções que transcendem a palavra, o som e a ideia de música. Seu corpo e sua existência sempre atravessam tudo. BUHR chegou com curiosidade e vontade, nos ofereceu essa experiência com generosidade, e nós fomos juntes, com curiosidade e com ansiedade de criar. Fomos descobrindo juntes esse processo, a cada dia chegando mais perto — banda e BUHR, BUHR e banda, rs. Foi ali que compusemos “Coração Diamante” — faixa 4 do novo álbum. Eu e Rodrigo, dentro de um ônibus a caminho de Sobral; BUHR, em um voo para algum lugar do Brasil. Mas sempre estávamos olhando tudo, ouvindo, percebendo as histórias e transformando em música, texto, cena — tudo. Foi ali também que mostramos “Estilhaço” — faixa 9 — uma canção que fizemos em 2018 e que, em 2023, recebeu a intervenção de BUHR, para só agora ser lançada no novo álbum. Tudo foi construído com afeto, com a rua, com a noite, com o mundo e com a admiração que só aumenta a cada tempo que passamos com BUHR. É realmente um dos nossos maiores encontros, importantíssimo para este álbum e, mais ainda, para nossa história.
Moreira – Além de BUHR, o álbum tem participações especiais de Fernando Catatau, que acaba de fazer o retorno com a Cidadão Instigado em álbum, Clau Aniz, Simone Sousa, Briar, Clarisse Aires, Felipe Castro, Vitor Cozilos Vitor e Malika, como foram essas trocas e encontros? Apresentem a turma, por favor, sempre bom conhecer novos artistas e descentralizar.
Procurando Kalu – Que massa poder falar desse povo todo! São pessoas amadas, que admiramos profundamente como profissionais, criadores e pessoas insistentes da música cearense. Vou falar na ordem. Catatau é uma grande referência para a gente. Criou sua banda de rock, já começa por aí: é ousado, com músicas e letras que falam do Ceará e dos lugares por onde andou e anda, de uma forma surreal, quente e afiada. Quando fizemos “Quase Vidro”, pensamos imediatamente na participação dele, em voz e guitarra. Foi assim que mandei o convite: “seria massa que tu tocasse e cantasse”. É uma música meio orquestrada, com letra que traz a cidade mas fabula histórias fantásticas, com narrativas de memória e pertencimento. Clau Aniz é outra artista gigante — não tem como não amar. Clau é sensível, escreve muito lindamente, toca de tudo e cria com imagem e som, pensando história e cena. Clau me mostrou “Rubra Pedra e Cal” recém-iniciada, com algumas estrofes escritas e uma harmonia de arrepiar, e me convidou para compor junto. Quase chorei! Foi lindo! Fui na casa dela, um lugar importante de criação e ocupação para a cena independente e experimental de Fortaleza: a Pé Sujo. Lá compusemos a música. E tem uma curiosidade: em junho, a Clau lança seu novo álbum, “Mácula”, e há uma versão de “Rubra Pedra e Cal” nesse trabalho. Participo também, e está tão linda quanto a gêmea que está no nosso álbum. Simone Sousa é nossa grande mestra da vida: artista cearense, compositora, vozeirão potente e força nas palavras. Simone foi nossa professora de Canto Coral e Técnica Vocal quando cursamos música na Universidade Federal do Ceará — Campus Sobral. Foi a primeira pessoa que apostou na Procurando Kalu, já sendo até nossa produtora. Pensamos sua participação em “Água Doce” — faixa que abre o álbum — pois é uma canção feita pensando nas nossas existências em Sobral, nessa relação de sertão, cidade, água doce, concreto e na beleza de poder dizer o que se é. Briar, que hoje é integrante da banda, é uma amizade antiga. Fomos vizinhes em Sobral por um bom tempo e vimos Briar compondo suas belíssimas e profundas canções na calçada de casa. “Sumira” é uma parceria minha com Briar, uma música feita na pandemia, quando eu ficava publicando tweets com poesias curtas. Um deles eu mandei para Briar antes de publicar, e Briar devolveu com música. A coisa mais linda! Clarisse Aires é uma das flautistas mais versáteis da cena, elegante e inventiva. Somos amigos há muito tempo e, conforme o tempo passou, o desejo de criar com Clarisse só aumentou. Vimos nesse novo álbum a porta aberta para esse acontecimento. Felipe Castro também é integrante da banda, mas antes disso é uma amizade antiga. Felipe é artista de invenções gigantes, com um pensamento agudo sobre poesia e corpo. Pesquisa corpo há muito tempo e foi nessa que nos encontramos. Felipe e Rodrigo Brasil têm uma obra de performance chamada “Corpoco”, criada em 2016, e eu escrevi alguns textos para o trabalho. Um deles é o texto que virou a faixa 6 do álbum — “Corpoco”. No palco, Felipe coloca o corpo no jogo do show. É estonteante! A faixa também tem participação de outro grande amigo: Vitor Cozilos Vitor. Vitor é uma grande referência para a gente em rock, performance, música experimental e trilha sonora. É um olhar inquieto para a cidade, para o que ela oferece e para o que ela tira. Vitor poderia participar de qualquer faixa do trabalho, mas “Corpoco” tem muito a ver com o que ele produz, com a ideia de texto, corpo e experimentação. Na faixa ele toca Guitarra Baiana Preparada Expandida, um ponto forte da pesquisa dele, já tendo lançado alguns trabalhos colocando a guitarra baiana nesse terreno. Este álbum é realmente um álbum, em sua mais pura definição, pois contamos histórias, imaginamos imagens e trazemos para ele pessoas importantes para a gente. Uma delas é Malika, também artista do corpo e da poesia. Malika é performer e uma das cabeças da cena ballroom de Sobral e do Ceará. Nos conhecemos quando criamos o Coletivo Toca da Matraca, em Sobral. Criamos juntes e fizemos muitas coisas. Inclusive, Malika participa da faixa 8 do álbum, “Farpa”, mas a letra de “Quase Vidro” também é dela, e sua participação veio de um sonho. Ela me mandou trechos escritos do sonho em forma de poesia, e eu coloquei na música: “…A casa que dormia, corre o mar, escorre o tempo…”.
Moreira – “Kalu” é uma personagem, exposta na capa do álbum, interpretada por Felipe Castro, “um espectro fora do tempo e do espaço, que guarda os cacos de lembranças para que a história não seja esquecida, muito menos repetida”. A capa do disco é assinada pelo artista visual Negro Sousa e as fotos foram feitas às margens do rio Acaraú, que corta a cidade de Sobral e banha a região norte do Ceará até o Litoral Oeste do estado. Kalu é um pouco de cada um de vocês?
Procurando Kalu – Kalu é, sim, um pouco de cada um de nós. É uma forma de personificar esse ser coletivo, sintetizando a diversidade de olhares, percepções e expressões que a Procurando Kalu possui. Materializar Kalu é algo relativamente novo para a banda. Por muito tempo nós realmente procuramos e encontramos diversos Kalus. Por isso, quando decidimos trazer Kalu para conduzir as narrativas do grupo em “Kalu parado frente ao corpo” (2022), foi com a intenção de que essa persona contasse aquelas histórias — principalmente pelo fato de termos pensado o álbum como uma trilha sonora, um filme sonoro ou um álbum dramatúrgico, enfim. Em “Dançaremos furta-cor com outros mundos”, Kalu toma corpo e imagem e é uma figura completamente passível de mudanças: de vestimenta, comportamento, qualquer coisa que Felipe Castro proponha ou que a banda, em conjunto, decida. Kalu estará realizando. No curta-metragem “Dançaremos furta-cor com outros mundos”, Kalu teve seu prólogo, foi apresentade ao mundo e foi viste pela primeira vez. No palco, Kalu corta o fluxo e conta história com o corpo. Em “Dançaremos” — o álbum — levamos Kalu para esse contato íntimo com o Rio Acaraú, outro cenário em seu mundo de ancestralidade e futurismo. E ali, Negro Sousa — que é um artista gigante, capaz de grandes feitos com a imagem — fez a obra acontecer. É massa, pois algumas fotografias feitas para a identidade do álbum foram expostas e premiadas em galerias Brasil afora, mesmo antes de mostrarmos para o público. Fico feliz: a Procurando Kalu consegue expandir o território, somando-se a outros artistas e coletivos, chegando em diversas linguagens, experimentando arte, produzindo e realizando sonhos.
Moreira – Vocês articulam música e performance a partir das oralidades do sertão, explorando narrativas dissidentes de raça, gênero e território. Quais os assuntos mais importantes debatidos nesse álbum que já é um dos melhores do ano? Visualmente, vocês vieram questionar padrões e o estabelecido.
Procurando Kalu – Esse álbum fala de corpo e memória. De como nossos corpos são assinaturas itinerantes, que desenham, guardam e expõem a história — e de como isso não tem tempo absoluto, nem regra, nem espaço. Mesmo que a gente estabeleça regras dentro dessa experiência sistemática que vivemos, o corpo vai fugir à ordem, vai tomar outras formas, não vai caber. E não cabendo, o corpo vai reagir: seja sucumbindo — infelizmente — ou expandindo a uma dimensão inexplicável e incontrolável. O corpo arranja um meio. Dentro dessa perspectiva, o álbum se desenvolve como uma antologia de contos sobre corpos: em coletivo, em experiências íntimas, em estado de urgência, de transmutação ou mesmo de contemplação. Corpos impossíveis que tentam resguardar em si a própria memória ou a memória do mundo — quando falamos das águas doces, quando trazemos a cidade, quando falamos das áreas nossas coletivas, quando lembramos que já quebramos acordos, que já negociamos o inegociável. Ou quando não negociamos. Quando fomos frágeis como vidro — quase areia, quase vidro — de quando fomos e somos corpos em uma deriva alucinante e sinuosa. De quando somos puro calor e desejo. E de quando somos vulneráveis, de peito aberto, exposto, visceral. Esse álbum é o corpo em presença.
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Ex–integrante da banda capixaba Dead Fish como guitarrista, entre os anos de 1997 e 2001, na época ainda assinando como Giulliano, o capixaba radicado em Barcelona Giu Lenda se lança em nova fase solo, após integrar a banda do também capixaba Silva com o single “Recordista mundial se o doping fosse esporte”, unindo sua herança hardcore à estética urbana, promovendo um cruzamento entre o hip hop e o rock alternativo, sem molhar o bigode jamais no visualizer boiando sobre águas tecnológicas. Ele não só produziu como tocou bateria, beats, baixo, guitarras, sintetizadores e teclados no estúdio Piripac (Barcelona), assumindo o controle criativo integral. “Uma mistura de Paul Satre com Mefisto”, Giu avisa que, “viciado na sorte”, “fechar portas na minha cara, não adianta, eu arrombo”.
“Com uma sonoridade crua, a música utiliza o doping como uma uma metáfora ácida para a luta inglória de preservar a lucidez em tempos de barbárie. A faixa é um mergulho no que resta de nós quando a sobrevivência se torna um esporte de resistência extrema”, define o artista. Na nova fase, ele traz a dualidade da crueza do punk e do refinamento da produção de estúdio. O single abre caminho para uma sucessão de novas faixas e lyric videos, impulsionados por uma estratégia de circulação que estreita os laços entre suas bases no Brasil e na Europa.
The Next Movement foi o nome de uma icônica banda vocal de r&b de Chicago, nos anos 70, e o nome agora batiza a banda europeia homônima, de Berna, Suíça, que está preparando o seu quarto álbum para outubro. A última amostra do trabalho é “Dang! (So Fine!)”, single duplo que também traz a faixa ”Love it or leave it alone”. O single, com influências de funk, é envolvente, com energia noturna e refrões contagiantes. A faixa combina a atitude de uma banda ao vivo com a sensibilidade soul moderna. A banda, conhecida por seus groove, funk e soul explosivos. é formada por J.J. Flueck (vocais, bateria, samples), Sam Siegenthaler (guitarra, vocais) e P Kaeser (baixo, sintetizador, vocais).
Foi uma grata surpresa conhecer a riqueza da música do compositor, cantor, produtor e diretor musical do agreste pernambucano Zé Barreto de Assis, que acaba de nos presentear com o belo single “Pássaro e pedreira” com participação de Pedro Iaco. A faixa marca uma nova fase do artista e funciona como ponte entre seu primeiro álbum, “Os passarinho”, e o próximo trabalho, “Rio, leva minhas águas”, em produção. A música constrói uma atmosfera intensa e orgânica baseada em baixo, percussão, viola e violão. A presença da viola nordestina tratada com efeitos amplia a textura sonora, criando uma travessia entre momentos líricos, passagens psicodélicas e explosões de percussão pulsante. O trabalho reforça o movimento do artista em direção a uma linguagem própria, onde tradição e experimentação coexistem de forma tensionada e viva.
“Essa música nasce de um conflito entre permanência e transformação. O pássaro e a pedreira são imagens que carregam esse embate — entre o que voa e o que resiste”, comenta Zé Barreto de Assis. “Pássaro e Pedreira” articula elementos da natureza — terra, lua e mar — como metáforas de transformação e pertencimento e foi gravada ao vivo no Estúdio Carranca, em Recife. O single conta com produção musical de Hugo Linns e mixagem de Vinicius Barros Aquino.
Não foi só o padrin FBC quem aproveitou o Dia do Trabalho pra esculhambar o capetalismo com o petardo “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades”. Os também mineiros de Uberlândia da banda Zonta, que se chamam de camaradas, lançaram, na mesma data, seu álbum de estreia, “Revolução Sonora”. O projeto canaliza raivas, angústias e questionamentos sobre a realidade, com uma sonoridade marcada pela mistura de influências como rock, rap, vertentes do axé, baião, samba, salsa, frevo e elementos progressivos, além da presença pesada de percussão e da guitarra baiana. A banda explora diversos estilos e referências, trazendo tanto elementos do rock alternativo e do metal (Rage Against the Machine, Linkin Park, Turnstile, Nação Zumbi e Angra), como os batuques baianos do Olodum, Fantasmão, Timbalada e guitarras cantadas de Armandinho Macêdo, Dodô e Osmar, Roberto Barreto (BaianaSystem) e Moraes Moreira.
Essa mistura de Minas e Bahia é reforçada com a presença de André T, produtor de Salvador que assina este trabalho. Com toques de sarcasmo, a Zonta protesta contra o trabalho exploratório e o modo como se trabalha, desejando mudanças imediatas, com em “A cultura pertence à massa”, faixa que destaquei na playlist. A banda é formada por Higor Ernandes (guitarra baiana, guitarra), João Lucas Brandão (baixo), João Marcos Teixeira (bateria), Marcos Paulo Bonatti (percussão) e Valdivino Neto (vocal).
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