Baiana criada em Pernambuco lança seu quinto álbum, com direção e produção musical dela e de Rami Freitas
por Fabiano Moreira
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A baiana criada em Pernambuco BUHR, 51 anos, apresenta seu quinto álbum de estúdio, “Feixe de Fogo”, com elementos de rock, reggae, sintetizadores, guitarras, tambores orgânicos e eletrônicos, o primeiro com o novo nome artístico, adotado em 2025, em disco com direção e produção musical dela e do cearense Rami Freitas. “A caixa alta é porque gosto da grafia dele em caixa alta, fica mais um símbolo do que um nome, mais um nome do que um sobrenome, porque aqui, nesse caso, ele não é mais meu sobrenome, virou outra coisa. Sim, é uma questão de gênero, sou uma pessoa não binária”, me conta, nesse papo para a Sexta Sei. Sobre as tantas parcerias com grandes nomes, nas gravações e nas composições, ela fala do orgulho de trabalhar com Moon Kenzo, Russo Passapusso, Josyara e Negadeza, que lança EP “Herança Ancestral” nesta sexta, ao lado de Zuri Ribeiro, além de músicos do calibre de Arto Lindsay, Fernando Catatau, Edgard Scandurra, Rami Freitas e Dadi. “Ressalto sempre o amor porque essas pessoas todas não são só músicos incríveis que convidei, mas também pessoas que amo e admiro e isso é um ponto muito importante pra mim”, conta.
Moreira – Esse é o primeiro trabalho que você assina como BUHR, em caixa alta, nome artístico que passou a adotar no segundo semestre do ano passado, abandonando o Karina. Você não retirou o nome antigo dos trabalhos criados com ele. Quais foram os motivos que te levaram a essa decisão, há uma questão de gênero? E a caixa alta, aposto que é influência dos seus anos de Teatro Oficina. Todo mundo que passa pelo Oficina se rebela saudavelmente contra a grafia.
BUHR – BUHR, em caixa alta, é o nome artístico e Buhr, é meu nome, não mais Karina. A caixa alta é porque gosto da grafia dele em caixa alta, fica mais um símbolo do que um nome, mais um nome do que um sobrenome, porque aqui, nesse caso, ele não é mais meu sobrenome, virou outra coisa. Sim, é uma questão de gênero, sou uma pessoa não binária. Eu poderia continuar usando Karina sendo uma pessoa não binária, mas eu quis mudar por isso sim. Tenho muita influência dos anos de Teatro Oficina, mas essa não é uma delas. Não troquei o nome dos trabalhos antigos pra respeitá-los e também minha história. Eles foram feitos daquela forma e isso não pode mudar. Eu existi por 51 anos como Karina Buhr e isso não se apaga. Essa é a minha história, minha experiência, a maneira como lido com isso, essas coisas variam muito de pessoa pra pessoa.
Moreira – Você começou na música em 1992, como baiana do maracatu e batuqueira, tocou com DJ Dolores, Orchestra Santa Massa e fez parte das bandas Eddie, Comadre Fulozinha, Bonsucesso Samba Clube, Véio Magaba e suas Pastoras endiabradas, Zabumba Velha do Badalo, do bloco Angáàtãnamú e do afoxé Ylê de Egbá. Essa influência do reggae e do dub já aparecia em “Eu menti para você” (2010), mas agora vem mais forte? No álbum, temos as belas “Voaria” e “Vale Brinde”. O Brasil tem toda uma tradição de reggae, né, especialmente no Maranhão, ande já criaram até o breggae, com a vizinhança paraense.
BUHR – Fui baiana do maracatu Piaba de Ouro, de mestre Salustiano, que é um maracatu de baque solto e fui batuqueira do Estrela Brilhante do Recife, que é um maracatu de baque virado, regida por mestre Walter França. Sobre o reggae, é uma presença forte na minha vida e isso transparece também na música que faço com elementos desse universo e, nesse disco, em “Voaria” e “Vale Brinde”.
Moreira – Eu, que não fumo mais, amei “70 Cigarros”, com Moon Kenzo, do R&B e do Vaporwave, artista que tenho gostado de acompanhar, com sua intensa carga dramática e emoção, além de potência vocal, desde que o algoritmo me sugeriu “Amarga”, que resenhei aqui. Como foi este encontro? O disco também traz participações de Russo Passapusso, Josyara e Negadeza, como foram estas trocas? Também passo mal com o baiano Maestro Ubiratan Marques, que toca sintetizadores e assina arranjos de metais em “Voaria”.
BUHR – Conheci Moon Kenzo em Sobral, quando estava por lá trabalhando com a banda Procurando Kalu, que é uma equipe com quem criei laços muito fortes. Rami Freitas, que assina a produção musical do disco comigo e também toca bateria na minha banda, é da Procurando Kalu e também a baixista que toca no disco e vai fazer o show novo, Izma Xavier. Susannah Quetzal, que vai fazer o synth do show novo, e também está no disco, é de Sobral, inclusive gravamos algumas coisas no estúdio dela.
Moreira – Você segue tendo o tambor como instrumento principal para composição, ao lado da voz. Uma característica do seu trabalho é a métrica não convencional, fincada na oralidade. O que te inspira na criação dessas métricas para falar de dores e conflitos das cidades?
BUHR – As dores e conflitos das cidades são uma constante na minha mira. Gosto e sempre gostei de andar nas ruas, de sentir a cidade viva, de ver gente na rua. O carnaval é a minha maior escola não só de percussão, de vida mesmo. Isso aparece forte nas minhas letras e também na minha forma de compor.
Moreira – Você reuniu um time de feras, como Arto Lindsay, Fernando Catatau, Edgard Scandurra, Rami Freitas e Dadi, entre tantas participações. Como esses nomes foram entrando no projeto e como foram as gravações, fragmentadas por Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro?
BUHR – Pois é, tenho um time lindo comigo nesse disco, passaria, e passarei horas, meses, anos falando de todo mundo. Esses, especificamente que você citou, leio com muita alegria o nome de cada um. Dadi é uma estrela bonita dos discos da minha vida, digo dos discos que mais escutei e escuto, é muito bom essa ideia de poder ter mandado uma mensagem “Dadi, topa participar do meu disco?” e ouvir um sim maravilhoso em um áudio falando que o coração dele também é um Motor de Agonia, como na música que ele tocou comigo. Arto Lindsay admiro desde outros tempos e outras vidas, personagem fundamental também na música que escuto e escutamos e às vezes me pego pensando, poxa, que bom que eu tive coragem de convidar ele naquele dia. Rami é peça fundamental nisso tudo, sem ele esse disco não existiria, a forma como conduz uma produção musical, o jeito de tocar bateria, de arranjar as camadas todas, é tudo muito especial. Catatau e Edgard são parceiros de longa data e amigos amados. Ressalto sempre o amor porque essas pessoas todas não são só músicos incríveis que convidei, mas também pessoas que amo e admiro e isso é um ponto muito importante pra mim.
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Ando completamente obcecado com o rock cheio de distorções e sintetizadores de “A balada do bicho de luz”, quinto trabalho de estúdio do cantor, compositor e instrumentista mineiro Juliano Gauche. Tanto que a playlist de clipes de 27 de março começa com “Como o vulcão que forja o anel que dá o poder de toda luz”, que é “quentchy🔥”, e termina com “De manhã, bem cedo”, algumas das canções que ando torando no play há duas semanas. Os temas passeiam por conflitos e contradições humanas, numa linguagem simples e direta. A sonoridade do disco traz à tona um pouco da psicodelia, do pós punk, do grunge, do stoner rock, do folk e do rock and roll. O volume tem participações de Fernando Catatau, Julia Valiengo e Tatá Aeroplano e já está na minha lista de queridinhos do ano. A produção disco é dividida entre o próprio Gauche, e o baixista, tecladista e arranjador, Klaus Sena, que também assina a mixagem e a direção do show. Para as gravações, o baterista Victor Bluhm, assumiu as baquetas, assim como no anterior, “Tenho Acordado Dentro dos Sonhos”. Cantor, compositor e músico brasileiro, ele nasceu em Mantena (MG), e cresceu em Ecoporanga (ES). Quentchy 🔥.
Tem clima místico, esotérico e bruxo o clipe de “Mosteiro do Abismo”, do cantor e compositor Leandro Serizo, de Campinas (SP). O filme foi ambientado em uma construção abandonada do século XIX, lá mesmo, com direção de Stephanie Rios, guiada pelo cinema ritualístico de Alejandro Jodorowsky e Sergei Parajanov, explorando o processo de transformação aos quais os protagonistas se submetem e são submetidos. A faixa é o primeiro single do álbum “Sol Quimérico”, em produção, e parte de reflexões do artista sobre os tensionamentos existentes entre desejo, desorientação e projeção. A estética, híbrida, mescla o rock progressivo e a MPB contemporânea, além da psicodelia. “A canção representa, portanto, essa tensão entre lucidez e delírio, controle e colapso. Gosto da ideia de que as danças à beira do abismo são parte do caminho”, analisa o artista. A sonoridade explora texturas que evocam o som de bandas como Radiohead e Dead Can Dance. A faixa foi produzida por Serizo, ao lado de Quico Dramma e Granadeiro Guimarães. No enredo do clipe, o personagem Cairo atravessa um processo de deslocamento e reconstrução interior. Em seu caminho, surgem duas figuras femininas, que funcionam como forças transformadoras dentro dessa jornada, a anciã Ikki e a Dama da Lua.
Paraense que cresceu na Guiana Francesa e, hoje, vive em Paris, Drey Karper lançou o single “Sol”, depois de enfrentar os longos e desafiadores invernos europeus, que se tornaram uma lição de resiliência e autoconhecimento. “É uma música sobre continuar a brilhar mesmo quando tudo parece escuro. A faixa celebra a luz interior, o amor-próprio e a capacidade de encontrar alegria nos pequenos momentos, mesmo em tempos difíceis”, conta, sobre a canção que passou aqui nas duas últimas playlists. A faixa combina grooves quentes, influências de soul e R&B , criando um contraste entre a frieza do inverno e a energia do sol, refletindo a narrativa pessoal de Drey. Desde 2018, ele vem explorando sua musicalidade, escrevendo em inglês, francês e português. Entre suas maiores inspirações, estão Doechii, Celo Sol, Marina Sena e Destin Conrad.
O clipe foi filmado na ilha caribenha da Martinica e mostra Drey aproveitando um dia com seus amigos. As cenas refletem como a luz e a alegria podem ser encontradas nos momentos simples, tanto na comunhão com os outros quanto na conexão individual com a natureza. Essa energia é exatamente o que Drey celebra na letra, quando diz “eu tenho o amigo e o mel”, simbolizando amizade, doçura da vida e presença no agora.
O agendão das maravilhas segue nos destaques do meu Instagram, separado por cidades, e em thread infinita no X.
Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta, com álbuns de Luisa Sonza, Silva, Vhoor, Jader, Emanuelle Araújo, Supercombo, Flay Ferro, Jessie Ware, deluxe da Ebony, volume de remixes de Cyberkills, deluxe de Laufey.
Todas as playlists de 2025, 2024, 2023, 2022, 2021 e 2020 nos links
Para melhores resultados, assista na smart TV à playlist de clipes com Haute & Freddy, PNAU + The Warning, Luisa Sonza, Kelela, Kelsey Lu, The Hives, Lello Bezerra, Alewya, Mahmundi + Maria Isabel Iorio, Juliana Linhares, Clementaum, Lexa e DJ Matt D, Gorgon City & TAET, Kabaka Pyramid, OneRepublic, Flerte Flamingo, Bullet Bane, Ana Gabriela + Cupertino, Sabrina Carpenter, Momo Boyd, Charlie Puth, Jagwar Twin + Lucius, BTS, M.I.A., Bebe Rehxa, Qveen Herby, Marina Mole, Bastille, Pryanka e Haute & Freddy
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