Sexta Sei: O trio curitibano Tuyo: a parte boa sem a parte ruim

Depois de apresentação no festival SXSW elogiada no The New York Times, grupo lança segundo disco, o bom “Chegamos sozinhos em casa”

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Foto: Juh Almeida

Já falei aqui na coluna do meu processo de encantamento com o trio curitibano Tuyo, que começou com “O sonho da Lay”, feat com o Luccas Carlos, e o show no  festival brasiliense Porão Rock. No final de maio, Lio, 34 anos, Lay Soares, 27, e Machado, 29, lançaram o segundo álbum, “Chegamos sozinhos em casa”, pela Natura Musical, a primeira parte de uma trilogia. O disco teve clipe gravado no festival SXSW,  e a apresentação rendeu elogios no New York Times. Não é por menos, o Tuyo é o melhor que está tendo na música nacional hoje. É só assistir à live recente de lançamento do disco, no Sesc em Casa, para comprovar e ser tocado pela boa onda.

A capa de “Chegamos sozinhos em casa”

Bati um papo com eles, por e-mail, no qual falamos na parceria com o Luccas Carlos, que tanto me marcou (é a melhor música do disco), e o quanto ele contribuiu com genialidade e leveza. Também conversamos sobre sair no The New York Times e o disco novo, que fala sobre os processos de “adultecer” e segue os bons “Pra Doer”, EP de 2017, e “Pra Curar”, o disco de 2018. A segunda parte de “Chegamos sozinhos em casa” está prevista para sair ainda esse ano. A primeira parte teve direção musical de Janluska e Tuyo e produção de Lucas Silveira, Janluska, jvck e Bruno Giorgi. Demorou, mas rolou.

“Sonho da Lay”, o feat com o Luccas Carlos que foi a minha porta de entrada no mundo Tuyo

Moreira – Como foi a parceria com Luccas Carlos em “Sonho da Lay”? A canção parece uma virada de chave na carreira de vocês. Foi por meio dela que os conheci, a coluna estava no começo e faixa esteve em uma das primeiras playlists.

Tuyo – Colaborar com o Luccas Carlos foi muito bonito, principalmente, por conta da contribuição dele na letra, além da voz. Há tempos, flertávamos com ele, pela web, então, quando começamos a contornar “Sonho da Lay”,  vimos uma oportunidade de convidá-lo para contribuir nessa tradução da densidade que trazemos. A genialidade e a leveza do Luccas ao falar sobre o que quer que seja era o que buscávamos ao apresentar o segundo single do nosso disco, lá em outubro de 2020.

Moreira – Li que vocês não estão mais morando juntos, continuam em Curitiba? Como é o processo de criação de vocês, agora separados, como foi o processo nesse disco? Vi que foi produzido a oito mãos, como foram as parcerias e as participações? Como chegaram a esse “time”?

Tuyo – Agora estamos Lay e Jean em Curitiba e Lio em São Paulo, cada um em seu cantinho. Antes, nós morávamos juntos e compunhamos separados, agora, passamos a explorar o potencial criativo de cada um em um espaço comum. Foi um processo muito singular e imersivo à voz de cada um, mas em coletivo. Poder produzir ao lado de Lucas Silveira, Janluska, jvck e Bruno Giorgi foi uma catarse. Os nomes iam surgindo conforme as músicas tomavam forma.

 Tuyo no SXSW por Jorge Moura

Lio e Lay participaram da quinta temporada do The Voice, como foi a experiência? Qual a formação musical de vocês três, parece algo bem aprofundado, pelas instrumentações. 

Tuyo – Foi bem legal! Esse momento da nossa vida foi bem divertido, comemos pra caramba e ainda conseguimos falar um pouquinho da Tuyo aqui e ali durante o programa porque, desde o início, o plano era conseguir dialogar com mais pessoas e expandir o alcance da Tuyo. A gente se relaciona com a música desde pequenos, consumindo bandas e artistas, e todos nós fomos criados em lares muito musicais, isso foi crescendo e expandindo ainda mais quando a gente começou a ter acesso à internet. Aos poucos, a gente começou a usar essas ferramentas a nosso favor, vendo tutoriais de produção, de violão e descobrindo novos artistas, novos discos. Acho que isso fundou e solidificou muito do que sabemos sobre esse mundo da música e sobre como isso reverbera em nós atualmente.

Performance de “Sem Mentir” para o SXSW 2021 

Moreira – Como vocês receberam a repercussão que a participação de vocês no SXSW 2021, com a performance de “Sem Mentir”, teve no The New York Times?

Tuyo – Um misto de êxtase, euforia e tremedeira em ver nossa voz chegando tão longe pra pessoas. Já havíamos experienciado vivências internacionais por meio da música, mas foi diferente ver nosso show, de um trabalho que ainda nem estava inteiramente lançado – o disco só chegou em maio e na época só tinha saído “Sem Mentir” e “Sonho da Lay” -, sendo reconhecido por um veículo desse tamanho. Foi bizarro e gostoso acompanhar nosso som transbordando os limites territoriais e linguísticos e hoje a gente se agarra esperançoso na possibilidade de ver isso acontecendo fora desse contexto de pandemia.

Abaixa que é tiro!💥🔫

Ibitipoca não para e, depois da mostra de cinema e do i-Bit Mapping, chegou a vez do Festival de Forró de Ibitipoca, que apresenta edição online, de hoje a domingo (20), de grátis, no YouTube. O festival tem curadoria  e direção artística do casal 20 da música instrumental local, Nara Pinheiro e Marcio Guelber, e contempla, além do forró, o xote, o baião, o calango, o arrasta-pé, o coco e o choro, em 15 atrações, com mais de 40h de conteúdo de qualidade.

Cambará Foto: Natalia Elmor
Henrique Albino Estúdio Fábrica
Filpo e a Feira
Trio Mana Flor Foto: Tarita de Souza
Vitor Gonçalves Foto: Cristina Zuppa
Os Fulano Foto: Ana Moraes

Todos os dias começam às 17h com oficinas e instante poético, no qual a artista Vitória Rodrigues recita literatura de cordel. A primeira atração de cada dia, às 18h, apresenta concerto sanfônico, um recital solo explorando diferentes caminhos e possibilidades da sanfona, chique.

No line up, Felipe Costa (18h), Trio Mana Flor (19h) e Na base da chinela (20h), hoje (18), Karol Maciel (18h), Cambará (19h) e Os Fulano (20h), no sábado (19) e Vitor Gonçalves (18h), Forró de Pontuada (19h) e Filpo e a Feira (20h), no domingo (20). O evento foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc.

Fotos Isabella Campos

OCrioulo, conhecido na cena local como DJ da festa e do coletivo que a gente ama Makoomba, lança hoje o seu primeiro EP, “SantoForte”, com sete faixas autorais, produzidas durante o período sem festas da quarentena. O trabalho mistura funk, afrobeat e reggaeton e é “um grito de saudade, vontade e desejo“. “Eu nunca quis tanto ir ao bar, numa festinha, ficar com aquela pessoa”, conta o artista. Ele lançou, na semana passada, clipe para “Não vou mais parar”. O nome do EP está tatuado no abdome.

Capa do EP “Santo Forte”, autorretrato clicado pelo artista

Marcos Suzano e Imbapê
Roda de Samba (Roger Resende)
Roda de Samba (Alessandra Crispin)
Pedro Luís e Alice Santiago

Fotos: Natalia Elmor

O Eco Subterrâneo é um festival de encontros criativos com lançamentos de singles, clipes, shows, roda de samba, roda de conversa e um mini documentário, realizado por Oandardebaixo e Sensorial. A transmissão é pelas mídias sociais de ambas as casas, sempre às 18h. Hoje e amanhã (18), tem lançamento do single e do clipe “Glorinha”, de Imbapê e Marcos Suzano (wow), que fazem pocket show no domingo, imperdível.

Na próxima semana, a luta continua, e tem roda de samba do meu amigo Roger Resende com participação mais do que especial de Alessandra Crispin, na quinta (24). Alice Santiago, de Tatá Chama e as Inflamáveis, lança single e clipe de “O Que Não Tem Nome”, em parceria com Pedro Luís, nos dias 25 e 26, com pocket show no domingo (27). No dia 28, o festival chega ao fim com o documentário “Festival Eco Subterrâneo”.

Casuarina no Circo Voador no Ar
Fafá de Belém e Mariana Belém em live de São João

O nosso festival de cinema Primeiro Plano acontece entre os dias 22 e 27 de junho, totalmente on-line. Iniciativa do grupo de cinéfilos Luzes da Cidade, o evento será realizado com recursos da Lei Aldir Blanc. Curtas e longas serão exibidos pela plataforma de streaming InnSaei.TV. O evento terá painéis com nomes como Sandra Kogut, Rosane Svartman, Jeferson De, Pablo Giorgelli, Alice Marconi e Anna Muylaerte. A lista de filmes pode ser conferida no site primeiroplano.art.br.

A CineOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto) chega à 16ª edição e acontece entre os dias 23 e 28 de junho, exibindo 118 filmes de quatro países e 14 estados brasileiros. Os títulos da programação dialogam com a memória, o afeto e os resgates do passado para refletir sobre o presente do Brasil. A mostra presta homenagem,  este ano, ao ator Chico Diaz, Toda a programação é gratuita e online e poderá ser vista no site www.cineop.com.br.

Nesta sexta, tem Tulipa Ruiz e Pipoco das Galáxias, às 19h, no Sesc em Casa. Sexta é dia de Circo Voador no ar, às 22h, a comemoração dos 13 anos de Casuarina, exibindo show de em novembro de 2014.

Neste sábado (19), das 19h às 21h, o DJ juizforano Jota Januzzi, o nosso Jota Jota, faz a terceira edição do programa “Dreamscapes”  na Function.fm, com transmissão em vídeo, pelo YouTube, e streaming, no Soundcloud, com participação de DJ Bright Clouds. Também no sábado, às 19h, tem live com Rashid, e às 23h, com Filipe Catto.

Neste sábado (19), às 20h, tem live junina do Arraiá do Safadão, com Wesley recebendo Alceu Valença e Juliette. No dia 23, Juliette está na live de Elba Ramalho, às 21h30.

Ainda no sábado (19), Zélia Duncan apresenta, às 21h, o show inédito do bom álbum “Pelespírito”.

O projeto Afetos, da Casa Natura Musical, segue com os bate-papos do mês do orgulho LGBTQIA+. No dia 24, às 19h, é a vez de Alan Costa, do coletivo negro Afrobapho, e Ana Giselle, A TRANSÄLIEN, do coletivo Marsha!, para um bate-papo sobre a potência dos movimentos negro “em quilombos urbanos e digitais de resistência”.

Logo depois, na quinta (24), às 20h, a cantora Fafá de Belém faz live de São João, com participação da filha Mariana Belém.

A Orquestra Ouro Preto, patrimônio imaterial mineiro, apresenta concerto com a música de Duke Ellington, às 20h30 deste sábado (19), no YouTube, com a mistura requintada do piano e dos trompetes do jazz com os acordes de violinos e violoncelos. O concerto, regido pelo Maestro Rodrigo Toffolo, vai transportar o público para o clima intimista do jazz. 

A contribuição de Duke para a música foi ter combinado jazz, blues e o som das grandes orquestras de swing, o estilo chamado jungle, com arranjos minimalistas e a presença forte do trompete. No concerto, estarão sucessos como “Take the ‘A’ train”, “In a sentimental mood” e “Sophisticated Lady”. A apresentação traz como convidado especial o pianista Cristian Budu.

O Women’s Music Event (WME), plataforma dedicada às mulheres da indústria da música criada por Claudia Assef e Monique Dardenne, faz a sua quinta conferência anual de hoje a domingo (20), comemorando 5 anos de história.

Jadsa
Fernanda Abreu
Ana Cañas

O evento tem uma programação de shows gratuitos, com Katú Mirim (18h30) e Tuyo (20h30), hoje (18), Jadsa (18h30), Ana Canãs cantando Belchior (20h30) e o coletivo de DJs Uhmanas, com TataOgan, Carlu, Nahraujo, Luísa Viscardi e Mari Rossi (22h), no sábado, e DJ Tamy Reis (18h50) e Fernanda Abreu (20h), no domingo. Os shows de sexta são aqui, e os de sábado e domingo, aqui. As DJs tocam no Twitch.    

O WME também abriga painéis, oficinas, masterclasses, pitch de bandas se apresentando para curadores de festivais (wow) e rodada de negócios, com 135 mulheres na programação e transmissão on-line, com ingressos a R$ 70 aqui. Recomendo uma olhada no site, é muita informação, tem painel do projeto Hervolution, de mulheres no funk, da Kondzilla, e Sarah Oliveira entrevistando Duda Beat, dentre outras maravilhas.

@catenzaro
@lukafarias
@howfenns
@ronaldofcordeiro
@raffaus
@tatuagemexperimental
@gabrielatornai_

Amanhã, 19 de junho, vai ser maior, vai ser Fora Bolsonaro, que a gente está cansado demais e queremos viver. O pessoal da página Design Ativista disponibilizou artes aqui para a gente imprimir e ir à luta, que tem um sonho não dança.

Playlist com as novidades musicais da semana. Nesse post, tem todas as playlists do ano.  Aqui tem as playlists de 2020.


Playlist de videoclipes com Kdu dos Anjos, Jon Batiste, Alok + Glimmer, Calvin Harris, Giulia Be, Illy + Lucas Félix, ETC, Baby, Gali Galô, Os Amantes, Grag Queen, Years & Years, Garbage, Rincon Sapiência, Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante, NoPorn, Adriana Calcanhoto, Jake Shears

Sexta Sei, por Fabiano Moreira

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