Sexta Sei: Terno Rei quer te lembrar dos dias da juventude 😊

Quarto disco da banda paulistana fala de amizade e nostalgia e chega pela Balaclava Records com pé na estrada em dez shows

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Todas as fotos de Fernando Mendes

A pandemia acabou criando a ambientação perfeita para a criação e gravação de “Gêmeos”, o quarto disco de estúdio da banda paulistana Terno Rei, que chegou ao streaming, essa semana, pelo incensado selo Balaclava Records, reduto da inteligência na nova música brasileira. O disco mantém coisas que funcionaram antes, como “as camas e temas de synth, a pegada leve de batera, guitarra limpa e a melancolia”, com novos elementos, como guitarra distorcida e arranjos de trio de cordas e sopro, como me contou Ale Sater, por e-mail.

No bate-papo, falamos do processo de criação do disco, em três encontros de Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Maya (guitarra) e Luis Cardoso (bateria) no sítio em Araçoiaba da Serra-SP (Estúdio Sítio Romã), o que acabou sendo possível pela falta de uma rotina de shows na pandemia, quando os caras ouviram muito Radiohead, Alanis Morrisette, Cardigans, Garbage e Deftones. Há um mês ensaiando pra turnê de dez shows que passa por Lollapalooza Brasil (São Paulo, dia 26), Circo Voador (Rio, 7/5), Opinião (Porto Alegre, 9/7) e Festival Mada (23/9), eles prometem mesclar diferentes fases da banda. Deu bem vontade.

Capa de “Gêmeos” por @felipearaujodsgn

Moreira – “Aviões”, o último single antes do lançamento, fala justamente do período de isolamento dos últimos dois anos, em versos como “no ano mais triste de nossas vidas” ou “passaram-se os meses e tantas fitas”. Como foi essa longa quarentena para vocês? Como vocês fizeram para se encontrar e produzir o disco nesse período? Como o Covid e a quarentena impactaram esse disco?

Ale Sater – Foi um período bem difícil – ficar distante da família, dos amigos e ter aquela incerteza em relação ao futuro foi bem duro e bem foda ;(. Para produzir o disco, a gente se encontrou em agosto de 2020 para trabalhar em algumas novas composições e fazer outras. Fomos para um sítio em Araçoiaba da Serra-SP (Estúdio Sítio Romã) umas três vezes para compor e produzir o disco. Foi um processo bem árduo e demorado, mas muito gostoso de se fazer. No fundo, a Covid, de certa forma, adiantou o processo de gravação. Tipo, se não tivesse tido a pandemia ficaríamos pelo menos mais um ano em tour sem o tempo legal para fazer um novo disco…. Para além do início do processo, a pandemia acabou nos tornando um pouco mais nostálgicos… Por isso, o disco acaba falando muito de amizade, sobre o passado..

“Difícil”

Moreira – “Difícil” é mais incisiva e “Dias da Juventude” traz guitarras noventistas. O release promete um disco com uma variedade de estilos, por quais praias navega a Terno Rei no álbum?

Ale Sater – Como é o nosso quarto álbum, a gente acabou abrindo mais a estética e a sonoridade em relação a trabalhos anteriores. Tem um lado do nosso DNA que é preservado, como por exemplo, as camas e temas de synth, a pegada leve de batera, guitarra limpa e a melancolia – mas também coisas que a gente experimentou, coisas novas como guitarra distorcida, trazer um trio de cordas para arranjos e até largar alguns arranjos de sopro na música. Então acaba sendo um disco um pouco mais plural, com mais de uma estética e com mais de um mood.

Moreira – O disco já sai com uma agenda quente de dez shows marcados, quais são as expectativas dessa volta aos palcos, do reencontro com os fãs? O que o público pode esperar de “Gêmeos” ao vivo? Já estão ensaiando?

Ale Sater – A expectativa tá demais, tamo muito ansioso para mostrar o novo show pro público, e esse novo disco vai possibilitar mesclar diferentes fases da banda, o que é muito legal. A gente começou a ensaiar nesse mês… Tá dando um trabalho bom, é uma bucha, mas já dá para adiantar que vai vir muito forte.

Moreira – O que andam ouvindo cada um dos integrantes, quais são as influências de vocês?

Ale Sater – No período de pandemia, quando o “Gêmeos” foi composto, a gente ouviu bastante coisa dos 1995-2005 tipo Pablo Honey, do Radiohead, Alanis Morrisette, Cardigans, Garbage, Deftones. Agora, acho que uma banda nova que todos têm ouvido é a Camp Code. Também vale a pena escutar o novo álbum da Jennifer Souza – “Pacífica Pedra Branca”. Muito lindo.

“Dias de Juventude”

Moreira – Vocês são muito jovens mas já falam de nostalgia em “Dias de Juventude”. Essa pandemia envelheceu demais a gente? O clipe retrata uma última noite de diversão de um jovem que está prestes a se mudar, entrando em uma nova fase da vida. A Terno Rei está em nova fase?

Ale Sater – Hahahaha a pandemia com certeza envelheceu a gente. Mas a nostalgia é uma coisa que a gente gosta muito e sempre traz de novo nas músicas. Sobre o clipe ,é exatamente isso, tenta retratar aquela sensação da “última noite na cidade” e não tinha pensado nesse paralelo, mas puxa, pode ser viu. Estamos nessa fase de mudanças sim!

Abaixa que é tiro!💥🔫

Fiquei encantado com o trabalho surrealista e repleto de cores quentes da artista visual e designer de moda Marina Luísa Almeida, mulher trans e nordestina de 30 anos que mora em Caxias do Sul (RS). Com dez anos de experiência, ela desenvolve diversas séries e estudos. Atualmente, suas produções são baseadas na vivência marginalizada das travestis. “Comecei minha transição cedo, trabalhei nas ruas, morei em pensionatos, conheci e vivi de tudo“, me conta, por e-mail. Situações do cotidiano, o dialeto pajubá, memórias, transição, silicone industrial e outros temas são vistos com dor, perturbação e humor. “As pessoas não enxergam a travestilidade e a transexualidade como poesia, ainda têm medo e subestimam a gente”, desabafa.

Surpreendente, irônica, poética e repleta de boas imagens a mostra “Veadinho”, do artista plástico Gabriel Faria, 24 anos, em cartaz até o dia 17 de março na Galeria Ruth de Souza, do Teatro Paschoal Carlos Magno. São 12 obras de diferentes técnicas e materiais, como xilogravura, gravura em metal, colagem, óleo sobre tela e escultura. que discutem, de forma metafórica, as vivências de um corpo LGBTQIA +. Sobrou até pro “Tiradentes Esquartejado”, peça icônica do acervo do Museu Mariano Procópio, de Pedro Américo, que foi parodiado.

Gabriel mora na Zona Norte de Juiz de Fora e é formado em Artes e Design pela UFJF. “Conto memórias que me marcaram na infância. Tinha pavor de ser associado à palavra ‘viado’. E isso tem reflexos até hoje. Questionei o motivo dessa aversão, porque veado é um animal tão belo. Então, decidi fazer um exercício de desconstrução”, conta, seguindo os passos de Edu Castelo na festa carioca V de Viadão

O Teatro Paschoal Carlos Magno fica na Rua Gilberto de Alencar 888, no Centro. A visitação é das 8h às 20h.

Mario de Andrade na estreia do Clube de Leitura CCBB 2022
A exposição _Tupi, or not tupi_ na Casa de Arte Venturi
Marina Sena na semana especial mulheres do Papo de Música
Mano Brown e a volta do podcast _Mano a Mano_ Foto_ Pedro Dimitrow

Vai até o dia 19 a exposição “Tupi, or not tupi”, sobre o centenário da semana de 22, na Casa de Arte Venturi, no Fábrica, com obras de Fernanda Cruzik, Frederico Merji, Ricardo Cristofaro, Cipriano, Sérgio Sabo, Nickolas Garcia, Ramon Brandão, Valéria Faria e Adauto Venturi. As visitas devem ser agendadas pelo (32) 99907-7669.

Na próxima quarta (16), o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Rio coloca no ar, no YouTube, o vídeo da primeira edição do Clube de Leitura CCBB 2022. Esse encontro inaugural foi sobre “Macunaíma”, clássico de Mário de Andrade, com o biógrafo Eduardo Jardim e participação especial da jornalista e escritora Josélia Aguiar. A curadoria e a mediação são da poeta, ensaísta, escritora e professora Suzana Vargas. Ao todo, serão dez encontros mensais, até dezembro, com 1h30 de duração. Os livros serão escolhidos por enquetes no Twitter.

O Papo de Música passou a semana celebrando as mulheres profissionais da música. Hoje (11), às 18h, tem entrevista com a cantora Marina Sena, seguido de show com a rapper gaúcha Cristal, às 19h. No sábado (12), ao meio dia, rola um encontro inédito e exclusivo entre as cantoras Céu e Alaíde Costa. Pra encerrar, pocket show da rapper paraibana Luana Flores, às 13h30.

A segunda temporada do podcast “Mano a Mano”, com  Mano Brown, estreia dia 24 de março, com 16 episódios inéditos. O podcast foi o segundo mais escutado no Spotify no Brasil, e o episódio com Luiz Inácio Lula da Silva foi o mais escutado do ano em 2021.

A Sala da Casa atualizou o acervo em exposição e está exibindo a videoarte  “Jano” (2015) e o livro “Preparação para o amor”, da artista argentina Leticia Obeid. Além disso, é possível ver a obra “Ode Marítima”, da artista juizforana Fernanda Cruzick, e uma seleção de livros e publicações de artistas mulheres, como Regina Melim, Daniela Avelar, Mabe Bethônico, Marilá Dardot, Santarosa Barreto, Sandra Gamarra, Jéssica Felippino, entre outras. Tudo com curadoria de Mariana Bretas.

O lambe-lambe da artista juiz-forana Jéssica Filippino, em foto de Mariana Bretas

A Sala da Casa fica na Rua Oswaldo Aranha 163, São Mateus, na Casa da Esquina, e fica aberta de quarta a sexta, das 15h às 19h. Essa programação fica em cartaz até 1º de abril.

Aqno
Oreia

Chega hoje (11) às plataformas digitais remix para “Desagloremô”, a música de trabalho do disco de estreia do tocantinense Aqno, o bom “O retorno de Saturno“. O remix é assinado pelo produtor do disco, Sandoval Filho, e foi feito para encerrar o show do artista no Psica Festival, em Belém. “Queríamos trazer ela de outra forma pro show, que fosse mais pra cima, pra galera pirar mais. Foi a música que terminou o show e funcionou muito bem”, me conta Aqno, pelo whatsapp. “Estávamos ouvindo algumas sonoridades baianas, bregadeira, arrocha, pagodão baiano, que flertam bastante com o brega paraense no swing das guitarradas, daí veio a brincadeira de fazer um remix com essa pegada“, resume.

Outro lançamento pra ficar de olho: “Pepinas” marca a volta de Oreia, no dia 15, com produção de Faew e videoclipe dirigido por Danilo Teles.

​​Playlist com as novidades musicais da semana. Nesse post, tem todas as playlists do ano. Ainda tem as playlists de 2021 e 2020.


Playlist de clipes com Swedish House Mafia + Sting, Sofi Tukker + Mahmut Orhan, Cannons, Stromae, Florence + The Machine, Red Hot Chilli Peppers, PIXIES, Camilla Cabello + Ed Sheeran, Diplo + Miguel, Machine Gun Kelly + Lil Wayne, Camilo Solano, Marisa Monte + Seu Jorge  + Flor, Orville Peck, Di Ferrero + Clarissa, Avril Lavigne + blackbear, Dharia + Faul & Wad, Milky Chance, CorujaBC1 e Bonde das Maravilhas.


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