Sexta Sei: Vannick Belchior celebra 80 anos de Belchior com álbum de estreia com lado B que reverencia a lírica de seu pai, o êxodo nordestino para o Sudeste

Com participações especiais de Renato Teixeira, contemporâneo e parceiro de Belchior, e Don L, cuja linguagem renova a poética do mestre com a contemporaneidade do rap

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Vannick Belchior por Elena Hilário

A cantora cearense Vannick Belchior, 29 anos, conviveu com o pai, o gênio da raça Belchior, ainda muito nova, até os dez anos de idade, tempo suficiente para ele aprovar o seu canto, que acabou virando o seu ofício, alguns anos atrás, quando abandonou a advocacia pelos palcos. Nesta sexta, ela torna público a primeira parte de seu álbum de estreia, em homenagem à obra do pai, Meu nome é Cem – Parte 1”, com seis faixas que privilegiam o lado B, menos conhecido, do poeta dos retirantes nordestinos e de sua saga migratória para o Sudeste do país. A primeira música que ela cantou para o pai foi “Medo de avião”. “Não é uma música que tem tamanha filosofia para uma criança interpretar, então essa foi a primeira a primeira música que eu aprendi e eu tenho memórias de estar cantando com ele nesses bastidores dos shows. Acho que era o que deixava ele mais emocionado, mais feliz, né? Tenho essa memória dele emocionado comigo cantando ela, isso é uma memória muito latente”, me conta, em papo pelo WhatsApp. Para o álbum, ela decidiu unir passado e presente convidando o santista Renato Teixeira, que foi parceiro de Belchior, e Don L, que já havia mostrado reverência á obra e traz a contemporaneidade de sua forma de composição ao álbum. Ela também me contou sobre a temática do deslocamento, do êxodo nordestino para o Sudeste, como tema central da obra do pai. “Eu acho que ele fala sobre um deslocamento, um êxodo do nordeste para as grandes metrópoles e as grandes megalópoles. É muito disso que eu trato no meu disco. Eu trato no meu disco literalmente dessa saída, esse êxodo do Nordeste para as grandes megalópoles do Brasil. Por exemplo, eu canto isso em “Notícia de terra civilizada”, “Monólogo das grandezas do Brasil”, que são essas músicas lado B, que eu acho que é muito importante também numa homenagem que celebra a data que seria 80 anos de Belchior”, finaliza, nesse papo para a #SextaSei.

A capa de "Meu nome é Cem Parte 1", de Vannick Belchior, arte Assis Raoni

Moreira – Você conviveu com seu pai, em casa, até os dez anos de idade. Vocês costumavam cantar juntos? Sua voz tem notável semelhança com a dele. O que você se lembra dessa convivência familiar? O Belchior em casa era diferente do Belchior dos palcos? Depois que ele percebeu que você tinha talento para o canto, você costumava o acompanhar em shows, quais as lembranças que ficaram destes momentos com ele?

Vannick Belchior – Isso! Eu tive uma convivência mais de criança com o meu pai, já que eu sou a filha caçula. Então, assim, o meu pai era um cara que amava ler, a cabeça dele sempre tava funcionando, sempre tava a mil, né? Então ele sempre tava lendo, sempre tava compondo. E eu acho que ter convivido com o meu pai, ter convivido com os palcos, ter compartilhado esse sonho de me tornar uma cantora com ele me preparou muito, né? Eu acho que que ele já me levava para os palcos como uma forma de investir em mim, realmente, né, como uma forma de investir em mim, de ver o meu canto. Eu lembro uma vez que a gente tava no camarim de um show,e eu cantei “Medo de avião” para ele, que foi a primeira música que eu aprendi do meu pai. Foi com ela que eu entendi que o meu pai era cantor, que eu entendi que o meu pai tocava na rádio, aparecia na televisão, né, afinal eu era muito criança. Essa música, ela mexe mais com o lúdico da gente, não é uma música, se comparada com as profundezas das outras músicas de Belchior, ela é uma música mais tranquila do que é dito, de uma música mais leve, né? Não é uma música que tem tamanha filosofia para uma criança interpretar, então essa foi a primeira a primeira música que eu aprendi e eu tenho memórias de estar cantando com ele nesses bastidores dos shows. Acho que era o que deixava ele mais emocionado, mais feliz, né? Tenho essa memória dele emocionado comigo cantando ela, isso é uma memória muito latente. E acho que ele era a mesma pessoa no palco, logicamente, num momento de performance, num momento de visceralidade, mas ele era era sempre um um artista muito humano e que trazia uma simplicidade muito grande no coração e para com o seu público, muito embora tivesse uma poesia tão rebuscada, mas também uma poesia completamente entregue à cultura popular. Então, eu percebo essa essa semelhança dele enquanto humano e artista.

Moreira – Você seguiu carreira como advogada até 2017, quando se lançou como cantora, quatro anos após a morte de seu pai. Vocês se lançaram no mercado com a mesma idade, 26 anos? A partida de Belchior te impulsionou a abraçar a profissão dele? Como foi para a família enfrentar os últimos conturbados anos dele, com o desaparecimento?

Vannick Belchior – Vamos lá, deixa eu organizar algumas coisas aqui na cabeça. (Risos) Eu iniciei minha faculdade em 2014 e eu finalizei no ano pandêmico, né, final de 2020. Final de 2020 eu conheci um grande parceiro do meu pai, o Tarcísio Sardinha que  me impulsionou e me colocou na música e eu fui estrear na música no ano de 2021, aos 24 anos, a mesma idade que o meu pai tinha quando começou. Eu acredito que a partida dele não tenha me impulsionado pois já estava na música, mas sim, os amigos dele que me encontraram no caminho, como eu comentei, o Tarcísio Sardinha. Ele me conheceu e disse “filha do meu amigo tá aqui, alguém pega o meu violão, quero ouvir a voz dela. Ah, agora eu sei com quem é que eu vou matar minha saudade e tocar Belchior”. Então, foi a partir disso que eu reencontrei a minha vida na arte, na música, dentro dessa verdade e desse sonho que ele sonhava pra mim, e que eu sonhei junto com ele também. E, sobre esse período de reclusão, hoje eu, enquanto adulta, aceito completamente, entendo que foi uma escolha, que realmente foi a melhor opção pra ele naquele momento, e acho que o mais importante da gente rememorar agora é a obra e a poesia que foram deixadas e que são cada vez mais aclamadas e glorificadas pelo público.

Moreira – A poesia e as mensagens das canções de Belchior seguem extremamente atuais e ganharam as novas gerações, com Emicida citando “Sujeito de sorte” em “Amarelo”, Ana Cañas e seu belíssimo álbum e show, no qual ela conta a emocionante história de como se tornou cantora, quando estava passando fome e pegou dois CDs, um de Billie Holiday e um de Ella Fitzgerald, e aprendeu a cantar para sobreviver, pois estava vivendo dentro do próprio carro, e até a Frenética Sandra Pêra revisitou este repertório. Porque a obra de Belchior não envelhece? Qual a mensagem perene desse legado?

Vannick Belchior – Eu acho que é uma obra temporal porque ele canta de forma filosófica, de forma poética, a existência, o existencialismo humano. Eu acho que isso atravessa de uma forma muito generalizada a sociedade, as pessoas. Eu acho que ele fala sobre um deslocamento, um êxodo do nordeste para as grandes metrópoles e as grandes megalópoles. É muito disso que eu trato no meu disco. Eu trato no meu disco literalmente dessa saída, esse êxodo do Nordeste para as grandes megalópoles do Brasil. Por exemplo, eu canto isso em “Notícia de terra civilizada”, “Monólogo das grandezas do Brasil”, que são essas músicas lado B, que eu acho que é muito importante também numa homenagem que celebra a data que seria 80 anos de Belchior. Como intérprete e filha, tenho essa honra de dar uma continuidade. Então desenvolver essas obras menos conhecidas, aí é que dá esse gosto de atemporalidade mesmo. Porque não é um mero tributo, é trazer letras, composições que não são tão conhecidas, mas que são igualmente importantes. E lembrando também que está saindo agora o volume 1 do disco e, no final do ano, já sai o volume 2, com mais participações especiais, né? Eu tô, coloquei agora o volume 1 para as pessoas degustarem, sentirem o sabor disso tudo. E no final do ano, sai outra parte que completa o disco de 12 faixas. Vai ser muito, muito bonito.

Vannick Belchior e Renato Teixeira por Lukas Sá

Moreira – Achei interessante o cruzamento geracional que você fez com as participações do álbum, chamando Don L para soltar o seu flow, acredito que o melhor do rap contemporâneo, na contundente “Meu cordial brasileiro” e Renato Teixeira, que foi parceiro do seu pai, no clássico “Tudo outra vez”. Como foi a troca com esses artistas e o que cada um trouxe para o seu álbum?

Vannick Belchior – Nossa, foram muito interessantes essas participações. Primeiro, o Renato Teixeira. Ele traz essa contemporaneidade ao meu pai, que era amigo do meu pai. Então, acho que isso firma ainda mais uma celebração desses 80 anos, com todos esses movimentos. Nós escolhemos juntos essa música. Eu lembro quando eu sugeri “Tudo outra vez”, ele disse que era uma das favoritas dele. E tivemos uma troca maravilhosa, onde ele contou muitas histórias com o meu pai. Experiência única. E acho que traz essa coisa de um artista que canta também o Brasil, um compositor, sabe? Acho que ele é um professor, uma pessoa que é um mestre da música brasileira, um mestre em suas composições, e essa música teve tudo a ver com ele. Já o Don L não foi contemporâneo do meu pai, mas traz essa genialidade também da música brasileira, traz essa linguagem artística do rap, mas que conversa muito com o MPB, o estilo de música que ele faz, e ele já tinha mostrado reverência a Belchior, então acho que também é importante trazer essa atualização para a obra, e “Meu cordial brasileiro” não é uma música tão conhecida, então eu quis que ele acrescentasse essa rima, essa contemporaneidade em sua composição. Acho que ele complementou muito bem. Ele gostou muito de participar, topou na hora, e acho que ele traz essa firmeza poética, né, dentro das suas composições, das suas canções, esse posicionamento político.

Moreira – Li que você tem planos de lançar seu trabalho autoral depois dessa homenagem ao seu pai. Como é o seu trabalho? Quais as características se assemelha à obra de seu pai e o que você traz de único e individual? Já tem material para um álbum?

Vannick Belchior – Na verdade, tenho alguns escritos, mas não me lancei como compositora ainda. O que eu quero agora é descobrir novos compositores. Um pouco do mesmo jeito que grandes intérpretes descobriram grandes compositores no passado como Milton e o próprio Belchior… Se bem que estou falando aqui da da maior intérprete, né, a Elis (Risos).  Eu acho que a função da intérprete é descobrir muitas pérolas, tem muito o que falar, tem muito o que expressar sobre o Brasil. Então, eu acho que isso é muito importante. Quanto à semelhança do meu trabalho com meu pai, eu acho que está na urgência de cantar o povo brasileiro, cantar o Brasil para o próprio Brasil e sempre estar completamente entregue à música popular. Eu acho que é muito cedo falar sobre o material para um álbum autoral agora, já que eu tô iniciando. Esse projeto dessa celebração de 80 anos que muito provavelmente como está vindo um disco ela vai se estender ainda por mais tempo em festivais em shows e aí, depois, no outro momento chegar um trabalho com mais autoralidade.

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Jodele Larcher e o time de VJs da primeira edição do i-Bit Mapping. Fotos: Rodrigo Ferreira
Projeções na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Em 2021, eu fiz assessoria de imprensa para um dos projetos mais bacanas dos quais já participei: a primeira edição do i-Bit Mapping, festival de projeções na natureza que ocorreu durante a pandemia, com a transmissão do resultado pelo YouTube. O que eu não acompanhei foi a aventura vivida por essa equipe de VJs, sob a batuta do diretor criativo do festival, o sextante Jodele Larcher, chegando nos lugares mais longínquos, com jipes, baterias, projetores e toda uma parafernália eletrônica que se pode vislumbrar no média-metragem “Projeções Extremas”, com produção da Reação.tv, que será exibido no programa Tela Brasil, da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), na terça (8), às 19h, no Cinema Alameda, com direito à exposição, na galeria do cinema, das lindas fotos de Rodrigo Ferreira dessa primeira edição, com curadoria de Fernanda Cruzick. Tudo isso para antecipar a segunda edição do festival, nos dias 24, 25 e 26 setembro, em sintonia com a Semana Florestal, criando uma convergência entre arte, tecnologia, turismo e conservação ambiental no Parque Estadual de Ibitipoca e na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em projeto selecionado no edital Política Nacional Aldir Blanc PNAB/2024 da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Minas Gerais. 

O média foi ganhador do quinto lugar na Mostra de Cinema de Ibitipoca (MG), em 2022, e estreiou no canal Music Box Brazil no último dia 21, tendo sido realizado como projeto selecionado pelo do Edital Audiovisual Comuna do Ibitipoca, iniciativa da Mostra de Cinema de Ibitipoca em parceria com o Muriqui Instituto de Biodiversidade. A próxima exibição na TV será no dia 25 de setembro, às 23h45. O filme acompanha a residência de um grupo de jovens artistas, formado pelos VJs Carol Santana, Eletroiman, Homem Gaiola, Lê Pantoja, Luv, Spetto e Vini Fabretti, realizando experimentações de videomapping, laser, LEDS, iluminação, projeções e outras manipulações da luz que dialogam com a natureza, sem destruí-la. O filme acompanha os artistas montando e executando suas instalações digitais e videomappings por locais como a área próxima ao restaurante, no Parque do Ibitipoca, com instalação de LEDs, o que é chamado de “Caminho de Vini”, no filme, as grandes dimensões do Paredão de Santo Antônio, a mágica Gruta do Andorinhão, no parque, a paisagem lunar do Areal e as estátuas gigantes de Karen Cusolito vindas da Califórnia, do Burning Man, no IbitiProjeto, e o final na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em encontro com os moradores da vila. “O que nós queremos é valorizar a beleza e a exuberância desse território no qual estamos inseridos, chamando a atenção para a relação do homem com o ambiente, e a necessidade de cultivar esse pertencimento”, fala Jodele Larcher, em depoimento  no filme, sobre a busca de novos suportes para o videomapping. O objetivo do festival é chamar a atenção para os efeitos devastadores da ação do homem contra a natureza. A segunda edição do festival acontece nos dias 24, 25 e 26 de setembro, com o tema “As dobras do tempo”, com Jodele Larcher, Rafael Cançado (Homem Gaiola), Lê Pantoja, Federico Bardini, Carol Santana e Spetto, com intervenções artísticas temporárias de videomapping que não causam danos à natureza no Paredão da Gruta dos Gnomos, aonde um anfiteatro natural pode acomodar uma plateia, e na fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no arraial. A programação ainda conta com a palestra virtual “Ancestralidade indígena nas artes digitais”, do mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Edgar Kanaykõ Xakriabá, do povo indígena mineiro Xakriabá, que usa a fotografia como instrumento de ativismo ambiental, a etnofotografia, na sexta (11), no YouTube do festival; e oficina on-line “Oficina Mapping de colagem e IA” com Lê Pantoja, com vagas para alunos da Escola Municipal Padre Carlos, do Arraial. A comunidade artística de VJs, motion designers e artistas visuais poderá participar enviando imagens para chamada aberta para projeção no Paredão da Gruta dos Gnomos e na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a partir de blue print das áreas a receberem as projeções. As inscrições vão até 17 setembro, e cada artista pode enviar três obras.

Arte por Ste Marino sobre a obra de Rogério Puhl
Arnaldo Baptista em foto de Fabiana Figueiredo
Arnaldo e seus desenhos psicodélicos em foto de Marie Eve Hippenmeyer
Tem juiz-forano na coletânea, com Paulo Beto e sua Navil FX, com Bibiana Graeff e Tatiana Meyer
De São João Nepomuceno, a sextante Pedra Relógio
Os mineiros sextantes Os Irmãos Bicho, com Clara e Gabriel Campos
Sandra Sá
Leo Jaime. Foto: Marcos Hermes
A sextante Bruna Lucchesi e seus lindos cavalinhos com Mustache e Os Apaches
Edu K é o De Falla, sempre icônico e criando imagens
Doce Creolina
Bufo Borealis
Meio Desligado, com Ná Ozzetti, Fabio Tagliaferri, Mario Manga e Ana Deriggi

Quando fazia faculdade na UFJF e o fanzine Bat Macumba, estive no sítio no Graminha aonde Arnaldo Baptista viviam com Lucinha para entrevistar o Mutante. Na saída, ele pediu para a empregada moer o crê, para dar um “pó di crê” pro pessoal. A capa, um desenho dele, é do kingo saindo da cabeça de Lucinha (interpretação deste lobo da imprensa), “de colar” toda manhã. Pois o mestre da psicodelia nacional completa 78 anos e quem ganha presente é a gente, com o lançamento do projeto Arnaldo Baptista 7.8 – Canções Inesquecíveis Revisitadas, nos módulos “Cobre”, “Sunny”, “PinkeJeans” e três singles solos. São mais de 60 artistas. As minhas interpretações favoritas são “Cê tá pensando que eu sou loki?”, com Meio Desligado, grupo formado por Ná Ozzetti, Fabio Tagliaferri, Mario Manga e Ana Deriggi e também com Sandra Sá, “Cozinho de noite”, com o Leo Jaime cada dia mais garoto, 

“Desculpe”, com Cadore, com Kiko Zambianchi e Antiprisma, “Deve ser amor”, com Marina Mole, entrevistada da próxima Sexta Sei, “Emergindo da ciência”, com Nicolas não tem banda, “Corta jaca”, com a sextante Bruna Lucchesi (em seu cavalinho) e Mustache e os Apaches, “Fique aqui comigo”, com Zé Ramalho, “Hoje de manhã eu acordei”, com o kingo Juliano Gauche e a banda Cachorro Grande, “I feel in loveone day”, com Zeca Baleiro, “Vou me afundar na lingerie”, com os sextantes mineiros da Pedra Relógio, aqui de São João Nepomuceno, “To burn or not to burn”, com Defalla, “The Cowboy”, com o sextante Rod Krieger, “Será que eu vou virar bolor? E não estou nem aí“, com os sextantes da Exclusive os cabides, “Não estou nem aí”, com Ottopapi,  e a pedrada que é “O Sol”, com Chinaina. Entre os nomes, estão Hyldon, Boogarins, Helio Flanders, Chinaina, Edgard Scandurra & Ema Stoned, os sextantes Selvagens à Procura da Lei, Zeca Baleiro, os mineiros Irmãos Bicho (os sextantes Clara Bicho e Gabriel Campos) e Anvil FX, do juiz-forano Paulo Beto, entre outros, Acompanhando as releituras, é lançado também um documentário sobre o projeto. A curadoria foi conduzida por Arnaldo Baptista, Lucinha Barbosa, Luiz Cesar Pimentel, Lu Lima, Márcio Lomiranda, Marcos Lauro/Orfeu Digital, Rod Krieger, Sonia Rosa Maia e Thais Pimenta/Café 8. A decisão de usar as cores das artes para nomear os álbuns foi justamente para afastar qualquer sensação que levasse as pessoas a pensarem que havia ali uma escala, uma seleção ou ordem específica.

Fotos: Rafael Meliga

Mestre da cuíca, cantor, compositor e instrumentista, Índio da Cuíca, 75 anos, apresenta seu novo e aguardado álbum de estúdio, “Zing Zing”, pelo QTV Selo, com uma simbiose afrodiaspórica única no encontro do universo imagético e sonoro de Zé Pilintra deslizando no moonwalk, e Michael Jackson riscando o miudinho na Lapa. O lendário mestre do samba carioca lança seu segundo álbum solo, reafirmando sua presença como performático showman e transitando entre a ancestralidade e a cultura pop. Nascido no morro do Borel e criado no universo das escolas de samba cariocas, Índio é “ritmista-bailarino-malabarista”. Com mais de cinco décadas dedicadas à música, o artista  já excursionou da Suíça à Tunísia e gravou com ícones como Alcione, Jair Rodrigues e Roberto Carlos. Além de se consolidar pela habilidade rara de disciplinar melodicamente o tom ruidoso da cuíca em um sistema tonal melódico, seu álbum de estreia, “Malandro 5 Estrelas” (2021)

A capa por Rafael Meliga

foi aclamado pela crítica. Agora,  sob a direção musical, arranjos e violões do maestro Gabriel de Aquino (filho de João de Aquino) e codireção artística de Paulinho Bicolor e Bernardo Oliveira, o trabalho funde o “samba dub” a arranjos orquestrados de bandolim, piano, sintetizadores e percussões rituais. Entre os destaques, estão as participações especiais de Siba em “Cangalha do Boi” (samba-embolada de João Martins e Raul DiCaprio) e da voz da sextante Ana Frango Elétrico em “Alguém me chama”, parceria de Índio com Romulo Fróes. O álbum ainda traz a interpretação de Índio para “Gracinha”, da sextante Juçara Marçal. Um trânsito vivo entre o terreiro, o cabaré, o palco global e a cultura pop.

Rodrigo Campello e Fernando Moura por Luciana Araujo

O poder da música instrumental de criar paisagens sonoras está impresso no álbum Fricção“, lançamento do selo Luna Music, no criativo encontro entre Fernando Moura (teclados) e Rodrigo Campello (cordas). Vem de longe a convivência musical dos dois instrumentistas, compositores e produtores. Somadas, suas trajetórias profissionais completam exatamente um século de atuação em 2026, retratando com fidelidade a vivência dos músicos profissionais no Brasil desde o final dos anos 1970. Trabalhado a partir de diferentes processos criativos, da escrita tradicional a experimentações sonoras radicais, o repertório transita entre a construção de grooves potentes (“Trem de Ferro”), drones harmônicos na faixa-título (“Fricção”), canções estruturadas (“Marés”) e duos instrumentais clássicos (“Piano no Bonde”).

O grande destaque de “Fricção” é o desfile de timbres proporcionado pela multiplicidade de instrumentos e ideias. Em “Gogo”, o piano elétrico Wurlitzer dialoga diretamente com o guzheng chinês de 21 cordas. A faixa “Ostinato” traz a percussão do convidado especial Marcos Suzano ao lado do violão de 7 cordas de Campello e de um piano Rhodes processado por pedais Moog. Já em “Quarto escuro”, paisagens sonoras são desenhadas por guitarras que citam King Crimson e teclados raros e exclusivos, como o alemão C15. Em “Espaço Nave”, o órgão Hammond C3 embala um potente groove brasileiro, enquanto o intimismo do piano e dos violões acústicos se faz presente em “Mais um piano”.

O agendão das maravilhas segue nos destaques do meu Instagram, separado por cidades, e em thread infinita no X.

Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta, com álbuns de Índio da Cuíca, The Warning, Jota Quest, Bel Medula, Marcelo Galter, Vanessa Moreno, Kiko Dinucci, Pedro Bala, Maria Maud, Jisoo, Carly Rae Jaepsen, Ellie Goulding, Paris Paloma, Adéla, daisy*, Rebecca Black, Faux Real, Airbourne, Kasabian, Mykki Blanco, Krewella, deluxe de A Olívia, ao vivo de Yeah Yeah Yeahs. Todas as playlists de 2025, 2024, 2023 2022, 2021 e 2020 nos links

Para melhores resultados, assista na smart TV á playlist de clipes com Julia Guedes, Rancore, Getúlio Abelha + Canto Cego, Dinosaur Jr., JMSN, Angèle, Confidence Man + Jade, Peaches + Agniia Galdanova, Skuzland, Fat Dog, Magdalene, Brutalismus 3000, Tricky (Lita Lores version), Joy Crookes + Ravyn Lenae, FKJ + Eryn Allen Kane, Pabllo Vittar + Urias, Jain + Meryl, Cardi B, Bina., Romero Ferro + Coco Raízes de Arcoverde, Isacque Lopes, Júnior, Goldie Boutilier, Faux Real,  Jennie, MV Bill + Kmila CDD, Xamã, MC Soffia + Tasha & Tracie, Moreno Veloso + Beatriz Azevedo, Boko Yout, Mnek, Priyanka + Lemon, Zee Machine, Aurora, Isaiah Falls, Julie Wein, Logic 1000 + Christine and the Queens, Lany, Belle and Sebastien, Rhara, 1000vall,  Kiko Dinucci + Lcuas Pires + Arthur de Faria, Miley,

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