Sexta Sei: “As pessoas esqueceram da alegria que é se esforçar para fazer uma obra de arte”, filosofa Gabriel Aragão, leader band da Selvagens à procura da lei, que lança o álbum “Pivete”

Na defesa da autoralidade, banda cearense fez tudo ao contrário do que dita o mercado, com faixas com mais de três minutos, álbum com mais de dez faixas, capa fotografada com 40 pessoas envolvidas, tudo analógico

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Selvagens à procura da lei: Matheus Brasil (bateria), Gabriel Aragão (guitarra e vocal), Jonas Rio (baixo) e Plínio Câmara (guitarra) em fotos de Igor de Melo

Ainda dá tempo de nos levantarmos contra as máquinas, pelo menos essa é a principal mensagem de “Pivete”, sétimo álbum de estúdio que a banda cearense Selvagens à procura da lei lança, contra todas as expectativas do mercado; com mais de dez faixas, com tracks com mais de três minutos e sem medo de se posicionar politicamente, motivo da nova formação de integrantes reunidos pelo leader band Gabriel Aragão (guitarra e vocal) com Matheus Brasil (bateria), Jonas Rio (baixo) e Plínio Câmara (guitarra). Mais que músicos, são camaradas que comungam os mesmos ideais políticos e filosóficos, amigos de manifestações políticas e passeatas, como me conta Gabriel em um dos melhores papos do ano aqui na Sexta Sei. “Esse é um disco que a gente está indo contra decisões mercadológicas, digamos assim. Tipo: “Ah, cara, hoje em dia os jovens não escutam mais música de mais de 3 minutos”, ou então: “Hoje em dia os jovens não escutam mais discos, né? E muito menos discos com mais de dez faixas”. Então a gente foi na contramão de tudo isso por uma decisão de, como você falou aí, também da defesa da autoralidade, né? Achei bonita essa palavra”, me conta Gabriel. O álbum exalta a coletividade já na capa, com muitos easter eggs, que o vocalista disseca na entrevista, como o grupo Maracatu Solar, o PJ, da página do Instagram @HQsemroteiro, Kamila Fernandes, do podcast de política “As Cunhãs”, sem contar as muitas e especiais participações, no álbum, do pensador e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Ailton Krenak, o ativista Leo Suricate, o ator Silvero Pereira, o comediante Moisés Loureiro, o músico Tatá Aeroplano e a lenda da música brasileira Arnaldo Baptista.

Moreira – É claro um movimento da classe artística pela defesa da música e da arte feita por seres humanos. Uma série de recentes lançamentos musicais enfatizam essa qualidade na produção. “1984” parece ter se antecipado e é importante que a classe artística esteja preparada para combater robotização, uso de inteligência artificial e pasteurização da arte. “Dia de Rua”, com participação do político e ativista Léo Suricate, ganhou clipe que mescla performances explosivas da banda com imagens reais e viscerais de manifestações de rua capturadas pelas lentes de Dani Lopes, convocando o público a trocar a anestesia das telas digitais pela organização e ocupação do mundo real. Chegou a hora de fazermos alguma coisa em defesa da criatividade e da autoralidade? É pra marcar “Presença”? 

Gabriel Aragão (guitarra e vocal) – Eu acho que você falou muito bem na pergunta, né? Em defesa da criatividade. É uma coisa que eu tô sentindo já há bastante tempo e tem guiado decisões estéticas, decisões de produção da banda, caminhos autorais a seguir e, inclusive, parceiros com quem nos envolvemos, né? Desde fotógrafos, toda a galera da parte gráfica, enfim. Eu acho que, pegando agora com esse novo disco da gente, “Pivete”, desde a decisão da capa de ter feito de maneira 100% mão na massa, do it yourself, como se diz, a gente tá indo nessa direção. Por exemplo, nossa capa tem tantos elementos, e eu estava pensando junto ao fotógrafo Igor de Melo e o designer Juvenal Joachim em fazer que nem essas capas dos anos 70, 60, né? Um pouco de Sgt. Pepper’s, um pouco de Tropicália, com todos aqueles signos que evocam essas capas e a participação de muitas pessoas, né? Sem exatamente um ponto focal, né? Muitos “easter eggs”. A gente demorou muito pra fazer, porque era um mês chuvoso em Fortaleza, então, passamos alguns finais de semana adiando o grande dia da foto. Muitas pessoas envolvidas, acho que tinha em torno de umas 40 pessoas ali. E sempre que a gente discutia essa ideia com outras pessoas, muitas… muitas pessoas diziam pra gente: “Cara, mas, porra, com IA já resolve tudo, não precisa ter esse esforço todo”, ou então: “Pô, bicho, se não quiser usar IA, faça uma colagem, cara. Vocês chegam lá e tal e tiram a foto da banda, depois chama o Maracatu Solar, tira outra foto e tal”. Sendo que eu acho que as pessoas esquecem que é essa coisa de evitar o esforço, né? E eu acho que as pessoas esqueceram da alegria que é se esforçar para fazer uma obra de arte, né? E que esse esforço é, como você disse na pergunta, né, eu sinto que é uma defesa da criatividade, né? Cara, é demorado, é difícil, mas o orgulho de ter feito isso é imenso. Muito diferente do que teria sido fazer um prompt, né, numa IA ou uma colagem, né? Enfim, não que colagem não seja uma arte por si só, mas no sentido de a gente ter muletas pra fazer essa capa. E com relação ao disco, também, esse é um disco que a gente está indo contra decisões mercadológicas, digamos assim. Tipo: “Ah, cara, hoje em dia os jovens não escutam mais música de mais de 3 minutos”, ou então: “Hoje em dia os jovens não escutam mais discos, né? E muito menos discos com mais de dez faixas”. Então a gente foi na contramão de tudo isso por uma decisão de, como você falou aí, também da defesa da autoralidade, né? Achei bonita essa palavra.

Moreira – Além desse combate das máquinas à criatividade, também estamos vivendo em um mundo em guerra, como vocês abordam em “Guerra”, com Ailton Krenak. “É guerra em todos os lugares o tempo todo”, diz a letra. São mais de dois milhões de mortos no conflito da Rússia com a Ucrânia e mais de 500 mil pessoas na faixa de Gaza, número maquiado. “Onde eu quero ponte você ergue muro”, vocês prosseguem, em “Cascadura”. “A guerra vai ficar pra jantar”, diz o verso de “Tipo Mara Hope”. Essa energia Armagedom só é boa em canção de Ro Ro. Precisamos fazer uma revolução de amor e comunhão de bens materiais no mundo? 

Gabriel Aragão – É, sim, a gente tem que fazer a revolução, né? Nem todo mundo tá preparado. Eu acho que a gente também fala de um lugar de muito conforto também, né? Todos nós, assim, no fundo, no fundo, ninguém tá preparado para essas mudanças que a gente almeja, né? Todo mundo vai ter que abrir mão de muita coisa. Mas esse deve ser o caminho, né? Nós somos uma geração e, obviamente que todo mundo que veio antes da gente, né, os pais, os avós… E, aqui, na América do Sul, nesse país Brasil, muito, muito dominado pela cultura estadunidense, né? De todo jeito, né? Musicalmente… Eles são os caras que venceram a Segunda Guerra Mundial, pelos filmes e tal, e a gente é bombardeado, culturalmente, por uma dominância deles muito forte, né? Como um ideal a se almejar, esse sonho americano, esse estilo de vida e essa propaganda do capitalismo, dessa terra da liberdade. E a gente cresce olhando com maus olhos e com essa síndrome de vira-lata do Nelson Rodrigues, né? De que a gente não valoriza muito as coisas que são daqui, que são maravilhosas. Que basta você sair do país e passar um tempo fora que você começa a valorizar… É o nosso sistema de saúde, a nossa alimentação, né? E, sim, eu acho que o disco toca nesses pontos, né? O que eu tentei fazer, pensando no disco de uma maneira mais conceitual, né, “Pivete”, é que a cada cinco faixas… O disco inteiro conta a história desse personagem, né? Então, a cada cinco faixas é um momento da vida. As primeiras cinco são a infância; depois vem a pré-adolescência e adolescência; juventude; vida adulta; depois a vida adulta e velhice… E encerra o disco nessas 20 faixas, né? E a política, ela tá permeada em cada uma dessas etapas de maneiras diferentes. Às vezes, de uma maneira mais geral; ali na infância, pontuando condições em que a pessoa nasceu; depois, numa rebeldia, numa percepção de injustiça muito grande; e na velhice, tem a canção “Dia de Rua”, que foi a primeira que a gente soltou do disco. E quando eu falei isso, algumas pessoas acharam estranho “Dia de Rua” estar ali, mas eu eu quis colocar ali porque todo dia é dia de rua. Inclusive na velhice. Então, se você decidiu, filosoficamente, levar a sua vida nesse combate, pela igualdade de todos, sem restrição… É uma luta para uma vida inteira.

Moreira – O que eu gosto mais gosto em “Pivete” é que é um álbum rock´n´roll, analógico, na contramão das produções milimetricamente polidas do mercado atual, aquela cozinha base do rock. Bacana também a construção da saga, da jornada da vida de um personagem marginal urbano, “Pivete”. Isso tudo vem acompanhado de a banda estar mais política, militante, partindo para a ação? Tem a ver com a nova formação? 

Gabriel Aragão – Sim, eu acho que tem a ver sim com a nova formação, no sentido de que eu tô muito à vontade agora pra colocar pra fora esses temas sem ter tanto embate, como tinha antigamente. Eu sempre puxei pra esse lado,  sempre gostei muito de falar desse lado da política, eu sou muito fã, venho de uma família em que a gente escutava, desde criança, muita Legião Urbana, muito Cazuza. E é muito difícil pra mim pensar em estar numa banda de rock, ter montado uma banda de rock e se sentir acuado pra falar de temas políticos, não dá, né? Mas agora, com essa nova formação, pelo contrário, assim, existe um incentivo muito grande. A gente encerrou o ano passado, logo depois de gravar o nosso DVD, nas manifestações contra a escala 6×1, e eu fico muito feliz de não estar sozinho. Geralmente, eu participava sozinho, não como banda, e agora, finalmente, estamos todos em comunhão de pensamento. E é muito bonito ver a banda poder estar participando de manifestações e sendo muito coerente com a história do rock, né? Indo, graças a Deus, contra essa história do rock, atualmente, de ter tanto roqueiro reacionário, né? Então, é por essa comunhão de pensamentos, a gente começou a fazer esse disco e, por ele ser pontuado nessa trajetória desse disco conceitual, como eu falei na pergunta anterior, por momentos políticos do próprio personagem, né, percepções que vão mudando ao longo da vida, da infância até a velhice, a gente também foi se aliando de de de várias maneiras assim, com muitas participações, né? É  um disco também que ele é muito Fortaleza. A capa é é uma carta de amor a Fortaleza, o disco inteiro, esse personagem está inserido na cidade de Fortaleza. E eu também acho que isso é uma bandeira que se levanta, sabe? Contra essa essa ideia também das pessoas sudestinas, digamos assim, a galera da cultura sudestina, de que existe uma pressão muito grande, né? A gente tem que sair da terra natal, a gente é sempre categorizado, muitas vezes, como música regional, embora eu já esteja falando de um lugar do rock, né, mas a gente já viu, em prêmios, o Alceu Valença estar ali indo como música regional, e existe também a categoria da MPB, e o que é que significa a diferença dos dois, eu não faço a menor ideia. Então, eu acho que esse disco também é um disco que fala de um orgulho da própria terra assim, sabe? De poder se fazer presente nessas premiações e pras pessoas que cuidam dos setores culturais mesmo, assim, de que nós somos daqui, temos muito orgulho de ser daqui, e a gente não muda o nosso som, a gente não muda o nosso sotaque e a gente segue em frente de maneira muito relevante, rodando o país inteiro. E, inclusive, não precisamos morar no Sudeste pra poder estar rodando o Brasil inteiro, a gente pode morar na nossa terra natal. Coisa que, em 2013, eu só assinei com a gravadora Universal na época, né, pra lançar o disco, e era uma condição deles assim: “Cara, vocês têm que morar em São Paulo ou Rio de Janeiro”. Então, são realidades muito díspares assim, né, pra pessoas de 19, 20 anos começando em uma carreira artística. É muito muito diferente assim você ser do Ceará, do Norte ou Nordeste, e ver bandas de artistas que começam no Rio e São Paulo, sabe? É aquela coisa da corrida, né, que a corrida é diferente pra cada um. Às vezes parece que é todo mundo igual, mas, de fato, não é.

A capa de "Pivete"

Moreira – Me ajudem a ler todos os símbolos e recados presentes na linda capa de “Pivete”, na qual várias ações simultâneas se desenvolvem, com várias capas de álbuns e livros, indígena, carnaval, skate, violões…. Dissequem pra gente, que parece contar muitas histórias.

Gabriel Aragão – Eu vou tentar lembrar aqui, tá? Na capa. É que eu tô gravando do celular e não tô vendo aqui ao mesmo tempo. Mas vamos lá, de participações aqui a gente teve a presença da galera do Maracatu Solar, que representa o Maracatu Cearense. Às vezes, a gente pensa em maracatu e só lembra de Pernambuco, né? Vem logo à mente, mas existe o Maracatu Cearense que tem uma batida muito específica. Talvez seja mais conhecido por uma batida da canção do Ednardo, “Pavão Misterioso”. Então, tem esse grupo que eu amo de paixão, liderado pelo artista Pingo, de Fortaleza, e fiquei muito feliz pela presença do Maracatu Solar. Então eles estão lá, representam também as religiões de matriz africana. Os quatro “Selvagens”, cada um tá fazendo alguma coisa, né? O Plínio tá ali na parte urbana, de skate. Eu tô segurando um livro do Ailton Krenak. O Jonas e o Mateus estão segurando… tem um disco que é “Alucinação”, do Belchior, que eu acho que é o Jonas; outro disco do Pessoal do Ceará, que eu acredito que é o Mateus que esteja segurando. Temos a participação também de músicos da nossa terra: Daniel Medina, parceiro também de composição nesse disco, Maken, Claudine e Felipe Giffoni. Tem o meu filho tá na capa, minha esposa, minha irmã, minha sobrinha. Tem a participação do querido PJ, da página do Instagram @HQ semroteiro, que fala muito de política. Ele tá no centro assim, comprando vinis da galera muito massa também, de LP de Fortaleza. No centro, tem o nosso símbolo, um grande amigo utilizando o escafandro, que é o símbolo da banda. Ao lado do PJ tem a Kamila Fernandes, que é do podcast de política “As Cunhãs”, maravilhoso, junto com o marido dela. Tem dois vendedores ambulantes também: um pipoqueiro e, em cima, subindo a escada ali, tem um vendedor de chegadinha, que é, enfim, uma comida, doce muito legal, muito característico de Fortaleza. Bom, eu acho que é isso. E a escolha do lugar, obviamente, né? Que é na Praça dos Leões, no centro de Fortaleza, já a caminho da praia. Falando de praia, lembrei de outro personagem, que é o surfista que tá passando. Ele é o André Comaru, também é um ativista do meio ambiente, da luta pelo mar, pela praia. Enfim, foi uma capa realmente muito especial de fazer.

Moreira – Este álbum tem muitas participações especiais, e devo começar puxando pela de Arnaldo Baptista, que, por muitos anos, morou aqui em Juiz de Fora, no Graminha, aonde o entrevistei, nos anos 90, para o meu fanzine Bat Macumba, e ele me ofereceu um “pó de crê”. Já o Tatá Aeroplano eu conheci na banda Jumbo Elektro que, por anos, tentei levar ao Rio, mas era uma zaga tão grande que nunca conseguimos. Acho que o Tatá, provavelmente, é o músico que já integrou bandas na cena nacional, deve ser pelo talento e pela inventividade. Como foram os encontros com eles e Ailton Krenak, Leo Suricate, Silvero Pereira e Moisés Loureiro?

Gabriel Aragão – Pois é, nas palavras do guitarrista Plínio, esse é um disco “galeroso”, né, de galera. E a gente… sei lá, eu tinha na cabeça muito também Gorillaz… Um disco muito livre, né? Ele partiu de uma liberdade total de fazer música do jeito que a gente quer fazer, de fazer música no tempo que a música merece ter, não ficar preso à escolha de singles, músicas de trabalho, não ficar preso a ter que ter dez faixas, sabe? Justamente por ter mais faixas, a gente pode dar vazão à criatividade, que nem eram os nossos heróis dos anos 60, 70, que lançavam, sei lá, um disco por ano. E, por isso, a gente consegue fazer ideias que talvez, se lançasse disco a cada dois anos, eu estaria tendo que rejeitar algumas obras, né? Então, lançar um disco por ano é muito especial porque você bota para fora tudo. E a ideia desse disco foi isso. Então, vinhetas mil, né? A primeira vinheta instrumental, mas também tem narração do grande Silvero Pereira, maravilhoso. Eu sempre troquei ideia com ele. O cara super generoso e deu certo ele chegar no dia, ler o texto gigantesco que eu tinha aprontado. E eu até sugeri de cortar algumas palavras assim para poder entrar numa cadência melhor da pessoa, porque eu lendo falo muito rápido, diferente de alguém interpretar, né? Mas ele conseguiu encaixar tudo perfeitamente em três takes assim, genial. Moisés Loureiro também, comediante cearense, uma pessoa muito querida. E também fez parecido com o Silvero, né, lendo um texto numa tacada só, com aquela interpretação dele maravilhosa, que é no “Manual do Jogo da Vida”. O Ailton Krenak fazia anos e anos que eu queria muito fazer alguma coisa com ele. Eu acho que eu amo tanto os textos do Krenak, o pensamento dele, que eu achava que era muito difícil assim chegar nele, eu não sabia se ele toparia, então eu colocava ele assim num pedestal. E ainda o coloco, mas parecia muito… muito acima, sabe, de de poder chegar até a pessoa dele com o convite dele participar de um disco meu, né? Então, tentava pelos meios (risos) talvez mais difíceis. Mas, depois que eu não conseguia através de contatos pessoais que eu tinha, eu fiz algo muito simples assim, que foi enviar um e-mail pro e-mail do Instagram dele. E ele foi muito generoso também e respondeu prontamente, adorou a música: “Gente, tá liberado, tá ótimo, tá perfeito, pode utilizar”. E fiquei assim, foi uma coisa que me marcou muito, que eu queria fazer desde 2020 eu queria fazer alguma coisa utilizando uma fala do Krenak. Léo Suricate é amigo de longa data do Plínio, também fã de Selvagens, já teve com a gente em algumas ocasiões de shows em Fortaleza. O Léo é de casa, né, digamos assim. Então foi tudo muito natural. Além deles, também tem outras figuras também de grandes vozes da música cearense, que é a Soledade na faixa “Menino de Ouro”. No final do disco, a gente finaliza com a Nayra Costa e com o grande mestre Roger Rogério, do pessoal do Ceará. A última frase do disco é dele, né? Como se esse personagem tivesse evoluído, ele tá encarnando o personagem dizendo: “Nós estamos aí”. É, e dentre outras pessoas, poxa, tanta gente! Tem o André Frateschi também. Na última faixa, participaram muitas pessoas fazendo o coro, entre elas o Yannik Hara, do hip hop de São Paulo, Jajá Cardoso, da banda Vivendo do Ócio… Enfim, um disco, como eu falei, de galera, né? Galeroso.

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Rodrigo "Pancho" (bateria), Chaene da Gama (baixo e vocal) e Charles Gama (vocal e guitarra) são a Black Pantera, em fotos de Hugo Brito

A sextante Black Pantera já ganhou cidadania juiz-forana com a participação, por três anos consecutivos, do festival É Dia de Rock. Agora, todo ano é assim: a gente fica só esperando eles virem comandar um ato de comunhão coletiva na praça contra o racismo. Nesta sexta (21), eles reforçam seu lugar de gigantes do rock nacional com o lançamento de seu quinto álbum, “Continental”, pela Deck da gente, refletindo sobre o Brasil, um país continental, feito de vários Brasis dentro de si. O álbum mistura o rock às vivências pessoais de Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (vocal e guitarra) e Rodrigo “Pancho” (bateria), com participações negras mais do que especiais de Sandra Sá em “Quando canto”, que a banda cresceu ouvindo, Duquesa, uma das artistas de maior destaque do rap contemporâneo, em “Serotonina”, Derrick Green, do Sepultura, em “Obsoleto”, e Chico César em “Banzo”, uma resposta ao defensores da meritocracia. 

Capa por Ramon Álvaro

 Sobre a capa, Chaene conta que saiu na última hora. “A gente gosta de pensar em cada detalhe, em cada conceito, não é simplesmente aleatório, a gente estava com uma ideia, mas não rolou, e aí essa arte apareceu, essa arte do B-boy, que é um artista incrível, e a gente achou que casou muito. A menininha segurando um barco com um passarinho nos ombros e um horizonte vermelho, então ela carrega sonhos, pensa no presente, mas pensando também no futuro, tem toda uma questão de ancestralidade, é uma arte real, uma arte pintada a mão, que traduziu muito bem o que a gente queria passar com o “Continental”, então é icônico e acho que a gente conseguiu, mais uma vez, manter essa tradição de capas muito significativas”, conta, por aúdio de Whatsapp. No domingo (23), às 17h, eles fazem show de lançamento no Cine Joia, duas semanas antes de o trio subir ao palco Sunset do Rock in Rio. É um álbum que traz questões atuais, partindo da geopolitica. Não por acaso, eles aproveitaram para homenagear o professor e pensador Milton Santos (1926-2001), não só na letra da faixa-título, como incluindo um trecho de uma entrevista, que, entre outras coisas, dizia que a América do Sul será a nova potência global.

Violonista, compositor, arranjador e professor, Luca Frazão percorre a estrada da música instrumental há 15 anos. O artista paulistano já se apresentou ao lado de nomes como Juçara Marçal, Ná Ozzetti, Luedji Luna, Liniker, Maurício Pereira, Di Melo e Suzana Salles. Em gravações, esteve ao lado de referências como Tom Zé, Jaques Morelenbaum, Toninho Ferragutti, Arrigo Barnabé e Alzira E. Integrante da banda Os Amanticidas, que sextou aqui, e do grupo Choro da Quitanda, que já passou pelas mixtapes sextantes, Luca prepara o lançamento de seu disco solo de estreia, “Despencando”. Abrindo caminhos, ele mostra a faixa-clipe homônima nesta sexta-feira (21), um choro inquieto e intenso que dá continuidade à tradição do violão brasileiro sem abrir mão de explorar novos caminhos e dialogar com outros universos musicais. Na primeira parte, frases descendentes nos bordões do violão de sete cordas criam uma sensação constante de queda. A segunda parte vem contrastar com essa tensão, surgindo como um respiro em meio ao conflito, em momento mais contemplativo. A faixa foi composta por Luca Frazão, produzida por Swami Jr. e mixada e masterizada por Thiago Abdalla. O lançamento chega acompanhado por um videoclipe sensível, filmado, editado e colorido por Marcel Enderle. No dia 25, às 17h, ele adianta o álbum ao vivo, em São Paulo, no Festival de Cordas Dedilhadas da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP) Tom Jobim, no Auditório Zequinha de Abreu (Largo General Osório, 147 – Luz), com entrada franca.

Luca Frazão por Rebeca Figueiredo
O MC e artista da spoken word Rodrigo Brandão
O produtor Guilherme Granado

Formados na zona oeste de São Paulo, o MC e spoken word artist Rodrigo Brandão e o produtor Guilherme Granado são parceiros de longa data e colecionam projetos em comum e, juntos, já gravaram com lendas como Naná Vasconcelos, Pharoah Sanders, Prince Paul, Brian Jackson e Sun Ra Arkestra. Esta semana, lançaram o esperto EP “Pequenas Pirâmides”,  inspirado livremente na dinâmica entre letrista e compositor, rapper e DJ, com três faixas que seguem na contramão da lógica do mercado. Marcado pela ausência de feats, o material soa despretensiosamente original. Trata-se de um contraste natural entre certa qualidade psicodélica no som e versos de tom tão urgente quanto os dias de agora. No dia 5 de setembro, eles sobem ao palco da Casa de Francisca, em São Paulo, para o show de lançamento.

O agendão das maravilhas segue nos destaques do meu Instagram, separado por cidades, e em thread infinita no X.

Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta, com álbuns de Selvagens à Procura da Lei, Felipe Vaz, Riviera Gaz, Turmallima, Denzel Curry +Kenny Beats, Weezer, Jorja Smith, Sam Smith, Black Pantera, Brandon Flowers, Julia Holter, Mariana Wolker, deluxe do Braza, EPs de Pedro Fraemam, Rodrigo Brandão + Guilherme Granado. Todas as playlists de 2025, 2024, 2023 2022, 2021 e 2020 nos links

Para melhores resultados, assista na smart TV à playlist de clipes com Jon Batiste, Jungle, Erykah Badu & The Alchemist, Tagua Tagua, Dent May, Liniker, Jota.pê, Troye Sivan, Jorja Smith, Icona Pop, La Roux, Aiwaska + Starving Yet Full (Ledi Cannit Remix), Leon Bridges, Aramà, Marilyn Manson, Hoze, Phoebe Bridgers, Aiwaska + Dizzy Monroe, Medulla, The Hives, Clara Ribeiro + Chediak, Romero Ferro, Bela Poarch, Rico Nasty, Gritto, Paris Paloma, Oruã, Leffs, Duda Beat, Priscilla, Akkira, Bryan Behr, Of monsters and men, grentperez, $tarface + Tyga, Sace6, Kazdoura, Chico e o Mar, YE + Don Toliver, Towa Tei, Bullet Bane, Juliano Costa, The Offspring, Becky G, Supercombo, Luiz Amargo, Vanguart, Protoje + Stephen Marley, Gilsons, Bruce Dickinson, Chaka Khan, Shygirl, Lagum, Jotaerre, Kayode + GVS, beabadobee, Remi Wolf, Sobs + Duzz + Nog + Jotapê + Peunobeat, Dornelles, Juliane Gamboa + Ivan Lins, Cachorro Pessoa 

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