Sexta Sei: Ih, quê isso? João Brasil entrevista fundadores do funk carioca, de Marlboro a Deize Tigrona

Série Funk Brasil foi produzida pela tocavideos e será exibida pela Mídia Ninja, em dez entrevistas com Jonathan da Nova Geração, Abdullah, Sabãozinho e os MCs Galo, Smith, Maromba, Sabará e Padilha

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

João Brasil entrevistando Deize Tigrona, que mulher

“Quando o Catra e o Sapão morreram, acendeu uma luz vermelha em mim. Pensei: esses caras vão morrer e não temos boas entrevistas com eles”, me conta o músico e produtor João Brasil, pelo whatsapp, explicando a série de entrevistas “Funk Brasil”, com bate-papos dele com dez estrelas brasileiras do gênero, como Marlboro,  Jonathan da Nova Geração, Deize Tigrona, Abdullah, Sabãozinho e os MCs Galo, Smith, Maromba, Sabará e Padilha. O programa foi idealizado e dirigido em parceria com a produtora tocavideos e estará disponível, a partir de terça, 19 de janeiro, sempre às terças e quintas, às 19h, no Youtube da Mídia Ninja. A ideia é que essa seja a primeira temporada de uma série.

Com DJ Marlboro

“O lance das entrevistas é para, depois, termos um apanhado histórico. Penso muito em pesquisa e, por isso, as entrevistas são longas, para que mestrando, doutorando ou pesquisador possam ter acesso à história contada pelos próprios personagens“, me conta o criador do hit “Michael Douglas”. A ideia central da série é investigar as origens e a trajetória do funk nos últimos 30 anos, como um dos gêneros mais duradouros da música nacional.

Já no primeiro episódio, DJ Marlboro conta como criou o hit “Melô da Mulé Feia”,  com sample da música “Doo Wah Diddy”, do grupo inglês Manfred Mann. “A música não pode ser falada, como no hip-hop, nós somos um povo de costumes melódicos“, conta Marlboro sobre o momento quando encontrou um dos caminhos do funk nacional,  juntando humor e melodia. Ele ainda fala sobre os bastidores como DJ do programa da Xuxa, na TV, e a importância dela para a visibilidade de artistas do gênero.

Com Gallo

Pelos dez episódios, passam Sabará, um dos criadores do passinho e parceiro de João no projeto Rio Shock; Padilha, do “Rap do Betinho”, que fala da fome, tema central da luta do sociólogo e ativista Herbert de Souza; Sabãozinho, o criador da batida do tamborzão; Maromba, conhecido pelas letras de humor; MC Galo, autor do clássico “Rap da Rocinha”, Abdullah, o primeiro MC de funk, MC Smith e Jonathan Costa,  o filho de Rômulo e Verônica Costa que cresceu dentro da Furacão 2000 e foi proibido de cantar pelas autoridades por ser criança.

Pelo amor de Deize ❤️

Deize Tigrona conta como encontrou o Buraka Som Sistema, em Portugal, e a M.I.A., no Rio, porque diva faz assim, né? Diva muito. “Funk Brasil Entrevista” conta essa jornada pela voz de seus protagonistas. A série tem direção de João Brasil, Fernando Neumayer e Luís Martino. Recomendo também acompanhar o João no Tik Tok, mídia na qual ele se farta com os recursos e efeitos visuais em funks curtinhos e mega engraçados.

João Brasil Greatest Hits: minha selecão do melhor do amigo

Minha história com o João é engraçada. Tínhamos milhares de amigos em comum, e todo mundo shipava muito a gente, mas eu, meio blasé, risos, achava uó a “Cobrinha Fanfarrona”. Até que saiu o “Baile Parangolé“, que é uma aula de música brasileira, comecei a frequentar a Dancing Cheetah, sua festa de ritmos latinos com Chico Dub e Pedro Seiler, e ficamos muito amigos. O colar com pingente de banana que ele usa no clipe de “Cobrinha” foi um presente meu, fiz vários e distribuí na Casa da Matriz, aonde rolava a Cheetah.

Quando selamos a nossa união, ahahaha, na I love pop

Pra coroar esse amor todo, eu fui vestido como ele costumava se vestir, de roupão e faixa de Karatê Kid, na I Love pop, no Lounge 69, em Ipanema, na festa da Gema TV, como mostra a foto acima, quando tocamos juntos, pra pagar a minha língua.  Perdi a conta de quantas vezes entrei no trenzinho da “Cobrinha Fanfarrona” na minha festa, a Bootie Rio, em edições pra lá de históricas, ele sempre colocava a Fosfobox no chão. Ah, eu que divulguei o EP com Michael Douglas. Uma história de amor e carinho mesmo, como dá pra conferir no nosso papo, abaixo.

Moreira – Tem o livro  “Batidão”, do Sílvio Essinger, os registros fotográficos importantes de Daniela Dacorso e Vincent Rosenblatt, a pesquisa que o Carlos Palombini conduz na UFMG, mas ainda é pouco o material sobre o funk do Brasil. Você me disse que esse projeto foi inspirado por essa falta de registro desses personagens, como Catra, Sapão e Edgar, que morreram, alguns sem a devida documentação de vida e da obra… Me fala cinco coisas muito importantes sobre o funk carioca que a gente vai ficar sabendo assistindo à sua nova série. E o que achou mais curioso na fala dos entrevistados.

João Brasil – Sempre senti falta de material para o estudo do funk brasileiro, que já existe há mais de 30 anos. Se não é o maior, é um dos maiores estilos musicais criados no Brasil. A minha ideia / sonho inicial (e que continua de alguma forma) é criar um acervo com mais de mil entrevistas (MCs, DJs, produtores musicais), numa linha de tempo, para ser exibida no Museu da Imagem e do Som, porém gratuito e aberto para todos na internet. Eu li três livros sobre o funk brasileiro: O “Batidão”, do Silvio, o “Mundo Funk Carioca”, do Hermano Vianna, e o “Funk” da Julia Bezerra e Lucas Reginato. Todos excelentes e quase complementares. Como músico, senti falta deles falarem mais sobre a música e o processo de criação musical, o que me interessa profundamente. Na série, eu pergunto muito sobre isso “influências musicais, processo criativo e musical, …” junto a isso os principais temas são: preconceito , inventividade, pioneirismo, vidas sendo mudadas a partir da cultura e a construção de um estilo musical brasileiro. Um fato muito curioso é a diferença entre os personagens, em relação a quase tudo: referência musical, background, religião, tipo de funk, … Tem muitos fatos curiosos: o papel da Xuxa e da Rede Globo que transforma o sucesso local em sucesso nacional, a prisão do MC Smith e a criminalização do funk, o estilo invadindo o mundo, a criação e invenção do Tamborzão

 

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Moreira – “Michael Douglas” foi citada na penúltima pedrada do Criolo, “Sistema Obtuso”, o que achou? Qual foi a sua interpretação dos versos dele? E o próprio Michael Douglas elogiou e comemorou aniversário com a música. Saiu bem de controle, hein? Risos.

João Brasil – Saiu completamente do controle rsrs. Eu adorei a citação do Criolo, em tom crítico e necessário. Gosto muito do trabalho dele. O Michael Douglas e a Catherine Zeta-Jones já viraram família rsrs. Sempre comemoram o aniversário deles (eles fazem aniversário no mesmo dia) com a minha música.

João do Mundo: Funk das lendas brasileiras vol.1

Moreira – E esse EP que você lançou pela Kondzilla, com as lendas brasileiras? Tem mais planos com música infantil? Suas filhas não param de crescer. Têm habilidades musicais? Tem uma foto sua com elas? Muito lindas. E esse cabelo da série? Nunca mais, né?

João Brasil – Pois é. Senti necessidade da existência de funk para crianças, as letras geralmente são pesadas para elas. E as crianças amam as batidas. A minha ideia é também educar por meio do funk. Tenho duas filhas, a Maria estava aprendendo sobre as lendas brasileiras na escola e aí pensei: ótimo jeito de começar! Esse primeiro projeto é cobrir todas as lendas. Já tenho quatro até agora: Funk do Saci, Curupira, Dança do Lobisomem e Cabra Cabriola. Quero, a partir daí, ensinar a escrever, ensinar línguas, processo criativo … tudo com a batida do funk. A Maria está mais para dançarina do que para musicista, ela tem 8 anos, e o TikTok é febre. A Amora tem um ano, mas já dá para ver que tem um ouvido muito bom, vamos ver rsrs. Prometo que esse cabelo nunca mais! rs

Abaixa que é tiro!💥🔫

Lembra que eu falei aqui dos meninos do Roça Nova? Sexta que vem, dia 22, chega ao streaming o excelente disco de estreia deles, “Tramoia”, ao qual eu já tive acesso. O disco corresponde à alta expectativa criada pelos dois singles já divulgados, “Roça Nova” e “Espírito Seco”,  misturando música caipira, ritmos afro-latinos e rock psicodélico. A capa, criada por ATM, traz nove quimeras representativas de cada uma das faixas do álbum. Tudo com colagens de elementos característicos da fauna, da flora e da cultura do interior de Minas Gerais. Dá pra fazer o pré-save aqui.

Para acompanhar o lançamento, eles vão soltar uma série de depoimentos dos integrantes, em três episódios, e descolei um preview para a coluna. A série será exibida no YouTube da banda, a partir do dia 22, com episódios dia 29 e 05 de fevereiro O primeiro episódio é sobre a atuação da banda, as referências dos integrantes e o processo de gravação e construção do disco. Aliás, eles estão com site novo e financiamento coletivo para imprimir o disco em vinil.

Quinta, dia 21, às 20h, rola a abertura do Festival Multiplicidade que eu gosto, do curador Batman Zavarese, este ano no YouTube, com mapping  sobre o Museu Nacional,  com Tom Zé e o japonês Daito Manabe

A programação segue na sexta, no mesmo horário, com Uyra Sodoma (AM), HEXORCISMOS AKA Moisés Horta Valenzuela (México), Dillon Bastan (EUA), Tornike Margvelashvili AKA Mess Montage (Georgia), os cariocas Renato Vallone e Carlos do Complexo (RJ) e Novíssimo Edgar (SP) que eu amo.No sábado, dia 23, é a vez de Hyemon Suk (Coréia do Sul), Genesis Victoria (Colômbia), Bianca Turner, Cashu & Mari Herzer e L_cio (SP) e Ana Frango Elétrico + Fernanda Massotti (RJ). Tudo termina no domingo, 24, com Ryoji Ikeda (JAP) e uma surpresinhaàs 17h .

Tem Planet Hemp no Circo Voador no ar, nesta sexta, 22h, revisitando show que a Ex-quadrilha da fumaça fez para o lançamento do filme “Legalize Já”, em 2017. Dá pra sentir a brisa daqui. E o finde tem mais lives, claro. Hoje, dia 15, tem Maestro João Carlos Martins e convidados, às 20h, e Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, às 20h30. Amanhã, sábado, tem DJ Alex Paz, pelo YouTube e pelo Twitch,às 20h,e Virada SP, a partir do meio-dia, com Sampagode convida Leci Brandão (19h30), Samuca e a Selva (21h) e Potyguara Bardo (23h30). No domingo, olha que maravilha, teremos Bjórk, às 17h.

Edu Castelo
Barbie2K
Fiu Carvalho
Maria Paju

Final de semana passado, perdi meu cabaço para podcasts com a primeira edição do programa da V de Viadão, o Control + V, desse guru cor de rosa que é o meu amigo Eduardo Castelo. Edu comanda papo com Barbie2K, DJ que ele mesmo preparou para a festa, e Fiu Carvalho, produtor gente boaça da V. Edu conta como não se encaixava nas festas gays que haviam então, com barbies, e que o único jeito foi criar o próprio rolê

O podcast é semanal, até meio de março, quando acaba esta primeira temporada. Hoje, entra o episódio 2, “A primeira vez (a noite)”, com Edu recebendo Matheus Mudat, ceramista e conje de Edu, Fiu Carvalho e Cadu Weaver, a drag Maria Paju, door da festa. A ideia é afirmar a importância dos espaços de sociabilidade para pessoas LGBTQIA+. Toda quarta-feira, Edu segue com o stream, no Twitch da festa, sempre às 22h, intercalando edições da V e da M de Melancolia.

Gal Costa
Dussek Veste Machete
Chico Buarque

Passei o meu domingo morando no canal do Youtube da gravadora Biscoito Fino.  Acabou de entrar um show de Chico Buarque, Na Carreira”, gravação do espetáculo “Chico”, e ainda é possível assistir ao mestre, com carinho, em “Carioca” e “Caravanas”. Me emocionei com Gal Costa dirigida, musicalmente, por Pupillo, em “A pele do futuro” e ainda vou assistir ao “Estratosférica”, arrepiei com Zeca Pagodinho e Maria Bethânia “De Santo Amaro a Xerém” e ainda curti a Sílvia Machete que eu gosto em “Dussek veste Machete”. E ainda tem mais coisa pra ver: Doces Bárbaros, Alcione, Gilberto Gil, Arthur Maia, Simone e Hamilton de Holanda, dentre maravilhas.

Essa eu vi no Instagram e achei bem legal: a Plasticine Produções fará concursos de drag queens, dia 17, e drag kings, dia 31. Tudo online, como exigem os tempos, e somente com concorrentes gordes no concurso Drag +. A pauta é a valorização e naturalização do corpo gordo na cena transformista, visto que o padrão branco-magro-cisgênero domina competições de todos os gêneros. A organização homenageia, no concurso, a transformista carioca Laura de Vison, ícone da cena underground do Brasil. A produção artística é assinada pelas drags Ashilley Extravaganzza (SP), Candy Boom (SC) e Miss Draga (SP). O concurso terá três episódios e será transmitido, aos domingos, pelo YouTube da Plasticine.

Playlist com as novidades musicais da semana. Clique aqui para todas as playlists.

Playlist com as novidades em clipes da semana, com a brisa maneira da Orquestra Voadora, Lana Del Rey, Marina Sena, Rubel, Akira Presidente, Leo Santana e Vitão, A$AP Rocky, Rhye, Kings of Leon, Raye, e +

Sexta Sei, por Fabiano Moreira

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