Sexta Sei: “Uma grande playlist vivendo no aleatório”, Natao ainda tem mais 16 anos esmiuçando todos os subgêneros musicais

Craque na edição de vídeos em motion design e DJ, ele transformou esses talentos em quadro que caiu nas graças da rede e teve quase 1,5 milhões de visualizações no último mês

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Nathao por Marco Shau na festa A Outra

O ubaense radicado no Rio Natao, 30 anos, virou figura frequente na timeline com o sucesso do quadro no qual esmiúça os subgêneros musicais do mundo, uma empreitada que pode levar 16 anos se ele fizer de três a quatro vídeos por semana. O quadro ganhou atenção pela qualidade do conteúdo, vivenciado, experimentado, mas também pelo humor e pela edição de craque em motion design, que transformam os vídeos em pequenas aventuras animadas e histéricas, quase on-acid. “Quando eu comecei a fazer isso, era mais no sentido de criar portfólio e, um dia, quem sabe, trabalhar com criadores que admiro e mostrar a minha capacidade de edição de vídeos, que é o meu trabalho CLT. Mas acabei me empolgando tanto que virou um prazer continuar descobrindo novos subgêneros e receber o feedback da galera sobre eles”, conta, em animado papo, por e-mail, aqui para a Sexta Sei. “Mas uns seguidores já fizeram um cálculo que, se eu soltar de 3 a 4 vídeos por semana, daria em torno de 16 anos ou mais de conteúdos. Ou seja, me aguardem bastante!”, festeja. Ele fez um top 5 com seus ritmos aqui pra página, com darkwave, electroclash, digital cumbia, hyperpop e rock doido, e contou sobre os trabalhos que têm pintado como produtor de conteúdo, em publieditoriais com a Palatavel Records e a Noize Records.

Foto: Marcos Shau

Moreira – De onde veio essa ideia de fazer essa “tour” com série de conteúdos sobre todos os subgêneros musicais do mundo? O que acho mais bacana é que é um conteúdo vivenciado, você realmente ouve, faz playlists, escolhe favoritas, mergulha no tema e parece estar se divertindo igual ou até mais do que a gente. Já sabe quantos ritmos serão? Qual o seu top 5 e o seu flop 5 de gêneros? O que descobriu de mais interessante e curioso até agora? 

Natao – O formato de conteúdo de roletas e sorteios de temas já se intensificava durante a pandemia. Era algo que eu consumia muito nessa época, mas nunca tive o estalo de fazer, até que eu vi um gringo (Blustre) que faz esse formato de roleta musical e me veio a ideia de sair da zona de conforto da minha bolha de pesquisa (pop, funk, eletrônico). Aí eu me perguntei: “Cadê o desafio? Por que não abrasileirar e dar o meu toque em cima disso?”. Mas, com medo de se tornar uma cópia dele, apliquei tanto a minha identidade que virou algo próprio, com um pouco de MTV das antigas e outros criadores que acompanho nas redes. Quando eu comecei a fazer isso, era mais no sentido de criar portfólio e, um dia, quem sabe, trabalhar com criadores que admiro e mostrar a minha capacidade de edição de vídeos, que é o meu trabalho CLT. Mas acabei me empolgando tanto que virou um prazer continuar descobrindo novos subgêneros e receber o feedback da galera sobre eles. Atualmente, catalogados, existem 6.000 subgêneros musicais, mas, a cada dia, um novo é inventado. Então pode ser que, se eu acabar essa cota, existam novos 6.000. Mas uns seguidores já fizeram um cálculo que, se eu soltar de 3 a 4 vídeos por semana, daria em torno de 16 anos ou mais de conteúdos. Ou seja, me aguardem bastante! 

Top 5: darkwave, electroclash, digital cumbia, hyperpop e rock doido. 

Flop 5: shittrap, bubblegum dance, electro swing, sigilkore e hardstyle.

Fotos: Rvikter

Moreira – Eu comecei a seguir a Palatavel Records por causa da entrevista com a Vera Fischer era clubber e vi uma publi contigo, achei super legal que o mercado já te veja como um formador de opinião nessa área da curadoria musical. Já virou um business? Ou mais uma frente?

Natao – Tenho uma parceria com a Noize Records e já falei sobre um dos meus discos favoritos, que é o primeiro do NoPorn. Entrevistei as Veras, de quem sou um grande admirador do trabalho. Fui chamado para fazer publicidade para duas festas de fora do RJ neste meu formato. Estou em parceria com o ZIG Festival do RJ para divulgar os shows. As últimas festas que fui chamado para tocar renderam bons vídeos falando sobre os seus temas específicos (alguns já saíram, outros ainda estão por vir). Ou seja, podemos dizer que as coisas estão acontecendo tanto como uma nova frente, como uma extensão do que eu já fazia, mas também como um business ainda em desenvolvimento.

Moreira –  Você tem formação em publicidade, com dez anos no setor. Esse know how te ajudou a formatar o quadro? Porque é uma aula de storytelling, com ritmo e humor. Você faz tudo sozinho? É bem a cara da sua geração saber fazer tudo.

Natao – Tenho dez anos de experiência no setor, mas não cheguei a concluir a graduação, que era de Letras em Inglês. Eu abandonei o curso quando morei por 1,5 ano em Salvador. Senti muita falta do Rio e, por ser de MG, era bem mais demorado para visitar a família.Cogitei transferir pra cá, mas a burocracia era muito grande para um curso com o qual eu não me identificava. Eu sempre me interessei por audiovisual, desde criança. Com 9 anos, ganhei uma câmera da Kodak e era contratado pelas mães dos amiguinhos pra fazer fotos e montagens em CD de recordação. Foi meu primeiro trabalho, ganhando 5 reais por evento. Com 17 anos, trabalhei no Brownie do Rafa, em Juiz de Fora. Era telefonista, mas também editava fotos, cuidava do Social Media, planejando posts, etc. Depois disso, teve o lance do curso de Letras, que fez eu me inserir no mercado de hotelaria. Em um hostel que trabalhei, tinha um site que precisava de atualizações semanais, tanto de layout, reservas, novidades, etc. Como eu era folguista, acabava fazendo isso no tempo livre, fazendo as peças que iam ser usadas. Eu ia fazendo e as pessoas gostavam. Com essa experiência muito pessoal e autodidata, acabei migrando para publicidade após a baixa da hotelaria no Rio depois das Olimpíadas. Comecei como auxiliar de designer numa gráfica, depois fui designer júnior em uma agência. Em 2017, comecei a me interessar por motion design, mas não tinha curso, faculdade, etc. Por ser uma coisa muito recente, comecei a estudar por conta própria, e aí surgiu uma oportunidade de ser designer e editor de vídeo numa agência. Comecei com isso lá por essa experiência “inovadora” e continuei estudando. Com o tempo, fui me profissionalizando no motion, que virou o meu ganha-pão até os dias de hoje. Sim, editar vídeo é a minha grande paixão profissional. Eu realmente amo explorar as possibilidades criativas dentro de um projeto, e poder fazer isso “sem regras” nos meus vídeos é impagável. Hoje em dia, a melhor coisa que você pode fazer é ser dono do seu próprio conteúdo, e vejo isso a partir dos meus dez anos no mercado de publicidade. Pois, querendo ou não, mesmo quando você tem uma visão artística ou ideais diferentes, quando você cria para terceiros, isso nunca é explorado ao máximo e, muitas das vezes, você nem consegue explorar um pouco disso. O caos dos meus vídeos vem muito disso. De ter sempre que criar coisas lapidadas, fechadas, regradas, é um ato de rebeldia criativa inspirado no anti-design e no brutalismo. Sim, em partes. Desde o roteiro até os comentários nos vídeos, sou eu quem faço. Mas acho importante agradecer o meu grande amigo pessoal e assessor, Jojotave, ou João Victor, que tem me ajudado na parte desse processo comercialmente, tentando contatos com marcas e agências, falando com contratantes e me dando ombro amigo em vários momentos de surto. 

Foto: Barbs

Moreira – A sua primeira experiência com música foi como DJ, trabalho que você tem desenvolvido desde 2016? Qual o seu estilo como DJ? Vi, pelas fotos, que costuma tocar na festa A Outra, do meu amigo e parceiro do extinto blog AgeMda, que eu tinha na Gema TV, quando ele fazia as capinhas das mixtapes, Eduardo Castelo, criador da V de Viadão, essa instituição, que vi nascer no La Cueva. Você também é residente da Cubensis, que tem esse nome gostoso, e já passou por pistas como Showmentaum, Buero (adoro o Spencer no X) e Discodeine, além de ter colaborado rádios, como Veneno (BR), Function FM (BR), Ola Radio (FR), Drum n’ Radio (BR) e RBL Berlin (DE). Como esse trabalho ajuda a desenvolver a sensibilidade e a crítica com a música?

Natao – Sim, eu já gostava muito de pesquisar e ouvir música desde sempre. Eu era aquele amigo do ensino médio que fazia a playlist pros amigos ficarem ouvindo nos rolês. Não era bem ser DJ, mas já era algo. Quando me mudei de vez pro Rio, em 2016, foi quando eu realmente me joguei nisso. Fui residente da Kevin, já produzi minha própria festa, já toquei em festas com estilos diferentes, mas eu me considero aperfeiçoado como DJ em 2022, que foi quando comprei o meu primeiro equipamento e pude treinar e estudar de maneira mais certeira em casa. Mas já tive a minha controladora DIY, que era com fliperama. Vou mais pra uma vertente de música eletrônica latina, mas comecei no pop, já fui do techno, já experimentei muito do funk e acho que, por fim, eu apenas toco música boa e o que meu coração ou os contratantes me pedem no dia. Me considero uma grande playlist vivendo no aleatório. Sobre o Edu, sempre fui um frequentador assíduo da VDV desde os tempos do La Cueva. Toquei na Outra uma vez e este mês vou tocar na M de Melancolia especial de Halloween com ele. É um prazer poder dividir a CDJ com quem vem fazendo história na cidade do Rio. A Cubensis é uma filha de vários pais e mães. Phill e Juniel são os CEOs e eu, Mariah e Jonatas somos os residentes. Todos amamos e nos entregamos de corpo e alma a esse projeto de música eletrônica que tanto amamos. Foi um prazer ser chamado pra Showmentaum, que é de uma pessoa tão incrível quanto minha amiga pessoal “Cle”. Foi uma das festas que mais me diverti tocando em B2B com o Bout, que eu acompanhava desde antes de me mudar pro RJ. Eu e o Spencer nos conhecemos da internet, mas criamos uma proximidade por conta da Cubensis e foi representando ela que pude tocar na Buero, que sempre admirei e tinha desejo de tocar. Discodeine é um coletivo de artistas e DJs aqui do RJ que tivemos uma parceria na Cubensis. E foi na edição “Discubensis” que fui convidado pra ser residente da Cubensis, depois de 3x tocando na festa. Queria agradecer a todas as festas e rádios que me convidaram, pois é sempre um prazer poder expressar a minha arte dentro de um novo mundinho. A sensibilidade sempre existiu, pois vem do gosto musical, e sobre a crítica, ao invés de me limitar a nichos, ela me apresenta novidades e me faz revisitar estilos já conhecidos com um novo olhar. 

Foto: Victor Araújo

Moreira – E quando acabarem os subgêneros musicais? Vai deixar bater uma solidão ou já tem um projeto em mente para seguir sendo uma fonte do setor de música. Eu quero continuar recebendo informação processada por você. 

Natao – Como falei lá na primeira pergunta, tenho 16 anos de conteúdos de subgêneros pela frente ainda, então pode ficar tranquilo. E sabemos que, com certeza, muitas novidades musicais ainda vão surgir nesse tempo. Mas sim, já tenho outros projetos que estou desenvolvendo. Conteúdos sobre cultura pop pro YouTube, talvez lives produzindo ou tocando músicas, talvez eu crie um festival ou seja contratado por algum (emanando). Minha cabeça é muito conturbada pra ficar presa a uma coisa só, então nem eu sei muito o que esperar, mas sempre vai ter algo aqui dentro.

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Artes por Rafael Símba

Cofundador do importante coletivo Jamaicaxias, que atua com dancehall na Baixada Fluminense desde 2016, o cantor, compositor e MC carioca KBrum, que fez feat com Anitta em “Sal Grosso”, no álbum “Equilibrivm II”, lançado em julho, estreia em álbum com “Raggaleluia”. O título nasce da junção de “ragga” com “aleluia” e resume o espírito do álbum de gratidão por um gênero que atravessa a vida e a carreira do artista. “O reggae me salvou, é um milagre mesmo eu poder estar fazendo isso”, comenta. Enquanto a primeira parte do volume reafirma essa base musical, com influências de O Rappa, Lauro Farias, KMD5 e Ras Bernardo, a segunda parte mergulha e investiga os desdobramentos do ritmo em faixas que trazem elementos como rock, grime com samba raiz, dancehall, jungle com drum and bass, R&B dos anos 2000 e MPB com amapiano (gênero de música eletrônica originário da África do Sul que mistura deep house, jazz, kwaito e soul), até fechar em “Raggaleluia”, faixa-título que reúne coral e participação de Clara Ribeiro num canto de perseverança. O volume também tem participações de Maui, Maskotte, o sextante Chediak, Gugs e Ludom, reforçando a proposta de sobreposição de gêneros.

Kbrum por Wander Scheeffer

Eu tenho adorado acompanhar a trajetória do baiano radicado em São Paulo Kalef Castro, “seu puto favorito”, como ele mesmo se apresenta, em uma espécie de assinatura sonora, em suas faixas. Depois de estar no clássico “Putífero”, com clipe com a participação de produtores de conteúdo adulto, e também de “Putífero Pro Max”, ambas iniciativas do kingo Dornelles que se tornaram marcos de nossa época, integrando toda uma nova geração de artistas LGBQTIA+, ele chega com o EP  “Faminto Vol.1”. “Esse EP representa uma nova era para mim como artista do funk. Quero me permitir misturar, experimentar e criar coisas que talvez eu ainda nem saiba nomear”, conta. O artista parte do funk para explorar novas possibilidades sonoras, aproximando sua identidade de referências como música eletrônica, tribal, guaracha e latincore. A diversidade já vem da parceria com novos produtores dessa novíssima geração, como a sextante Clementaum, 2AT, Rafael Rosa, Cartho, Levysso, Laza, Guijay, Flor Music, Anndhy Becker e Izzy Silva. “São muitas mãos em um mesmo projeto, mas tudo conversa com essa transformação de ser um funkeiro experimentando algo mais eletrônico e experimental”, conta Kalef. A faixa no foco, que foi pra playlist de hoje, é “Catucada”, que resgata vocais de seu primeiro sucesso “Catucadão”, agora em uma nova leitura ao encontrar o universo da música eletrônica latina, do tribal, do latincore e da guaracha, com participação de Clementaum e produção de 2AT. Com mais de 7 milhões de streams acumulados, Kalef amplia sua pesquisa musical, mas sem abandonar as raízes do funk.

Fotos por Adson Ramalho
Pequeno Cidadão por Rogerio Alonso
O canadense Chris McKhool em foto de Jeff Fasano
Ana Pê, Daniela Spielmann, Luiz Brasil, Beatriz Rabelo, Bruno Ganem e João Rafael.

Já tem um tempo que estou juntando lançamentos voltados para o público infantil para este post pré Dia das Crianças, dia 12. Nesta sexta (9), a banda Pequeno Cidadão, formada pelas famílias do guitarrista ⁠Edgard Scandurra, do Ira!, e Taciana Barros, da Gang 90, e seus filhos e sobrinhos, lança “Cara de abacate”, com um solo de arrepiar de Scandurra e a menção à tradicional brincadeira de batuque corporal, transmitida pela tradição oral, um jogo de palmas e percussão. Parece fácil, mas exige concentração, coordenação e memória. Depois de explicar o jogo, a banda transforma a canção em um rock psicodélico com sabor dos anos 1970, quando a guitarra aparece, gloriosa. A banda apresenta a novidade nos shows “Pirou na batatinha” no sábado (10), no Sesc Pompeia, no domingo (11), no Sesc Bauru, e no dia 12, no Sesc Interlagos.

O músico canadense Chris McKhool está preparando o lançamento de seu próximo álbum, “Global dance party!” para 6 de novembro. No aquecimento, ele lançou os singles “Animal Samba”, com um convite à percussão manual e às palmas no estilo flamenco, e “Party in the street”, que celebra a linguagem universal da música e convida as crianças a explorar os sons, ritmos e tradições, inspirado nas tradições vibrantes do Mardi Gras e do Carnaval. No ano passado, ele foi indicado ao Juno, o prêmio de música canadense, pelo álbum “Little Leaf” (2025).

Esta sugestão chegou pela Groover e, apesar de ser um lançamento de 2024, conquista pelo grito punk rock de “No mas bullying”, da banda Los Machinga, do Chile, um grupo familiar formado por Felipe, o pai, no baixo, e os filhos Cristobal, 6 anos, na bateria, e Josefa, 3 anos, nos teclados. 

Também chegou pela Groover o álbum “Músicas para brincar, ventar e voar!”, que nasceu da experiência da artista-docente Ana Pê que transforma vivências reais em matéria-prima para composições que abordam, de forma lúdica e poética, questões fundamentais sobre os desafios do crescer. Atriz, diretora, performer, artista visual, pesquisadora e arte-educadora com mais de duas décadas de atuação, Ana Pê reafirma, neste trabalho, seu compromisso com temas urgentes relacionados à arte, à infância e à saúde mental. O álbum traz marchinha, xote, rock, blues, MPB, baião, ska com produção musical de Luiz Brasil.

Falando em repertório infantil, alguns álbuns são fundamentais, como a nova “Arca de Noé” (2013) de Susana Moraes, com grandes nomes da MPB reinterpretando e atualizando os clássicos de Vinícius de Moraes para as criancas, os álbuns da banda Tuyo e da Filarmônica de Pasárgada que recriam o dia de uma criança, em “Quem eu quero ser” e “Música infantil para crianças malcriadas” e a nossa Adriana Partimpim com seu último EP, “O Quarto”.

O agendão das maravilhas segue nos destaques do meu Instagram, separado por cidades, e em thread infinita no X.

Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta, com álbuns de Heloá, Vacations, Gaê, Troye Sivan, Remi Wolf, Girl Ultra, Kbrum, EPs de Kalef Castro, Jack Depoli, Júnior. Todas as playlists de 2025, 2024, 2023,  2022, 2021 e 2020 nos links

Para melhores resultados, assista na smart TV à playlist de clipes com Boys Noize + ZEP, Madonna + Charli xcx, Pedro Sampaio + Katseye, Tokischa, FKJ, Vacations, Dani Bessa, Pole Position + Steven Jones (Tim Engelhardt Remix), Romeo Santos + Prince Royce + Dalvin La Melodia, Adriano Grineberg, Meshell Ndegeocello + Brandi Carlile, Zoe Ko, Dead Poet Society, Teed, Morten + Kream, Motörhead, Troye Sivan, Megan Thee Stallion, Drake + Don Toliver, Yebba, Guitarricadelafuente, L’eclair, Charles Tixier, Max Cooper, Omah Lay, Yannick Belchior, PNAU 

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