Sexta Sei: Giovani Cidreira faz música a partir do encontro com o público em “Coração Disparado (ao vivo)”

Álbum tem direção artística de Rodrigo Gorky, que já morou no Granbery, e produção musical do parceiro de longa data Benke Ferraz

por Fabiano Moreira
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Show de estreia de "Coração disparado", no Sesc Pompeia, em lindas fotos de Camila Macedo

Essa sexta-feira (26), às 20h, será especial, pois Jufas recebe o primeiro show do baiano Giovani Cidreira, 35 anos, apresentando, no Maquinaria, o repertório de seu recém-lançado álbum,  “Coração disparado (ao vivo)”, gravado em maio na Casa de Francisca, em São Paulo. Aqui nas Gerais, será noite de tranças com a rapper carioca Ju Dorotea, que também está na tour de divulgação do bem falado ‘’Oh nóis aqui’’, lançado em abril de 2026, com mistura de rap, afrolatinidade, funk e outras sonoridades da música urbana, acompanhada do DJ Josafá. Pra acontecer ainda mais, o acontecimento ainda tem a passagem relâmpago pela cidade de Waguinho MPBDoll, nadador, assessor de imprensa e pesquisador da nova música brasileira no quadro de instagram #cejáouviuisso, meu post mais visto em 2024. Falamos, por aúdios de Whatsapp, sobre como esse álbum “Coração disparado” é sobre o palco, a música ao vivo e estar com as pessoas, já que ele, Gio, não é muito de se instagramar. “E é sempre muito motivador e emocionante toda vez que as pessoas aparecem, cantam uma música e vão aos shows, né? Realmente, a minha vida não seria a mesma se não fosse isso”. Também falamos sobre as parcerias com Gorky, que assina a direção artística do álbum e que ele conheceu durante a gravação do “Carranca”, de Urias, e com Benke Ferraz, parceiro desde “Mix$take” (2019) mas pela primeira vez compondo simultaneamente juntos. Também falamos sobre as tranças, afirmação de negritude. “É importante para a gente, que é gente preta, estar sempre muito alinhado e sempre muito bem vestido, bem apresentado. Porque nós já sofremos muito preconceito, e eu aprendi que seria muito fácil me confundir ou me colocar em lugares de humilhação se eu não tivesse me preparado, pronto, de cabeça erguida”, arremata.

Fotos de Bruno Prada

Moreira – Seu último álbum, “Coração disparado (ao vivo)”, gravado na Casa de Francisca, em São Paulo, traz a perspectiva de o encontro com o público ser o ponto de partida da criação. Como o contato com o público transforma a sua música? Aqui em Juiz de Fora, a promessa é de muito contato, pela natureza do palco do Maquinaria, que é um estúdio de gravação, não tenha que vamos estar bem pertinho.

Giovani Cidreira – Esse disco, “Coração disparado” ele é essencialmente sobre o palco, né? O meu encontro com o público, por isso que ele foi gravado ao vivo, queria registrar essa faceta, esse encontro mesmo. E é sempre muito motivador e emocionante toda vez que as pessoas aparecem, cantam uma música e vão aos shows, né? Realmente, a minha vida não seria a mesma se não fosse isso. E eu sinto que eu não sou, assim, um artista do Instagram, da publicidade, dessas coisas. Então, eu preciso estar com as pessoas mesmo. E por isso, botar o violão debaixo do braço e seguir. Eu também pensei nisso quando pensei em um disco voz e violão, também pensei nessa circulação e de como estar cada vez mais perto das pessoas mesmo.

Em foto de Ariela Bueno no Tiny Desk Brasil

Moreira – Que curioso o Gorky estar na direção artística do projeto “Coração Disparado”. Primeiro, por sua trajetória estar mais ligada à música eletrônica, com Bonde do Rolê, Pabllo Vittar, Urias, Clementaum, Number Teddie, e também por ele já ter morado aqui em Juiz de Fora. Estava pesquisando aqui, e nos conhecemos há, pelo menos, 17 anos, quando fiz esse vídeo do Bonde do Rolê em uma roda de pagode com travestis no Cantagalo, no Rio. Como foi trabalhar com ele e quais as suas principais contribuições?

Giovani Cidreira – Bom, eu conheci Gorky nesse fluxo que ele me chamou para gravar e para compor algumas músicas para o disco de Urias e, nesse momento, a gente já trocou muita figurinha, muita afinidade de referências musicais e tudo. E a gente começou a trocar essa ideia e começamos a trabalhar juntos mesmo. Ele foi direcionando o tipo de composição que eu devia fazer também com Urias e, conceitualmente, o que seriam elas também. E, já naquele momento, já admiramos o trabalho um do outro ali, fazendo juntos. E foi uma coisa natural a gente correr para esse disco, o “Coração disparado”. E Gorky me ajudou muito na construção de um repertório. De certa maneira, influenciou também o modo como eu compus algumas músicas. A medida que ele ia se envolvendo e me trazia provocações e desafios musicais, mesmo como ouvir determinadas músicas ou tentar fazer músicas diferentes do que eu já tinha feito até então, e explorar outras linguagens assim, e mesmo esteticamente também, então foi bem marcante, bem definitivo, bem certeiro e deixou uma marca bem presente nesse trabalho.

Moreira – E como é trabalhar com o Benke Ferraz, seu parceiro de longa data, que assina a produção musical do álbum. Como é troca entre vocês e o que é de mais importante que ele traz ao projeto?

Giovani Cidreira – Eu e Benke estamos juntos desde 2018, uma “Mix$take”, desde então fazemos praticamente tudo junto. E há muita troca de ideologia mesmo, de visão de como podemos vender a música de outro jeito, né? E uma afinidade no que diz respeito a um modelo, ou nossa opinião sobre os modelos de mercado da música. A gente entende que a gente precisa fazer só nosso próprio caminho mesmo. E nesse disco, mais uma vez, ele está nas ideias e também executando esse papel mesmo de direção musical, de produção musical, de botar a mão na massa com a música mesmo. E o que a gente fazia muito era modificar a estrutura das músicas nos outros trabalhos que fazíamos juntos. E nesse, a gente começou a compor junto mesmo, né, assim, algo que a gente não tinha feito. E continuamos, inclusive, a compor músicas e mais músicas pensando nesse projeto que é o “Coração Disparado”.

Moreira – Neste show, também teremos canções de “Carnaval eu chego lá”, lançado em novembro com a sua visão da obra de Ederaldo Gentil, um dos mais importantes nomes do samba da Bahia? Qual foi a importância desse álbum dentro da sua discografia? Eu estou doido para ouvir o álbum do Vandal, que participa em “Feira do rolo”.

Giovani Cidreira – Olha, o disco de Ederaldo foi um grande acontecimento pra mim, porque eu tava num momento de ínterim, não sabia exatamente o que ia fazer com composição, tava meio travado. E essa ideia veio num bom momento de interpretar músicas dele. Na verdade, toda a genialidade, toda a poesia ferina, moderna, tudo já existe ali na obra de Ederaldo, que a gente fez foi só jogar um holofote de novo nisso, mais uma vez, né? E eu fiquei muito feliz de representar esse artista, né?

 Que me identifico muito com o Ederaldo, né, é um tipo de artista que não faz concessão, que foi prejudicado também pela sua cor, pelas suas posições com as gravadoras, né? Mas acredito muito também nessa retidão com o trabalho. Com a arte, né? E eu fiquei muito feliz com o resultado mesmo que eu e Mahal e Filipe conseguimos, Filipe Castro e Mahal Pita, conseguimos fazer desse disco, né? Que era deixar as músicas de Ederaldo também com a nossa cara, né? Assim, com o nosso jeito também, né? Eu acho que só a gente podia fazer isso mesmo, porque a gente veio de lá, a gente conhece as pessoas, o povo, né? E crescemos no mesmo lugar que Ederaldo. Infelizmente, não tô tocando nos shows as músicas desse disco, mas se você estiver lá, eu vou reconsiderar.

Capa de "Carnaval eu chego lá" por Vine Ferreira

Moreira – Suas tranças são lindas e também uma forma de expressão artística, né? É você mesmo quem faz? Existe toda uma cultura e uma arte das tranças, né, como expressão da negritude. Eu morro de rir com “Branca de trança”, do Caxtrinho.

Giovani Cidreira – Eu adoro Caxtrinho, sou suspeito, e obrigado por que você gosta das tranças. Todas as coisas, todos os cabelos que eu ponho, todas as roupas, acessórios, tudo é uma maneira de comunicar também. Primeiro de expressar quem eu estou, quem eu sou nesse dia, e também de me posicionar, de colocar meu corpo. Eu cresci na periferia, era muito difícil, mesmo adolescente, colocar um cropped top e sair na rua, ou pegar um ônibus lotado em Salvador, e sempre exerci isso como uma maneira mesmo de me impor meu corpo, meu jeito perante preconceitos e do que quer que seja. E também é importante para a gente, que a gente preta, estar sempre muito alinhado e sempre muito bem vestido, bem apresentado. Porque nós já sofremos muito preconceito e eu aprendi que seria muito fácil me confundir ou me colocar em lugares de humilhação se eu não tivesse me preparado, pronto, de cabeça erguida. Então também se vestir bem, ter coisas também tem a ver com isso, com você, enfim, tá mesmo de cabeça erguida e tá preparado.

🌊🪼🫧🐚𓆝𓆟 Como uma onda no mar 𓆞𓆝𓆟𓇼🪼🫧🐚🫧🌊

O músico e produtor capixaba Giu Lenda, que já tinha sextado, aqui, com o single “Recordista mundial se o doping fosse esporte” volta esta semana com “Cocum”, que explora distopia pós-industrial e trip-hop sombrio. Entre timbres cheios de saturação e uma atmosfera cinematográfica de horror, a faixa traz mais uma peça para o quebra-cabeça da assinatura estética do artista. Nascido em Vitória (ES) e radicado em Barcelona, Giu Lenda carrega uma trajetória que atravessa diferentes cenas e linguagens musicais. Na nova carreira solo, ele reúne experiências em outras bandas à sua identidade própria, com groove, experimentação e letras que transitam entre crítica social, visões proféticas e caos urbano. “Cocum” transforma o apocalipse em uma sátira grotesca, usando imagens absurdas, violentas e quase cartunescas para retratar uma humanidade anestesiada diante do próprio colapso. A canção mistura referências à ficção distópica, fanatismo religioso, degradação ambiental e alienação coletiva, desenhando um cenário pós- industrial em ruínas onde o fim do mundo já começou, e a normalização do caos ocupa o lugar do instinto de reação.
  

Arte Capa: Bernardo Winitskovisky / Estúdio CRU
Foto: Jhenesson

O trio multinacional Riviera Gazque une integrantes de Sonic Youth (o baterista Steve Shelley), Forgotten Boys (o guitarrista e vocalista Gustavo Riviera) e banda de Pitty (o multi-instrumentista Paulo Kishimoto), prepara o lançamento de seu segundo álbum, “Catacroma”, para o dia 20 de agosto, com o single que antecipa o volume, “Monomania”. A faixa passou pela última playlist sextante do streaming, e o disco vai ter vinil pela Vampire Blues. A canção soa como uma trilha sonora de um road movie, com paisagens em constante transformação e cores mutáveis e um ritmo constante que conduzem o ouvinte a um futuro pós-industrial. “‘Monomania’ é uma celebração à obsessão”, conta o vocalista e guitarrista Gustavo Riviera. “Traz um mundo onde desejos irracionais, sonhos impossíveis e fixações pessoais são incentivados. Dentro do território da obsessão, da mania, de um convite a se entregar aos seus ‘sonhos psicóticos’ e confiar no impossível”. Desde sua formação, em 2016, o grupo vem construindo uma consciência coletiva psicodélica na qual riffs de fuzz, energia glam rock, experimentações de estúdio sem medo e grooves inspirados em Can se fundem para criar novos e instáveis elementos sonoros.

Riviera Gaz, que é Gustavo Riviera, Steve Shelley e Paulo Kishimoto por Lucca Miranda
Capa por Julia Morgado

O “Colírio” da Capricho ficou tropical e perigosamente underground nas fotos de divulgação do compositor, produtor, cantor e violonista neotropicalista mineiro Lince para seu novo single, “Solo por ti”, em parceria com a cantora colombiana Paulina Ocampo, que acaba de chegar. A faixa fala sobre sentimentos que só existem quando estamos longe de casa. “A saudade ganha novos contornos: deixa de ser apenas ausência e se transforma em memória viva, feita de cheiros, gostos, impulsos e afetos que insistem em permanecer”, explica o artista. A canção nasceu do encontro entre dois artistas latino-americanos vivendo nos Estados Unidos, em Los Angeles, onde se conheceram durante o período em que estudavam na mesma faculdade. A faixa é um bolero com uma atmosfera marcada pela delicadeza e pela tensão emocional. Paulina trouxe referências de boleros e bambucos ouvidos durante a infância na Colômbia, enquanto Lince parte da tradição da música popular brasileira. No instagram, Lince conquistou uma base fiel de admiradores por seu lado mais espirituoso e pelas versões inusitadas de músicas conhecidas. Filho do músico e publicitário Jorge Netto, conhecido nos anos 2000 por suas bem-humoradas “músicas de sacanagem” e participações no Programa do Jô. Após os singles “Prevaleça”, “Talvez” e “Solo Por Ti”, Lince prepara novos lançamentos para 2026, incluindo parcerias com nomes da cena alternativa brasileira, como Valentim Frateschi e Clara Bicho.

Lince por Julia Morgado

O agendão das maravilhas segue nos destaques do meu Instagram, separado por cidades, e em thread infinita no X.

Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta. Todas as playlists de 2025, 2024, 2023 2022, 2021 e 2020 nos links

 

Para melhores resultados, assista na smart TV à playlist de clipes com Willow, Jon Batiste, Angèle, Linn da Quebrada, Jazzy + Chris Lorenzo, MNEK, Larissa Luz, Bebé + Ana Karina Sebastião, FKA twigs + Lil Yachty, Placebo, Sam Smith, Clean Bandit + Biig Piig, casi, Arquelano, Chlöe + Timbaland, Amanda Sarmento, Riviera Gaz, Tristan!, D$ Luqi + enmiosis, Mumford & Sons, Original Koffee + Skillibeng, Supermini + Frankie Roman (Antdot & Maz Edit), Jonabug, Chico Buarque + Mônica Salmaso, Kelsey Lu, MC Hariel + Menor da VG + Kadu + PH + Traplaudo + Pedro Trick + Lugu + DJ Pereira, Flor ET, Chlöe + Timbaland, earthsign chels, Busy P + Myd + twinsmatic, Ca7riel e Paco Amoroso, Alewya, Dizzee Rascal, Tierra Whack, Julia Holter, Masego, IDID, Channing Places In The Fire, Frost Children, Chico Bernardes, Major Lazer  + Tokischa, Beabadoobee, sace6, Benson Boone, Katy Perry, Phoebe Ridgers, Fresno,

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