Há dois anos, jornalista e fotógrafo paulista Vinicíos Rosa, 25 anos, cria imagens impressionantes, uma arquitetura móvel que interrompe a realidade com inspiração orgânica que brilha nos palcos de festas como a Mamba Negra e a V de Viadão, rumo às galerias de arte
por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com
Há dois anos que o fotógrafo e jornalista Vinicíos Rosa, 25 anos, dá vida à Galezya, “o encontro da árvore do mato com a batida do techno”, na “engenhosidade de transformar isopor e tecido em divindade”, como ele mesmo define, em bate-papo aqui pra primeira Sexta Sei do ano. Em festas como a Mamba Negra, V de Viadão e Tres4, ele vem apresentando performances de alto impacto visual que criam imagens poderosas, imaginativas, germinantes e orgânicas, pois inspiradas na Gallesia, o pau-d’alho ou ainda árvore-de-alho, catinga-de-gambá e pau-fedorento, típico de São João do Pau D’Alho/SP, aonde morou até a adolescência. “Os 17 anos que morei nesse sítio foram de bastante desconforto e repressão por eu ser uma criança e um adolescente LGBTQIAPN+. Ninguém ali me entendia e eu sempre fui podado, como uma árvore”. “Minhas referências são um emaranhado onde o mato encontra o asfalto e o ancestral abraça o sintético”, me conta. Sobre a expansão do trabalho de arte para outras plataformas artísticas, como a fotografia e a videoarte, ele faz planos. “A fotografia é onde o efêmero da performance se cristaliza em algo que pode, sim, ocupar as paredes de uma galeria. Sim, eu penso constantemente em ir além. Vejo meu trabalho desaguando em instalações imersivas (onde o público sentirá as texturas que eu uso) e em videoarte de longa duração ou até mesmo numa turnê”. É só esperar que germina.
Moreira – Adoro acompanhar os vídeos de processo da criação do figurino de suas performances com materiais relativamente ordinários (como manta acrílica, arame, tecido e bexigas), como o “Arrume-se comigo” para a Mamba Negra, ou o da SilvertapeCamp. Um dos mais hilários é o da sua volta de metrô da Mamba, as pessoas devem ter surtado, rs. Como você costuma mostrar o rosto no Instagram, acredito que não tenha problema em perguntar o seu nome e idade, que não vieram no release. Ou prefere que a gente te reconheça, “mas não conheça”, como também veio no release? “Você não verá meu rosto porque também não o vejo. Estranha, sem rosto e experimental”. Sem dúvidas, seu corpo é a plataforma da sua expressão artística, né? Achei bem forte a sua frase no release, “Não quero ser produto porque me preencho pelo processo”. Mesmo assim, além da performance, seu trabalho se desdobra em vídeos, que você mesmo edita, e fotografias, que podem ser levados às galerias de arte. Pensa em ir além da performance? Seu trabalho, realmente, é arte, e das boas.
Galezya – Embora eu não esconda o rosto rigidamente no dia a dia, no contexto da obra eu prefiro sustentar o “reconhecer, mas não conhecer”. Quando digo que sou “estranha, sem rosto e experimental”, é um convite para o público desviar o olhar da identidade biográfica (quem eu sou, de onde venho, quantos anos tenho e por aí vai…) e focar na identidade plástica. Para mim, o rosto funciona como uma âncora. Por isso, ao cobri-lo, eu permito que o corpo vire escultura, bicho ou algo novo, zerado. Quero que a obra fale por si, sem as expectativas que um nome, um gênero ou uma idade carregam. Além disso, fico feliz que a frase sobre não querer ser “produto” tenha te tocado. Hoje em dia, eu observo que existe muita pressão pela entrega final impecável. Para mim, o vídeo de processo de criação ou o vídeo no metrô, por exemplo, são tão vitais quanto a performance em si, porque neles reside a vulnerabilidade da matéria. A manta acrílica e o arame são mundanos, mas o esforço de habitá-los é o que me mantém viva artisticamente. Eu gosto muito de usar materiais não convencionais ou em desuso, principalmente para ressignificá-los com técnicas de DIY e upcycling. Muitas vezes, seleciono esses materiais por serem acessíveis ou por serem de fácil transporte. Você também tocou num ponto central para mim: a transmutação. Embora o corpo seja a minha plataforma primária, eu entendo o vídeo e a fotografia não apenas como registros, mas como extensões da obra. A edição de vídeo é onde eu controlo o tempo e o ritmo da estranheza. A fotografia é onde o efêmero da performance se cristaliza em algo que pode, sim, ocupar as paredes de uma galeria. Sim, eu penso constantemente em ir além. Vejo meu trabalho desaguando em instalações imersivas (onde o público sentirá as texturas que eu uso) e em videoarte de longa duração ou até mesmo numa turnê. A performance é o ponto de partida, mas o destino é qualquer suporte que suporte o estranhamento que eu gero.
Moreira – Não mostrar o rosto é parte essencial do formato que você criou, né? Cria todo um mistério e te transforma em uma tábula rasa, em branco, uma plataforma para se transformar no que quiser. Me fala mais sobre essa questão de criar imagens além do próprio corpo e do impacto que essas criações têm nas pessoas.
Galezya – Sim! Ao apagar o rosto, eu retiro o eu para o outro projetar o que quiser. O rosto humano é viciado em buscar microexpressões de emoção (tristeza, alegria, raiva)… Sem ele, o público entra em curto-circuito e é obrigado a olhar para o volume, para a textura e para o movimento. Para mim, essa criação de uma nova imagem/forma opera em três pilares. O primeiro é a desumanização como liberdade. Quando uso materiais como a manta acrílica ou bexigas, meu objetivo é atingir o que chamo de “estranhamento produtivo”. Eu deixo de ser um corpo com uma idade e uma história, para me tornar uma silhueta. Isso me permite ser uma nuvem, uma criatura abissal ou um monte de lixo espacial. Essa “tábula rasa” que você mencionou é o meu superpoder. O segundo é o impacto no outro vai do medo ao fascínio. O impacto nas pessoas costuma seguir uma trajetória curiosa, especialmente em espaços públicos como o metrô: eu observo que existe uma reação instintiva ao que é desconhecido, pois como não há rosto para ler as intenções, as pessoas sentem uma pontada de incerteza. Além disso, logo depois, surge o desejo de tocar e entender do que aquilo é feito. Eu percebo que as pessoas voltam a ter um olhar de criança, sabe? Tentando decifrar um enigma visual.
Algumas pessoas se sentem tocadas pela estranheza e muitas outras sentem medo, por exemplo. É como se a minha desconfiguração desse permissão para que elas também se sintam fora do padrão por alguns minutos. Amo! S2. A terceira é a imagem além do corpo. Eu não estou apenas vestindo uma roupa. Estou construindo uma arquitetura móvel. Para mim, o impacto visual vai além do meu contorno físico porque eu ocupo o espaço de forma invasiva, abrindo alas. No figurino de bexigas, por exemplo, o som do atrito e o volume exagerado criam uma imagem sonora. Na VDV, o reflexo da luz transforma o ambiente ao redor. A imagem final não é “uma pessoa fantasiada”, mas sim uma interrupção da realidade. Eu quero que as pessoas se perguntem por um segundo se o que estão presenciando é real ou um glitch (erro súbito) na rotina. É como se eu me tornasse uma escultura viva que se recusa a ser domesticada pela identidade. Eu amo pensar sobre essas teorias kkk.
Moreira – Você é de Bauru, aonde participa da festa Tres4? Eles se orgulham bastante de você na bio do Instagram. Conheci o seu trabalho pelas performances na Mamba Negra e na V de Viadão. Como foi a escolha do seu nome artístico? Gallesia é pau-d’alho, “árvore típica de onde você cresceu e se escondeu”, ou ainda árvore-de-alho, catinga-de-gambá e pau-fedorento, aqui em Minas. Combina bastante com as suas autodefinições no release, “endêmica de longe. Do interior do mato. De onde pau-d’alho virou gallesia que virou Galezya”. Bem dominguiniana.
Galezya – Que leitura certeira e meio que botânica você fez! Sim, foi a Tres4, em 2024, que me permitiu testar as minhas primeiras estranhezas num palco. Esse coletivo foi e ainda é fundamental para a minha trajetória, pois foi ali que entendi que o interior do estado de São Paulo tem força própria. Sim, moro em Bauru desde 2018. Me mudei para cá para estudar jornalismo na UNESP. Antes disso, eu sempre morei em São João do Pau D’Alho/SP. Eu morava com meus pais num sítio, onde são caseiros até hoje. Eu sou o filho do meio. Tenho um irmão mais velho e uma irmã caçula. Os 17 anos que morei nesse sítio foram de bastante desconforto e repressão por eu ser uma criança e um adolescente LGBTQIAPN+. Ninguém ali me entendia e eu sempre fui podado, como uma árvore. Eram trejeitos criticados, tons de fala problematizados, escolhas questionadas. A cada dia era uma crítica, uma bronca, uma violência sobre a pessoa que eu estava me tornando. Enfim… Em meio a pressão e julgamento, eu sempre me escondia. E, na maioria das vezes, era atrás de um pé de pau-d’alho, bem longe de casa. Era escondida atrás dessa árvore que eu encontrava um lugar seguro para brincar do meu jeito, sem nenhum tipo de “regra” ou “correção” imposta pelos meus pais. Era brincando embaixo dessa árvore que eu vivia os momentos mais felizes e genuínos dos meus dias, especialmente durante a infância. Eu dançava, cantava, fazia bonecas de mato ou de espiga de milho, criava roupinhas e tudo mais… Os anos avançaram, a adolescência chegou e, em seguida, veio a universidade. Já em Bauru, na graduação na UNESP, eu tive contato, pela primeira vez, com muitas coisas legais: cidade grande, Drag Race, rolês universitários, cultura underground, debates políticos e raciais, etc..
Isso tudo culminou no meu TCC, a revista Casulo. Foi um trabalho no qual eu e mais dois colegas da universidade criamos uma revista para falarmos de temas do dia a dia em um futuro próximo, daqui há uns 50 anos mais ou menos. A ideia também incluiu a criação de uma persona agênero e sem rosto. Todos os temas foram explorados a partir da perspectiva dessa persona. Tempos depois do TCC concluído e aprovado, eu tive a oportunidade de participar de uma oficina de drag, promovida pelo Coletivo Vera Bauru, em 2023. Essa oficina dava dicas e orientações básicas sobre como ser uma drag queen, abordando make, performance e looks, por exemplo. Confesso que não me identifiquei muito com o que foi exposto durante a oficina, pois eu já planejava criar uma criatura diferente a partir dali. Essa etapa foi sim um momento de aprendizado, mas foi importante principalmente para fazer networking e criar conexões com a cena artística da cidade. Foi em 24 de agosto de 2023, no dia de conclusão dessa oficina, que eu, Galezya, nasci e vim ao mundo oficialmente. Neste destaque do Instagram você pode ver mais. De lá para cá, a história foi sendo construída e contada no meu Instagram. A escolha do nome Galezya é um processo de “reflorestamento” da minha identidade.
A Gallesia integrifolia — o pau-d’alho — é uma árvore que tem uma conexão genuína com a minha infância. Então, a escolha desse nome foi uma forma de homenagear o lado bom da criança criativa que eu fui um dia. Na real, eu acho que foi bem aí que Galezya nasceu, na minha infância. Ela só não tinha nome ainda kkk. Para mim, Galezya é tão pura, livre e espontânea quanto uma brincadeira de criança. Era ela que estava na minha imaginação quando eu tinha uns 8 anos de idade e ficava sassaricando para cima e para baixo como se estivesse num palco, só que, ao invés disso, na época, embaixo de um pé de pau-d’alho. Além disso, acredito que a troca de Gallesia para Galezya, do “llesi” pelo “lezy”, é a minha intervenção digital e urbana. Um neologismo. É o encontro da árvore do mato com a batida do techno, talvez? kkkk É a natureza sofrendo uma mutação para se adaptar para a pista de dança. Ah! E a forma correta de se ler é “Ga-lí-zi-a”. Tá aí a divisão silábica kkk. É curioso como o meu trabalho, que parece tão futurista para alguns, é para mim algo tão ancestral e fincado na terra…
Moreira – As referências para a conceituação do seu trabalho estão na cultura afro-brasileira, no carnaval, na biodiversidade, no folclore e nas culturas club kids e avant-garde. Fala mais das suas referências, do que te inspira, e ainda de outros artistas performáticos que inspiram seu trabalho tão único.
Galezya – Minhas referências são um emaranhado onde o mato encontra o asfalto e o ancestral abraça o sintético. Buscar inspirações na cultura afro-brasileira e no carnaval é entender que o corpo, especialmente o corpo de pessoas negras, é um território de revolta e também de celebração. O carnaval de rua e as escolas de samba demonstram que o luxo pode vir de onde menos esperamos, e que o volume é uma forma de inteligência. A engenhosidade de transformar isopor e tecido em divindade. Já as referências que tenho sobre a biodiversidade não são apenas das plantas, mas sim de uma fauna rica e única que habita o folclore brasileiro, com figuras populares com formas que desafiam a lógica humana. As culturas club kid e de vanguarda me deram a autorização para a distorção. Me inspira a ideia de que a noite é um laboratório. O que me move é justamente esse “choque de voltagens”. O meu trabalho é uma busca contínua por uma estética profundamente brasileira e bem longe do óbvio. Muita coisa boa me inspira, sabia? Aqui vão alguns nomes em ordem aleatória, como desfiles das escolas de samba brasileiras, Beyoncé, céu, nuvens e tudo o que há lá em cima, Grace Jones, Elke Maravilha, Jenna Marvin, Bizarre (na cultura ballroom), Ney Matogrosso, Björk, biodiversidade marinha, cerrado e pantanal, Philip Treacy, Vittor Sinistra, Dakota Monteiro, Myrgon, Rafael Pavarotti, FKA twigs, Alma Negrot, Diva Depressão, Schiaparelli, Robert Wun, Salvador Dalí, David LaChapelle e por aí vai… Ao mesmo tempo que listei esse monte de tópicos, eu confesso que muitas das vezes, eu não me inspiro em nada. Pelo menos não diretamente. Muitas vezes, eu apenas sento, pego meu material e começo a criar algo a partir do que tenho disponível. Para mim, essa é a melhor forma de exercitar a minha criatividade. Mas nem todas as vezes é assim. Tantas outras vezes eu me planejo ponta a ponta, com croquis elaborados, pesquisa, orçamento e compra de materiais, testagens, alinhamento com a temática da festa que me contratou e por aí vai… Querendo ou não, Galezya também é uma empresa. Tenho equipe e até CNPJ kkk. Além disso tudo, eu me desafio com a matéria e também com o tempo, sabia? Toda vez que vou fazer um look do zero eu me sinto em uma competição, como Drag Race ou Corrida das Blogueiras, em que tenho tempo definido para entregar algo. Então, geralmente, levo de um a dois dias diretos para fazer um look. Eu me desafio dessa forma para eu estar preparado caso um dia eu entre em algum desses realities. É um trabalho que levo bastante a sério, com rotina, regras e tudo mais. Eu que prospecto trabalhos, negocio valores, idealizo e faço os looks, performo, edito vídeos e fotos, posto e interajo nas redes com o público e fãs, faço e analiso relatórios com os indicadores de sucesso e de melhoria de cada conteúdo e por aí vai. A Galezya é um negócio em ascensão que eu atuo de ponta a ponta. Claro que não faço tudo sozinho. Sempre que dá, eu conto com o apoio de pessoas queridas para me ajudar com a montação, acompanhamento e gravação de conteúdos. O Igor Galdi, por exemplo, é um querido amigo que sempre esteve ao meu lado. Inclusive fizemos parte da mesma turma da oficina de drag, em 2023. O Igor é ótimo, seja na qualidade de seu trabalho, na personalidade ou na nossa amizade. Ele foi e é muito importante e é um dos principais entusiastas de Galezya. Serei sempre grato por isso. Para além disso, também sou extremamente grato por todas as pessoas e empresas que me apoiaram até aqui e acreditaram no valor do meu trabalho. Para mim, não dá para chegar a um lugar bom, seguro e sólido sozinho… Que, a cada dia, a gente consiga celebrar a estranheza com mais calor e valor!
Moreira – Qual a principal mensagem do seu trabalho? Ou é uma obra aberta, para cada um sentir do seu jeito? “O resultado é o fim da indagação. Entre ser ou não ser, prefiro a questão. E então?”
Galezya – O meu trabalho é uma obra aberta que convida ao desequilíbrio das certezas. Quando digo que “prefiro a questão”, estou escolhendo o estado de constante mutação em vez do conforto de uma definição pronta, clara e fácil. Se houvesse uma mensagem principal, ela seria sobre o direito ao mistério, ao incômodo e à reinvenção. Hoje eu noto que a gente vive numa época que exige que sejamos produtos nítidos, com nomes, idades, profissão e utilidades bem explicados em uma bio de rede social. O meu trabalho caminha na direção oposta porque eu quero ser a interrupção desse fluxo. Quero que, ao se deparar com a Galezya, o público sinta que não precisa entender tudo para experimentar algo. A Galezya é um convite para que cada um sinta do seu jeito, projetando seus próprios medos, sonhos ou memórias. No fundo, bem lá no fundo mesmo, a questão que eu sustento é uma provocação sobre os limites da minha própria liberdade; a liberdade da matéria, onde termina o lixo e começa a arte?; a liberdade da identidade, onde termina o humano e começa a criatura?; e a liberdade da memória, como transformar o refúgio da infância em celebração? Nem sei se há resposta para tanto, nem se vivi tanto para responder a tanto. Precisa? Sinto que para muita gente o resultado/resposta é estático, é o ponto final, é a mercadoria na prateleira. Eu, por outro lado, me interesso pelo “e então?”, pelo processo, pelo o que acontece no encontro do meu corpo estranho com o olhar do outro no meio da rua ou no calor da pista. Se o meu trabalho forçar alguém a questionar a rigidez da própria realidade por um segundo que seja, a questão já valeu mais do que qualquer resposta. A Galezya ainda está aprendendo a brincar com o mundo. Ela está em crescimento, criando seu próprio movimento. Ela nunca será ponto final. Ela sempre será reticência, processo, interrogação contínua.
🌊🪼🫧🐚𓆝𓆟 Como uma onda no mar 𓆞𓆝𓆟𓇼🪼🫧🐚🫧🌊
Página mais acessada do ano 5 aqui da Sexta Sei, Clementaum inspirou T-shirt “Vai, DJ, mais forty”, sua fala no feat com as sextantes Irmãs de Pau, Pedro Sampaio, Tasha Kaiala e MC GW, “Sequência Cunt”. As Irmãs de Pau, inclusive, agora seguem carreira solo, como anunciou o “Medley do novo fim”. A marca dá 10% OFF para quem usar o cupom CUITER e tem outras camisetas bacanas, como a caetânica “Bahia que não me sai do pensamento”, “Gal Costa attitude with Bethânia Feelings”, “Vellosos e furiosos” ou o hilário “Zeca Bunnynho”. A marca UseCW é carioca e existe desde 2014 anos, criando brusinhas militantes, debochadas e amorosas. Além de camisão de botão, eles também fazem meias, chapéus tipo buckets hats, pochetes, tops faixas, bolsas de crochê, eco copos retráteis e canecas.
Em abril do ano passado, tive uma experiência marcante com o meu primeiro show da banda Valla na edição feminista do Dominikaos, o Feminikaos, evento punk colaborativo realizado no Museu Ferroviário, com a imagem impactante da vocalista Laiane Araújo empunhando uma enxada, que ela também usa como instrumento percussivo, símbolo do envolvimento com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), por meio do acampamento Rosa Cabinda, em Monte Verde, na Zona da Mata mineira, aonde gravaram o clipe de “Revolução” e tiveram vivências com o plantio e a comunidade. A faixa fará parte do álbum de estreia, “Revolução, campo cidade”, com nove músicas que falam das realidades distintas dos meios urbano e rural, e está presente no EP “Rise Sessions”, com seis músicas, lançado em 2024. A banda é formada também por Vane Oliveira (bateria), Fernanda Halfeld (guitarra) e agora Camila Magri (baixo), que entrou pra substituir Fábio Viana, que toca no áudio do clipe. E o motivo da minha simpatia é, além da inegável qualidade musical, a energia anticapitalista.
“A Valla não é só uma banda, ela é a extensão da militância de seus integrantes e uma grande ferramenta de comunicação. Não existe melhor forma de apresentar o nosso primeiro álbum do que ao lado dos companheiros do MST e do plantio solidário”, conta a vocalista Laiane Araújo. “A Valla só fez a música, os agentes principais são os camaradas, a essência é a força coletiva e o sentimento maravilhoso de solidariedade. Esse clipe representa a força materna na criação de uma nova sociedade mais justa e igualitária e, por meio das nossas crianças, a possibilidade de um futuro revolucionário.”
O trio paulistano de shoegaze tropical Capitu faz uma releitura queer, sensorial e afetiva do clássico de Machado de Assis que inspirou o nome, “Dom Casmurro”, e sua questão final envolta em mistério, no curta-metragem “Sobreamor”, dirigido e roteirizado pela sextante Alice Marcone. A banda, formada em 2021 por Camilla Araújo, Bruno Carnovale e Marco Trintinalha, antecipa, no filme, o clima do primeiro EP, que unirá música, cinema e literatura em uma narrativa contínua e está vindo aí. O filme é uma releitura contemporânea e cheia de areia do triângulo amoroso entre Capitu, Bentinho e Escobar. A obra se distancia da adaptação literal e utiliza o clássico como ponto de partida para investigar desejo, ciúme, afeto e convivência a partir de uma perspectiva atual, atravessada por questões de gênero, sexualidade e racialidade. A narrativa acompanha Capitu, interpretada por Camilla Araújo, ao lado de Bentinho, vivido por NILA, atriz trans não-binária, e Escobar, interpretado por Chico Nobre.
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