Fugere, o universo paralelo de Frederico Arruda

Vida, morte, loucura e abandono no último lançamento da Pug Records

por Joel Ramalho e François Frank

 Luiza Belém

Faixa a faixa

Storm Song
trata de fragilidades
 
Ciclo
redefinições, karma e repetições
 
Ecolalia
trata de culpa e frustração
 
The day I am leaving
deixar tudo isso que falei pra trás

Fugere é um trabalho solo?
A intenção é diferente de um trabalho solo. O Fugere tem um arranjador que é o meu amigo e conterrâneo João Gumury, músico de Areal. Ele elaborou todas as cordas, com exceção das minhas guitarras, e acreditou no trampo desde o começo.

Há quanto tempo esse disco estava na gestação? Foi parto normal?
A gestação do disco durou sete anos. O parto nove meses. Com algumas complicações no caminho, foi tudo normal.

Existe um fio condutor ou eixo temático no EP, ou são canções individuais?
Existe sim um fio condutor. As músicas tratam de temas grandes e tem fundo existencialista.

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Quais são os grandes temas?
Vida, morte, loucura e abandono.

Você é conhecido como “poeta”, como você usou a poesia para compor as músicas?
Eu escrevo poemas desde os meus sete anos de idade. Minha mãe [Helena Arruda] me influenciou muito, ela é escritora e, já fazendo um merchan, tem vários livros publicados (procurem aí). Portanto a poesia é parte subliminar da Fugere; porém nesse disco, somente a faixa “Ecolalia” surgiu de um poema. O resto foi feito pra ser música. Normalmente eu toco um acorde e cuspo uma frase.

Quais são as influências?
O lado A e B do folk sessentista, a música experimental de transição pros anos 70, a era de ouro do indie rock, o cool jazz e a música brasileira (presente em peso no arranjo).

O trabalho, no final das contas, acaba passando por várias mãos entre  produtor,  selo e os músicos, como foi esse processo pra você? 
Foi gratificante. O André Medeiros abraçou o projeto. Como na Baco Doente, foi um produtor ativo. O arranjo de cordas de ecolalia é dele. O Du (Pug Records) me incentivou, me deu uns bizus no processo todo e também comprou a idéia. Não preciso nem falar do Max Souza, responsável por todo o desenvolvimento das baterias. Diferente do João, o Max não é de Areal e eu e João tínhamos essa concepção de querermos um baterista diferenciado. Eu só tenho que agradecer ao Max porque desde a primeira vez que mostrei as músicas pro cara, ele pirou.

João Gumury
Max Souza
Fred e André Medeiros

Filipe Furtado

Como é compor na Baco Doente e compor na Fugere?
É difícil, eu nunca penso antes de compor se é para Baco ou para o Fugere. Eu componho, depois eu vejo qual dos projetos tem mais a ver pra música em especifico. Dá trabalho porque ambos, embora muito diferentes, tem similaridades melancólicas. Tenho tocado quase todos os dias e tentado organizar melhor o meu processo.

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Frederico e sua pintura reprovada como capa pela gravadora. Luiza Belém

Qual influência das duas cidades, Jufas e Areal no processo?
A influência é grande. Eu fui criado numa cidade de dez mil habitantes. Aos dezoito viajei bastante sozinho, fui para vários lugares, alguns bem estranhos inclusive. Morei no Rio seis anos, foi um choque. Posso dizer que o nome Fugere que significa fuga ou voo vem dessa transição entre o microcosmo e o macrocosmo. Entre o rural (minha base) e o urbano e, portanto, entre Areal e Jufas também.

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