Sexta Sei: “Notívaga”, Louise, filha de Chico Science, é 100% ela mesma, protagonista de sua história

Título de seu EP de estreia, com produção de Guilherme Assis e do sextante Barro, reflete o hábito de compor nas madrugadas e passeia por ritmos como R&B, trip-hop, rock, flamenco e drum’n’bass

por Fabiano Moreira
sextaseibaixocentro@gmail.com

Fotos: João Alencar

Muita gente não sabe, mas a linda voz de “Dorival”, hit da banda pernambucana Academia da Berlinda, lançado em 2016, pertence à Louise,  35 anos, a filha de Chico Science que acaba de estrear em EP, “Notívaga”, logo após a gravação do hit “Risoflora” no projeto “Replay Da Lama ao Caos”, com regravações desta obra fundamental para a minha geração. “Sobre a demora, eu tinha medo de não atender a uma expectativa que certamente tinha tudo a ver com o meu pai, até que entendi que eu só precisava fazer o que eu quisesse e ser eu mesma 100%, porque essa é a minha história”, me conta, em papo aqui pra Sexta Sei, sobre o EP de estreia, que passeia por ritmos como R&B, trip-hop, rock, flamenco e drum’n’bass.. Louise acabou se revelando uma musicista de hábitos noturnos. “Foi numa fase quando eu tinha picos de criatividade às 2 da manhã, não conseguia dormir e precisava registrar tudo. Pra saúde é péssimo, mas me rendeu boas letras e melodias não só pra esse EP, mas também para projetos futuros”, relata. Uma menina de seis anos quando o fatídico acidente nos tirou o maior nome de sua geração, ela guarda boas recordações. “Tenho lembranças ótimas do meu pai, apesar do pouco tempo que tivemos e passamos juntos, creio que lembro até de bastante coisa. Nossos passeios no Landau, festas no sítio dos meus avós, idas ao Mercado Pop”.  

A capa do EP de estreia, "Notívaga", em foto de João Alencar

Moreira – “Dorival” (2016) foi a sua primeira gravação? É a faixa com mais plays da Academia da Berlinda, já estreou hitando, hein, foi ali que surgiu essa semente da música ou já era algo que você trazia consigo há mais tempo? Você acha que é algo genético, herdado de seu pai? A demora na sua estreia tem a ver com essa responsabilidade de representar um legado?

Louise – Não, a primeira música que gravei foi “De sal e Sol eu sou” do Afrobombas, banda que integrei entre 2013 e 2015. Saiu numa coletânea, mas nunca oficialmente pela banda. Canto desde criança, é algo que sempre me interessou. Quando tinha 12 anos participava de algumas apresentações na banda de forró que minha mãe tinha com meu padrasto, gravei uma demo com duas músicas e cheguei a aparecer em alguns programas de TV locais de Recife. Sobre a demora, eu tinha medo de não atender a uma expectativa que certamente tinha tudo a ver com o meu pai, até que entendi que eu só precisava fazer o que eu quisesse e ser eu mesma 100%, porque essa é a minha história. 

Moreira – O seu EP de estreia “Notívaga”, foi gravado em 2025 no Estúdio Zelo, em Recife, em parceria com os produtores Guilherme Assis e o sextante Barro. Como foi trabalhar com os dois e como eles colaboraram na construção deste trabalho?

Louise – Foi tudo de bom. Barro e Gui são super abertos e nada impositivos, várias ideias nos conectavam, então todo o processo desse EP fluiu muito bem. 

Moreira – E como acontece essa criação nas madrugadas, é quando se sente mais inspirada? Esse processo de trabalhar à noite acabou batizando o EP, com essa criatividade costumava aparecer nas altas horas da madrugada. 

Louise – Foi numa fase quando eu tinha picos de criatividade às 2 da manhã, não conseguia dormir e precisava registrar tudo. Pra saúde é péssimo, mas me rendeu boas letras e melodias não só pra esse EP, mas também para projetos futuros. 

Moreira – O EP faz um passeio por ritmos como R&B, trip-hop, rock, flamenco e drum’n’bass. É um reflexo do que você ouve? O que anda na sua playlist pessoal e influenciou esse EP e a sua música de uma maneira geral? No release, fala-se de Beth Gibbons, Björk (também sou louco por ela), PJ Harvey e Selena Quintanilla.

Louise – Definitivamente, é um reflexo do que escuto. Essas são as primeiras referências que decidi trazer pra me introduzir ao público, no meu fone toca bastante coisa, são muitos os artistas que me inspiram. Sou fã de Selena desde criança, já Beth, Björk e PJ são referências dos meus vinte e poucos anos, quando conheci a música delas. 

Foto: João Alencar

Moreira – Você tinha seis anos quando Chico Science morreu. Quais são as memórias que você guarda dele? Foi muito emblemática a sua escolha de “Risoflora”, a única figura feminina e a única canção de amor romântico na obra de seu pai, na homenagem “Replay Da Lama ao Caos”, lançada no ano passado. Porquê escolheu essa canção? E me conta sobre sua investigação sobre quem é Risoflora, parece que você encontrou uma agenda do seu pai com o nome associado a Maria Eduarda. Sou tão fã de Chico que ganhei um prêmio de jornalismo, em 2001, que era uma viagem a Bariloche, e troquei por conhecer Recife e ir ao Soparia, o bar que ele frequentava.

Louise – Tenho lembranças ótimas do meu pai, apesar do pouco tempo que tivemos e passamos juntos, creio que lembro até de bastante coisa. Nossos passeios no Landau, festas no sítio dos meus avós, idas ao Mercado Pop. Escolhi “Risoflora” pra gravar no Projeto Replay porque é a música mais melódica do “Da Lama” e queria muito criar algo novo com as minhas referências pra ela. Enquanto mexia nos cadernos de anotações dele para um projeto do acervo, encontrei escrito o nome de Duda e ao lado “Risoflora”, a prova concreta de que era ela. Sobre a sua troca do prêmio, acredito que fez uma escolha super sensata e valeu a pena, né? 

🌊🪼🫧🐚𓆝𓆟 Como uma onda no mar 𓆞𓆝𓆟𓇼🪼🫧🐚🫧🌊

ursamenor é Camila Silva (guitarra), Mariana Coura (guitarra) e Iara Dias (baixo). Fotos: Ana Negro

Expressão rocker dessa geração, o shoegaze ganhou mais uma valorosa contribuição com o primeiro EP da banda mineira ursamenor, de Beloryhills, “quero ir pra casa”, que chegou na última sexta, com a passagem da faixa-foco “eu sei muito bem” aqui pela playlist sextante e do trio pelo Maquinaria, aonde fizeram show com barulho em camadas. Formada por Camila Silva (guitarra), Mariana Coura (guitarra) e  Iara Dias (baixo), a banda parte do conceito simbólico de casa, abraçando a vulnerabilidade para refletir sobre questões da vida cotidiana e a constante busca pelo conforto em cinco faixas. As referências do trio são shoegaze, dreampop e emo, assim como o som das bandas terraplana, Fin Del Mundo e Adorável Clichê. O EP é um lançamento realizado por meio do selo BHC – Belo Horizonte Central, braço do Estúdio Central Belo Horizonte, em parceria com a YB Music. A banda está em turnê para divulgar o EP, passando por São Paulo (24/Algohits), Maringá (PR) (25/Seu Boteco), Curitiba (PR) (26) e Belo Horizonte (7/8/Estúdio Central).

Capa: @anale_nog
Capa por Rafael Bastos e foto por Marcela Gontijo

O cantor, compositor e guitarrista paulista Deco Gontijo,  integrante da banda cumbuca, apresenta o compacto Sempre quis falar / Domingo, projeto no qual se distancia das guitarras que comanda na banda para explorar composições mais próximas da MPB, do jazz, do soft rock setentista e do bedroom pop. As referências atravessam nomes clássicos da música brasileira setentista, como Arthur Verocai e Clube da Esquina, mas também artistas contemporâneos, como Nyron Higor, Mac DeMarco, Ana Frango Elétrico e Rodrigo Amarante. As duas músicas surgiram, inicialmente, no violão, e passaram por transformações ao longo dos ensaios e gravações. O processo ganhou forma a partir de encontros no estúdio com Rubens Adati (Meu Nome Não é Portugas e Julieta Social), no baixo e na produção, e Digo Mattos (Julieta Social), na bateria. Gravado no estúdio Inhame, o compacto foi construído com as bases das músicas em sessões ao vivo, com bateria, baixo e guitarra registrados simultaneamente. Depois, vieram overdubs de violões, percussão e guitarras, além das participações dos músicos Mike O’Brien (SOMOS* e Nova Nota), nos teclados, e Leonardo Ryo (Pé de Vento), no saxofone. A mixagem e masterização ficaram por conta de Cravinhos (Maria Esmeralda).

Fotos Marcela Gontijo
Saci Wèrè em lindas fotos de Jacque Lisboa

A banda brasiliense Saci Wèrè lança nesta sexta (24) seu segundo álbum, “Pra ninar o fim do mundo”, Entre vozes de rezadeiras, conselhos de velhos sábios e manifestações do invisível, o volume costura grooves ancestrais e futuristas com o deboche necessário para atravessar este tempo estranho em que bilionários passeiam de foguete, como cantam em “Hoje os playboys andam de foguete”. “´Pra ninar o fim do mundo´ nasceu da sensação de que a gente vive atualmente o colapso de um mundo. Em vez de responder a isso com desespero, escolhemos imaginar outro caminho. Ninar é acolher e cantar para atravessar a noite. Se esse mundo realmente estiver acabando, que seja pra nascer outro, e que seja ao som de música brasileira”, brinca o vocalista Chris Barea. O álbum tem participações do pernambucano Martins, em “Tempo bom”, canção-reza de atmosfera marítima, a pernambucana Flaira Ferro em “Manguinha” e a brasiliense Talíz em Dilema, e todas as faixas têm videoclipes assinados por Gui Campos, Gabriel Pinheiro e Mihay.

Capa ilustrada por Bruna Daibert

Em “Os seis conselhos de Tilopa” a banda transforma ensinamentos milenares em pista de dança, costurando humor, sabedoria e desbunde. A canção nasceu de um spam que divulgava os principais ensinamentos de um guru tibetano. Com um groove envolvente, a música brinca com os meios improváveis pelos quais as sabedorias milenares podem florescer nos dias de hoje. Já “Para-normal”, um trava-línguas, defende a ideia de que em uma sociedade colapsada, “um parafuso a menos poderá te consertar”. A formação atual reúne Alan Abacate (violão), Amanda Duarte (voz e percussões), Chris Barea (voz), Danilson Oliveira (baixo), Fernando Mazoni (bateria), Gui Campos (guitarra) e Hélio Devadatta (percussão).

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Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta, com álbuns de Anitta, Tyla, Cypress Hill, Willow. Charli xcx, Shania Twain, Rico Nasty, EPs de Leon Bridges.

Todas as playlists de 2025, 2024, 2023 2022, 2021 e 2020 nos links

Para melhores resultados, assista na smart TV à playlist de clipes com Charli xcx, Bia Soull + d.silvestre, Marylin Manson, Sofi Tukker, Luísa Sonza, Gordo + WhoMadeWho, Tinashe, Yseult + JT, Ladytron, Allie X, Rose Gray, Gaby Amarantos, Jorja Smith + Wizkid, Jônatas Belgrande, Brutalismus 3000, Wenny, Tomora, Gorgon City + Jem Cooke, Mariah Carey, grentperez, Leon Bridges, David Kushner, Majis, RB Cria, Chico Bernardes, Felipe Cordeiro, Beck, Maui + Akascagrossa & CL Fez o Beat + Caetanoprod, Chaka Khan, Imminence, Tsatsamis, Faux Real, Nia Archives, John Glacier, Garotas Suecas, Latto + Doja Cat, Brutalismus 3000, Peaches (Middle Finger TRIPPIN’ Edition), Keynan Lonsdale, Goldie Boutilier, Boy Harsher, Mon Laferte, Bárbara Bandeira, Kacey Musgraves, Arquelano, Victoria Monét, CHAII, Future, Protoje, Medulla,
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