O museu (e a exposição) de fuckingworkofart_

por François Havana
fotos: fuckingworkofart_

“A pornografia (indústria) cria frustração, distorce nossa visão do corpo, do que é o sexo, do que é o sexo prazeroso.”

“Vendo nudes, e daí?”

De onde vem a idéia de vender conteúdo NSFW?
Eu acho que a ideia veio mais no sentido da diversão. Querer explorar minha sensualidade em outras formas com aquilo que eu já gosto, que faz parte de mim, sabe?! Produzo conteúdo temático que diz respeito a mim, e faço isso de forma… desnuda rs. E, paralelo a isso, vale ressaltar que eu curso Ciências sociais, então esse corre todo tá sendo uma experiência sociológica e antropológica muito interessante. Confesso que me divirto muito.

Eu sempre tive uma relação muito natural com a nudez, com o erotismo; tanto pela minha familia (sempre foi muito aberta a esse tipo de assunto), tanto pela minha visão quanto ao meu corpo.

Me expor nunca foi uma dificuldade, inclusive adoro, sinto prazer em demonstrar meu corpo. Então, eu já postava fotos sensuais nas redes sociais, e pensei “tá! eu gosto disso! por que também não ganhar dinheiro com isso?”. E meus amigos já falavam isso comigo justamente por eu já postar e ter afinidade com esse tipo de conteúdo, então, eu falei “eh isso!”

Tem tempo?
Que eu posto e mando de graça, sim, hahah, e não, não tem muito tempo que eu vendo conteúdo. Uns dois meses… por aí.

Quem são seus clientes?
Há uma perspectiva errônea das pessoas quanto àquelas que consomem esse tipo de conteúdo. Classificam esses consumidores como “cabaço” ou pessoas que “não são capazes de encontrar outra na vida real”.  A cada dia que passa essa visão vem se mostrando ainda mais inverídica.

 
Meus clientes em sua maioria são casais adultos não-monigâmicos, praticantes de voyerismo, curiosos, admiradores, e até mesmo amigos que compram para poder me apoiar.

Você acha que essas ferramentas, tipo only fans, possibilitam uma maior autonomia das pessoas sobre o corpo? Porque se pensarmos na história da indústria do pornô, por exemplo, existe de fato a exploração e a relação de opressores e oprimidos, concorda?
Um comentário de uma conhecida quanto a mim um dia desses foi “como uma mulher, que é totalmente ciente da problemática da indústria pornográfica, começa a fazer conteúdo pornográfico?”.

 

Na real é um erro achar que uma indústria pornográfica está no mesmo nível de impacto que um produto autoral, autêntico. Sabe?!

 

E não há dúvidas que a indústria pornográfica é tóxica e faz mal; que distorce a nossa visão quanto ao próprio corpo; e que traz problemas sexuais graves para homens e mulheres. Mas, como eu disse, é errado atribuir as consequências da pornografia com um conteúdo próprio que é criado pela própria pessoa sendo exposta, tendo autonomia de venda do próprio conteúdo, decidindo o que vender, para quem, por onde, por qual preço… Não podemos cair nessa ladainha de que é a mesma coisa.

Na indústria pornográfica as mulheres são submetidas a situações desumanas, e esse tipo de situação não é possível quando você está longe do seu cliente, estou intacta quando alguém está vendo alguma foto minha, é importante e deve ser levado em consideração.

Existe um discurso artístico por trás das suas fotos? 
Sim, rs. Inclusive, eu brinco que meu perfil é um museu e meus posts são as exposições de arte. Tanto que o meu user é (@Fuckingworkofart__) Então, eu brinco muito com esse conceito todo de exposição rs. Vale lembrar que fotografia também é arte.

Muitos usuários na internet parecem não entender a sensualidade, e encaram na perspectiva de objetificação do corpo feminino. você esbarra nesses perfis?
Como qualquer mulher na internet, eu estou passível desse tipo de situação. É inevitável. 

Alguma situação específica que possa ilustrar?
A gente tenta usar meios para contornar essas situações desagradáveis: divulgar para um público específico, para um site específico, mas a gente sempre acaba esbarrando em pessoas desrespeitosas na internet. Situações que já ocorreram comigo, foram, do nada, caras mandarem foto do pau “TOMA! de presente pra você”… Também rola de você estar divulgando seu trampo e a pessoa: “não! eu queria você, não quero suas fotos. (Mas fica tentando descolar foto de graça ou insistindo pra sair comigo (pagar as fotos em bebida).

Por que você escolheu estudar ciências sociais?
Nossa… ahaha… não esperava por essa pergunta. Então, na minha primeira aula de sociologia no ensino médio eu já fiquei encantada. Desde então eu pensei que queria isso para minha vida. Eu preciso fazer isso como pessoa. É um curso maravilhoso que me ajuda a compreender as pessoas, o mundo, as culturas…

O que você acha mais interessante nos seres humanos e por quê?
Eu acho que a complexidade. O ser humano é incrível, esquesito, insano e capaz de coisas bizarras. Gosto do mundo, minha paixão é pelas coisas e pelos seres humanos. E o ser humano tem seus desejos, fraquezas, curiosidades, vontades, preferências e eu gosto de explorar isso, sabe?! É divertido; gostoso: insano; profano, entende? Acho isso muito prazeroso…

Me conta sobre sua criação?
Felizmente, eu cresci num âmbito muito liberal, em que conversas sobre sexualidade sempre foram naturais. E, nossa, sou tão grata por isso. Não ter sido criada com esses tabus tão bestas foi muito importante para eu me tornar uma adulta compreensiva, madura, que lida bem com a própria sexualidade.

Quem tira suas fotos?
Atualmente eu e um amigo. Mas estou fechando parceria de projeto com fotógrafos e outros criadores de conteúdo NSFW aqui de BH. Estou bem animada, vai profissionalizar bastante meu rolê!

Para você o que é libertino e o que é libertador?
Nunca pensei sobre isso. A libertinagem é libertadora, não?! Rsrs

Também não sei, mas tava pensando nisso.. Como adquirir ingressos para exposição?
Aos apreciadores, sugiro que procure meu perfil no instagram (@fuckingworkofart__) que lá tem todos os direcionamentos, para pacotes ou assinatura mensal na plataforma do onlyfans.  Não precisa ter vergonha de tirar dúvidas via direct!!

 

 

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