Filha do grande poeta e compositor Zé Ramalho canta canções dela, dele e de Pitty em álbum ao vivo que é uma pedrada roqueira e não tem nada de amiúde, uma das palavras que ela adora na obra do pai
por Fabiano Moreira
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A cantora e compositora Linda Ramalho, 31 anos, herdou a verve poética e dramática do pai, o icônico Zé Ramalho, a quem ela dedica versões no segundo álbum, “Linda Ramalho ao vivo”, que traz também versões da roqueira baiana que amamos Pitty e composições suas que aumentam a nossa curiosidade sobre o seu trabalho, como “Nothing to ride”, “Confia”, em parceria com Gugu Peixoto, e “Buracos” e vai ao ar nesta sexta (27) às 19h, e foi gravado com uma plateia íntima formada por amigos e fãs, no final de 2025, no Estúdio Eco Som, no Rio de Janeiro. Batemos um papo, por e-mail, no qual falamos sobre a presença feminina no rock. “A dificuldade do mercado para as mulheres é que a sociedade não cria nós, mulheres, para termos banda. A sociedade nos cria para ter rivalidade entre nós. Muitos festivais só tem uma ou duas cantoras ou bandas de mulheres. A própria Pitty e a própria Rita Lee nunca tiveram banda só de mulher, é dificil”, conta. Sobre a obra do pai, ela é taxativa sobre a voz do cantador. “A característica do trabalho do meu pai que mais me impressiona é que ele usa palavras diferentes, como “amiúde” e, mesmo assim, consegue alcançar o Brasil inteiro”, resume, nesse papo para a Sexta Sei.
Moreira – Este é o primeiro álbum com composições suas, “Confia”, “Same Bad”, “Adrenalina”, “Quem é Quem?” e “Buracos”. Como é o seu processo de composição e o que mais te inspira? Já podemos esperar um álbum de canções suas?
Linda Ramalho – Meu processo de composição geralmente começa por letra, e podem esperar um álbum de canções minhas sim!
Moreira – Sua conexão com a obra do seu pai, Zé Ramalho, é inegável, tema do seu primeiro álbum, de 2023, e ainda muito presente neste ao vivo. Quais as características do trabalho dele que mais te impactam? Como é cantar essas canções tão familiares? O que você acrescenta, com sua interpretação, a essa obra tão referenciada?
Linda Ramalho – A característica do trabalho do meu pai que mais me impressiona é que ele usa palavras diferentes, como “amiúde”, e mesmo assim, consegue alcançar o Brasil inteiro. Essas canções são familiares, mas são dificeis, haha, tento tomar muito cuidado pra não esquecer ou confundir nenhuma palavra ou verso. Eu acrescento minha interpretação a partir da minha personagem de palco e da minha performance.
Moreira – A Pitty é uma grande referência para a presença feminina no rock, uma pioneira e uma inspiração. Você tem especial gosto por rever canções dela, o que te toca mais nas canções da baiana? Eu me lembro que recebi o compacto de “Anacrônico”, em 2005, e entrei em parafuso ouvindo “Na sua estante” infinitas vezes, um looping perigoso.
Linda Ramalho – O que mais me toca nas canções da Pitty são sua energia poderosa.
Moreira – A presença feminina no rock é sempre algo marcante, de Rita Lee a Pitty, é uma perspectiva poderosa. Quais as dificuldades no mercado para as mulheres? É um mundo masculino?
Linda Ramalho – A dificuldade do mercado pras mulheres é que a sociedade não cria nós, mulheres, para termos banda. A sociedade nos cria para ter rivalidade entre nós. Muitos festivais só tem uma ou duas cantoras ou bandas de mulheres. A própria Pitty e a própria Rita Lee nunca tiveram banda só de mulher, é dificil.
Moreira – Como você formou essa banda que te acompanha no ao vivo, com João Fessih (baixo), Caco Braga (bateria) e Diogo Lopes (guitarra)? Como é o processo de trabalho de vocês? O álbum tá uma pedrada
Linda Ramalho – A banda começou com aulas com o João Fessih, durante a pandemia, quando começamos a tirar musicas do meu pai no violão, começando por “Garoto de aluguel”. Ele e Caco já tocam juntos há mais de dez anos e já éramos amigos. Diogo entrou por último na banda, por indicação de um amigo meu. Nosso processo requer muito ensaio.
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Na Sexta Sei do dia 13, com a MC Taya, eu destaquei na playlist sextante “Eu já não aguento mais”, da banda blumenauense sorosoro, que acabou de lançar seu álbum de estreia, o excelente “Eu e você ou tudo o que eu quero que você não saiba, uma síntese de três anos de composições e uma “salada de gêneros”, como shoegaze, dream pop, post-rock, rock gaúcho, rock progressivo, slowcore e midwest emo. O álbum ficou martelando, por aqui, especialmente pelo clima imersivo de faixas instrumentais e a anticapitalista “Ah! Eu odeio trabalhar” e o single “Eu e você como alegoria para a Guerra Fria”, que também sextou na playlist aqui. Do tenso ao tenro, o álbum traça paisagens sonoras pensadas como ambientação para a exploração de temas confessionais e que exploram a relação com o outro.
“É um trabalho muito coeso e do qual nos orgulhamos, feito de maneira extremamente manual e laboriosa, desde a gravação e a mixagem das tracks até o desenvolvimento da arte da capa, tudo feito a mão. A sorosoro é, além de banda, um movimento orgânico e descentralizado de amigos que se juntaram para fazer um som que ninguém faz, pelo menos aqui na nossa região, e fomentar outros projetos semelhantes”, explica Pedro Museka, vocalista da sorosoro, que ainda é formada por André Muller (bateria, percussão, bandolim e vocais); Caio Pazini (guitarra, violão e vocais); Gustavo Hames (baixo e vocais) e Miguel Alois (guitarra, violão e vocais). A banda faz turnê pelo Sul com riffs lentos que passam por Joinville/SC (27/3); Curitiba/PR (28 e 29/3); Balneário Camboriú/SC (10/4); Brusque/SC (11/4); Florianópolis/SC (12/4); Blumenau/SC (17/4); Novo Hamburgo/SC (18/4); e São Paulo/SP (1/5), depois dos dois primeiros shows da tour Blumenau e São Paulo.
Ser gay é bom demais, fato que é celebrado com belos corpos, alegria de viver e beats no novo single “EuroSummerLove”, do brasileiro Melques Viber, que buscou inspiração nos grandes electro summer hits dos anos 2000, em uma faixa pop-eletrônica que dialoga com artistas como David Guetta, Calvin Harris e Inna. A track é a música tema oficial do Maspalomas Pride By Freedom, um dos maiores eventos LGBTQIA+ do mundo, realizado em uma das mais conhecidas praias das Ilhas Canárias, na Espanha. Com melodia marcante, tons de saxofone e produção que remete às vibes solares, mostra o talento de Melques Viber de dar uma abordagem contemporânea ao som dos electro hits, sem perder seu gancho nostálgico. A faixa nasceu de um amor de verão que o artista teve em Maspalomas e fala sobre liberdade e um amor 100% aberto, conectando-se à experiência de outras pessoas LGBTQIA+ com o kingo do Brunev.
O Maspalomas Pride By Freedom é um dos maiores eventos de Orgulho LGBTQIA+ no mundo, com mais de 250 mil pessoas visitando as Ilhas Canárias. O lançamento inclui dois remixes voltados para a pista, reforçando a identidade neo tribal do artista. O clipe traz Melques Viber vivendo um romance baleárico, que delícia é viver. Ao longo de sua trajetória, Melques também desenvolveu colaborações e remixes com a também sextante Clementaum, Kaya Conky, Tati Quebra Barraco, Rafha Madrid, Jhon W, Caca Werneck, Nikki Valentine, Leahn, Karol Figueiredo e Diego Baez.
O trio paulistano Estéreo Boutique, formado por Brunno Bari (baixo e Free Sound Effects/SFX), Gabriel Buchmann (voz, guitarra, violão, Juno-106, JV-1080, Moog, Celeste e Mellotron) e Raphael Perez (bateria e programação) apresenta “outros tons”, faixa que abre caminhos para o EP de estreia, “meias verdades”, e que passou aqui na última playlist sextante. A banda mistura influências das décadas de 1990 e 2000 e sonoridades contemporâneas de diferentes gêneros para criar seu indie rock com referências que passam por Wilco, Slowdive, Lô Borges, Jards Macalé e LCD Soundsystem. A faixa, energética e enigmática, nasceu de um improviso durante uma sessão de composição. O EP de estreia chega ainda no primeiro semestre de 2026. Depois de muita discussão, entre os integrantes, sobre possibilidades de nome para o EP, chegaram a “meias verdades” por sentirem que muito se fala sobre os significados da arte, e não na aplicabilidade daquilo que consumimos. Mesmo dentro da banda, eles têm divergências sobre os significados e sentimentos de cada faixa, abraçando a falta dessa verdade absoluta..
O agendão das maravilhas segue nos destaques do meu Instagram, separado por cidades, e em thread infinita no X.
Playlist com as novidades musicais da semana, que consolida às 2h da sexta, com novos álbuns de Linda Ramalho, Marina Lima, Courtney Barnett, Meghan Trainor, Dogstar, Cidadão Instigado, Letrux, Robyn, Jambu, Raye, Fcuckers, MC Soffia, Telefunksoul, Matheus Torres, BTS, EPs de Anna Calvi e Mia Badgyal.Todas as playlists de 2025, 2024, 2023, 2022, 2021 e 2020 nos links
Para melhores resultados, assista na smart TV à playlist de clipes com Juliano Gauche, Rosalìa, Ladytron, Tove Styrke, James Blake, Varanda, Coucou Chloe, NMIXX(엔믹스) + Pabllo Vittar, MC Luanna, Kelsey Lu, Oruam + J. Eskine + Menor MC + Marquinho no Beat, SPVIC + Muzzike, D$ Luqi, Mutti, Des Rocs, Boundaries, Dimitri Vegas + Winson, Peci, Kamau + Kid Abstract + DJ Nyack, Zee Machine, Melques Viver, Chanpan, k a m a i t a c h i, O Teatro Mágico+ Fernando Anitelli + Jeff Coffin, Tory Lanez, Khun Narin Electric Phin Band, 3quency, Budah + Duquesa, Tokischa, Miley Cyrus, Rancore, Rosalìa e Juliano Gauche
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