Ativista dos direitos LGBTQIA+, Marco Trajano nos deixou, neste sábado (17), aos 57 anos, vítima de complicações da Covid-19. Atuante no Movimento Gay de Minas (MGM) e um dos organizadores do Rainbow Fest, é referências do movimento LGBTQIA+ nacional
por Michel Brucce, diretor do MGM

Oswaldo Braga, Fernanda Muller e Marco Trajano
Durante anos vivi uma vida dentro do armário, isso era 2001, eu tinha meus 22 anos, as duvidas, as dores, o medo, a vergonha faziam parte desse misto de sentimento por ser gay. Mesmo na época já assumindo minha homossexualidade pra família e amigos mais próximos sempre fui reservado e me escondia isso da sociedade, pois a vergonha de não me aceitar quem eu era.
Quando em 2003 cursando Direito, sofri preconceito por ser gay nos corredores da Faculdade. Em um determinado vi minhas fotos impressas passando na mão de várias pessoas e o deboche deles em relação a mim, me tampavam bolinhas de papel e giz além de xingamentos de “viadinho”.
Que constrangimento, foi ae que já sabendo da lei Rosa (primeira lei no pais que punia estabelecimentos que não se posicionasse contra o preconceito aos então “GLBT”) e o conhecimento que tinha da existência do MGM até então (Oswaldo Braga e Marco Trajano) saída faculdade correndo pra pedir ajuda e la foi recebido por Oswaldo e Marco que me abraçaram e me confortaram com muito amor e carinho.


Michel Bruce, Oswaldo Braga e Marco Trajano
Logo as medidas contra a faculdade foram tomadas e a partir daquele dia decidi me juntar a eles para evitar que nenhuma pessoa sofresse mais da forma que sobri.
Trajano foi meu grande mentor nas causas, quantas palestras acompanhei, quantas idas a Brasília tivemos para defender nossa bandeira. Quantas paradas juntos fizemos para mostrar que estávamos ali e que ali era nosso lugar.
Eu nunca mais precisaria me esconder. Trajano foi e sempre será meu guia, assim como Oswaldo continua sempre.
A dor é grande, mas o seu legado é muito maior. Em seu nome continuaremos a fazer esse trabalho. Pois o que ficou é FORTE.