Entrevista: Thiago Bartels @tttrigs

Baixo Centro apresenta o colunista gráfico Tttrigs. Com bons anos de atuação em desenho, tatuagem e ilustração, agora vem integrar nosso time com seu cartum político, recheado de sacadas ácidas e sem muito medo de repercutir mal nas rodinhas.

Onde você aprendeu a escrever?
Com a tia Carmem, na escola sementinha de ouro. (Acho que nem existe mais)

Antes de ser o TTTrigs, você era o Trigs, conta pra gente a história do nome.
Uai! Mas eu ainda sou o Trigs. Coloquei o “ttt” pq já existia uma marca de roupas fantasmona usando o nome no instagram. Trigs foi só mais um dos apelidos sem sentido que o Gabriel Bola me deu. Acho que é uma brincadeira com o meu nome. Até hoje, cada vez que ele me encontra, acaba saindo algum apelido novo. A diferença é que Trigs pegou.

Desenho como quem anota um bilhete.
Porém, aqui o papo é reto.

O desenho veio da infância? Eu sei que ele passou pela juventude, faculdade, tatuagem e agora chegou na charge(ou cartum?), o quanto de cada uma dessas passagens e fases está presente nesse seu trabalho agora?
Considero o que tenho feito agora como uma extensão da infância pra fase adulta. Depois de copiar revistas em quadrinhos criei um repertório que eu usava pra fazer caricaturas ou brincadeiras com os amigos de turma e professores da escola. Mas a faculdade e a tattoo também contribuíram no sentido de me deixar mais malicioso na hora de desenhar.

Consta nos registros que você abandonou o curso de artes. Tá fazendo falta?
Verdade. Ainda não senti falta não. O curso que eu entrei e o que eu abandonei eram totalmente diferentes. Poupei tempo quando abri mão do diploma.

Qual a diferença entre a arte e o artesanato?
Hajaahaha… Acho que, hoje em dia, arte é o que tá no instagram e artesanato o que está na asa do hippie.

O que é importante pra desenhar?
Paciência.

Teve uma urgência de expressão por conta desse momento escroto que a gente vive na política?
Teve sim. Sou movido a implicância. E achei que era hora de deixar um pouco de lado meus interesses comerciais pra cuidar dos ideais.

Suas charges políticas são super quentes, qual sua maior fonte de informação?
Geralmente eu fico sabendo das notícias pela mídia tradicional mesmo. Tô sempre dando uma checada no que tá pegando. Daí, quando acontece algo que me chama a atenção eu confiro se é verdade e depois vou atrás da opinião da galera que passa pano pra tudo que rola de errado e, a partir disso, eu tiro minhas conclusões ou questões e ataco os argumentos dos que conquistaram minha implicância.

Skate depois dos 30 é coisa de vagabundo?
É vitória!

O que é ser vagabundo e viver como um vagabundo?
É não ser ou viver como um defunto que toma banho, come e dorme nos intervalos do próprio velório.

Skateshop era um local de encontro antes da internet, troca de informação e compras, hoje em dia estão fechando a torto e direito… elas ainda têm alguma serventia?
Sei lá viu. Faz muito tempo que eu não sei o que é entrar em uma.  Mas já foram lugares ótimos mesmo pra encontrar pessoas. Lembro que, ha muito tempo atrás, quem fazia essa função aqui era a DJ king. Uma loja de vinis ali na galeria do vale trasporte. Hoje em dia pra encontrar o povo, só com uma latinha na mão e olhe lá.

Diogo Andrade

Uma dica pro jovem desiludido com a vida?
Anime-se pois vai piorar.

Juiz de Fora é um lugar bom para o que?
Voltar.

Como é completar um ano sem o whatsapp no telefone?
Até aqui tudo vai bem.

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