Aspargos, neoliberalismo e muito empreendedorismo da sua parte

Texto: Francisco Ozon
Ilustrações: internet

Tava fazendo um balanço desse ano e acho que vi muitos aspargos no instagram, e muita coisa que não queria ter visto, coisa bonita mesmo. To confuso se é paranóia ou é só o instagram mesmo.

Acho que eu perdi dez anos da minha vida querendo ser alguém ligado ao cinema até perceber que basta dizer o filme que não fiz, ou a ideia que eu tive ontem (e já esqueci) para ser alguém ligado ao cinema.

Eu não sei dizer o quão incomodado eu fico com ladrões de gíria e não consigo entender porque não tem ninguém cobrando lugar de fala, ou lugar de gíria desses vagabundos.

Aspargos e presunto de parma é dupla penetração

Ainda falando de audiovisual, ontem eu estava vendo uns caras postando stories com cogumelos frescos e ingredientes selecionados no meio da semana. Não sei se sou só eu que ainda tenho roupa para sair ou só tô jogando baixo mesmo.

Agora, falando de filmmakers, outro dia ouvi de um cara pouco chique, que oitenta reais é dinheiro de pinga (!?) Onde isso? Quero!

Gente, ainda falando daqueles filmmakers que não vendem vídeos, vendem sonhos (?) qual é desse estilo metade tutorial, metade profissional? Falácia pra dizer que compartilha conhecimento quando na verdade tá só shareando vergonha alheia rsrsrsr.

Belíssimo exemplo de como clarear os dente

Eu queria muito acreditar que a sua câmera é a sua arma quando pipocar aquele filminho da multinacional que tá pagando 5k só pra passar um filtro.

Nossa, acabei de ver os aspargos novamente. E olha, tão bonito, tão verde, levemente amanteigado. Nossa. Coisa de gente que come bem mesmo, nossa.

Agora, falando de pitching em laboratório de roteiro, queria esquecer que vi um consultor negro estrategicamente posicionado atrás do branco que vai discutir aquilo que deve ser discutido (o que?). Obrigado (você amigo) que me apresentou ao termo “afroconveniente” #gratidão.

Eu faria negócios com o pica pau

Mano, esse dia aí tem duas coisas que eu vou falar que não esqueço: primeiro do argumento da criança de três anos, vegana, trans, moradora de comunidade que vence na vida lendo tarot e defumando tofú. segundo, do branco que levou o consultor negro para uma breve reconstituição de “branco sai, preto fica”. agora, finalmente, podemos começar o debate.

Em anexo envio nosso contrato de coprodução devidamente lubrificado. Fica combinado o seguinte: duas bombadinhas no rabo do pai e a gozadinha vamo economizar prum momento mais íntimo.

Os ladrões de gírias atuam geralmente sozinhos e não roubam somente as gírias.

Segue aí! teu sucesso tá indo de vento em popa.. feed tá bonito, neoliberalismo, aspargos, ai ai, se foder gostoso 🙂

Gostou? Não? Que pena…

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